quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Teoria das Organizações

Pensei em escrever sobre arquitetura organizacional, relação agente-principal, alocação ótima de riscos em contratos, centralização vs. decentralização e porque empresas socialistas são ineficientes. Mas tudo isto é apenas teoria e muito chato, sendo que um pequeno vídeo pode ser muito mais informativo e convincente. Veja então como era feito o controle de qualidade no mais eficiente dos países socialistas, a Alemanha Oriental.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Conflito entre Cultura e a Regra da Lei na Argentina

Intrigante e divertido vídeo. A fonte é o blog Marginal Revolution, com contribuições de Tyler Cowen, renomado economista da cultura.

Pesquisa Aponta que Cientistas que Bebem Cerveja Publicam Menos

Ou será que a causalidade é reversa e cientistas que não conseguem publicar tanto bebem mais cerveja?

Definição e Proteção de Direitos de Propriedade pelo Talibã

Quando o governo não define e protege direitos de propriedade, partes privadas podem fazê-lo para escapar da tragédia dos comuns. Mesmo que sejam a Máfia, os traficantes do Rio ou ainda o Talibã.

No noroeste do Paquistão, disputas tribais sobre minas de mármore não foram capazes de definir direitos de propriedade, coisa que nem mesmo o governo paquistanês conseguiu. Quem resolveu os conflitos relacionados foi o Talibã, alocando direitos de propriedade às tribos. Não sem cobrar um preço, é claro.

Cubanos Também São Seres Humanos

Seres humanos reagem a incentivos, diz a teoria econômica. Árdua lição que autoridades de governo em Cuba começam a aprender.

O diário financeiro britânico Financial Times traz, na edição desta terça-feira, 19, uma reportagem que diz que, após quase 50 anos, Cuba deve começar a reduzir os generosos benefícios de seu sistema de Bem-Estar Social. Em uma entrevista exclusiva ao jornal, o chefe do departamento de análise de macroeconomia do Ministério da Economia cubano, Alfredo Jam, disse que os cubanos têm sido "protegidos demais" por um sistema que subsidia os custos com alimentação, limita os ganhos e diminui a força de trabalho em setores industriais chaves para a economia.

"Nós não podemos dar às pessoas tanta segurança em relação às suas rendas que afete sua disposição para o trabalho", disse ele ao FT. "Nós podemos proporcionar igualdade no acesso à educação e à saúde, mas não igualdade de renda".

Isto me faz lembrar um comentário de um biólogo sobre o socialismo: "Nice theory, wrong species".

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

It's Only Rock and Roll (But I Like it)


MixwitMixwit make a mixtapeMixwit mixtapes

A Disputa pela Raposa Serra do Sol

Bom artigo sobre a reserva Raposa Serra do Sol. Uma região de conflitos institucionalmente incentivados, pois trata-se de extensa área de terras com baixa densidade populacional. Independentemente de como se determinam direitos de propriedade, diz o Teorema de Coase, se custos de transação forem suficientemente baixos, barganha privada leva à solução ótima. Assim sendo, o governo deveria patrocinar o entendimento de indígenas e rizicultores (em terras indígenas, os rizicultores poderiam pagar uma indenização pelo uso da terra, cujo valor seria negociado), em vez de estimular o confronto.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A História Soviética

Como diria Hayek, este filme é "dedicado aos socialistas de todos os partidos". Antes de vestir sua camiseta do Che Guevara, se enrolar na bandeira do seu partido e botar o bottom da estrela vermelha no peito, assista a este filme. E não deixe de ler os livros de Richard Pipes, apenas para ter uma pequena idéia com quem você está flertando. Este pequeno artigo sobre Soljenítsin também vale a pena.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Holodomor

Holodomor em ucraniano quer dizer "morte por inanição". Evento pouco conhecido por aqui, diz respeito às políticas de genocídio de Stalin na Ucrânia, entre 1932 e 1933, onde se estima que algo entre sete a dez milhões de ucranianos foram mortos por inanição. O filme abaixo discorre sobre o ocorrido. Embora possa ser interpretado como um manifesto anti-estalinista (que, por si só é suficiente para irritar os simpatizantes tupiniquins), trata de um fato que libertários não cansam de alertar: Propriedade privada é o último refúgio do indivíduo contra abusos do governo. Holodomor só foi possível, como mostra o filme, com violação de propriedade privada. Não que eu acredite que tal tragédia possa voltar a ocorrer, pelo menos no futuro previsível, mas aqui cabe o alerta de que cada pequeno passo que damos enfraquecendo a instituição de propriedade privada é um passo em direção à privação e à opressão.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

E-book Sobre a Lei Seca

Finalmente saiu um novo e perturbador e-book. Iniciativa de Cláudio Shikida, tem como foco os impactos da Lei Seca, com vários autores de blogs que têm firme compromisso com o princípio de liberdade individual. A grande diversidade de análises e opiniões estimula o leitor a pensar e analisar criticamente decisões importantes que afetam nossas vidas. Profundo e perturbador, é capaz de absorver totalmente a atenção do leitor. Para evitar acidentes, não dirija depois de ler. Mas não proíba sua leitura por aumentar o risco de acidentes.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Este Maravilhoso Estado-Babá

Época de eleições, época de promessas. Uma das melhores em Porto Alegre é a do "transporte para facilitar a vida de quem está proibido por lei de dirigir depois de beber seu chopinho." Nada como ter o governo tomando conta da gente, para impedir que façamos algo de errado!

Mas aí meu viés libertário começa a emitir um sinal de alerta: se não pudermos tomar nossas próprias decisões, como vamos aprender o que é certo e errado, o que funciona e o que não? Como vamos desenvolver algum senso de responsabilidade? Suprimir a nossa capacidade de tomar decisões não apenas reduz nossa capacidade de auto-determinação e mina nossa liberdade individual, ela nos deixa a mercê da vontade (política) de outros para a determinação dos rumos de nossa existência.

Aqui cabe uma citação de Alexis de Tocqueville:

“Após ter agarrado cada membro da comunidade e tê-los moldado conforme a sua vontade, o poder supremo estende seus braços por sobre toda comunidade. Ele cobre a superfície da sociedade com uma teia de normas complicadas, diminutas e uniformes, através das quais as mentes mais brilhantes e as personalidades mais fortes não podem penetrar, para sobressaírem no meio da multidão. A vontade do homem não é destruída, mas amolecida, dobrada e guiada; os homens raramente são forçados a agir, mas constantemente impedidos de atuar; tal poder não destrói, mas previne a existência; ela não tiraniza, mas comprime, enerva, ofusca e estupefaz um povo, até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”.


Será isto o que desejamos?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Taxman




TAXMAN
The Beatles
George Harrison - 1966

1,2,3,4,1,2

Let me tell you how it will be,
There’s one for you, nineteen for me,
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
Should five per cent appear too small,
Be thankful I don’t take it all.
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah yeah, I’m the Taxman.

(If you drive a car car), I’ll tax the street,
(If you try to sit sit), I’ll tax your seat,
(If you get too cold cold), I’ll tax the heat,
(If you take a walk walk), I’ll tax your feet.
Taxman.

‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
Don’t ask me what I want it for
(Ah Ah! Mister Wilson!)
If you don’t want to pay some more
(Ah Ah! Mister Heath!),
‘Cos I’m the Taxman,
Yeeeah, I’m the Taxman.

Now my advice for those who die, (Taxman!)
Declare the pennies on your eyes, (Taxman!)
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
And you’re working for no-one but me,
(Taxman).

Sobre a Lei Seca

Bons comentários do Cristiano sobre a Lei Seca, aqui. Pode-se acompanhar interessante discussão também por aqui.
Com certeza, a aplicação da Lei Seca tem trazido alguns benefícios importantes, como a redução do número de acidentes e fatalidades nas estradas. Mas esses benefícios podem estar mais fortemente associados a maior fiscalização do que à redução do limite tolerável per si.

O problema econômico que motiva a Lei seca aqui é o de redução de externalidades, que nesse caso consiste em provocar dano a propriedade (incluindo o corpo e a vida) de terceiros, sem seu consentimento. Mas a que custos? Em primeiro lugar, mesmo coisas boas podem ser feitas em excesso, isto é, além do ponto eficiente (além do ponto onde custos marginais são iguais aos benefícios marginais). Vale a pena, então, ponderar os custos, para uma avaliação mais precisa.

Primeiro o efeito substituição. Criminalizar, na prática, o consumo de álcool, pode induzir um subconjunto de motoristas a substituir a cerveja por outras drogas mais pesadas, de efeito mais devastador, justamente porque seu consumo não é crime (o tráfico é). Depois tem o efeito corrupção. É conhecida a prática de certos policiais, em certas cidades do país, de fazerem blitz para extorquir o pobre sujeito que está com o IPVA atrasado, sem o lacre da placa traseira, etc. Seu poder de barganha vai, com certeza aumentar, em particular quando a prática de abordagem começar a ficar mais arbitrária.

O problema aqui também diz respeito a punitive damages, conforme a tradição de Law and Economics. Existem situações onde é mais eficiente a proibição (property rights) do que a compensação (liability rule). Exemplo: É mais barato proibí-lo de roubar o meu carro do que permitir fazê-lo e exigir que eu seja compensado. Mas existem também situações onde compensação não é possível (como em caso de óbito), então nesse caso o objetivo da Lei pode ser o de limitar o comportamento indesejável e reduzir assim os danos provocados.

A eficácia de uma lei em reduzir comportamento indesejável depende não somente da probabilidade de detecção do comportamento e da intensidade da pena a cumprir, mas também da racionalidade decisória dos agentes. Alta probabilidade de detecção e de cumprimento de pena limitam o comportamento de pessoas racionais e reduzem portanto, a externalidade. Mas e quando o comportamento não é plenamente racional? Tome, por exemplo, o conhecido fenômeno "Saturday Night Fever", quando jovens têm um comportamento emocional, onde não consideram apropriadamente a segurança dos outros, onde existe uma elevada propensão a tomada de risco e elevado desconto intertemporal. Nesse caso, pode ser que a estratégia ótima não seja a sugerida por Gary Becker (elevada pena e baixa probabilidade de detecção), mas simplesmente o inverso (pena baixa e elevada probabilidade de detecção), conforme sugerido por Robert Cooter.

Voltando das Férias

De volta à realidade. Impostos. Mais impostos. Reuniões. Contas a pagar. Com a greve dos correios, e antes a da Receita Federal, meus livros ainda não chegaram. Mas já tive que pagar o cartão de crédito. IR atrasado. Me esqueci de pagar a fatura do supermercado, e, depois de décadas andando na linha, pagando contas em dia, acho que vou perder todo o meu crédito. Serasa e SPC. Multa. Mais impostos. E a maldita Lei Seca.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Preços do Petróleo, Dólar Fraco e a Possibilidade de Guerra no Irã

É sabido, entre especialistas em finanças, que existe uma relação inversa entre preço de ativos e taxa de juros. A baixa taxa de juros nos EUA não apenas levou a um aumento dos preços de ativos (vide a crise no mercado hipotecário norte-americano) como também ajudou a desvalorizar o dólar. Ocorre que tanto o petróleo quanto certas commodities têm qualidades de ativos, pois podem ser estocados para uso futuro. Mas o preço corrente de ativos também é determinado pelo seu retorno futuro e isto significa que, no caso do petróleo, o mercado pode estar prevendo uma maior escassez relativa futura. Ao contrário da segunda Guerra do Golfo, quando George W. Bush invadiu o Iraque em retaliação ao ataque às torres do World Trade Center e não houve movimento significativo dos preços do petróleo (ou seja, a previsão do mercado - diga-se ofertantes e demandantes de petróleo, aqueles agentes que têm conhecimento específico das condições de mercado - não previu um rompimento naquela data) é possível que os participantes de mercado, via preços, estejam sinalizando que a crise do Irã é mais séria do que as manchetes de jornal e declarações oficiais pemitam perceber. Em outras palavras, o problema não é apenas o dólar fraco, pois uma valorização cambial no Oriente Médio poderia sanar o problema. Quem arrisca um palpite (e apostar seu dinheirinho nisto)?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Que Cientistas Políticos não Vêem Que Economistas Vêem?

Último sábado assisti um programa de debates (Painel, Globo News), onde um dos debatedores era um renomado cientista político brasileiro. Me chamou a atenção um comentário que revela quão diferentes são as percepções da realidade, entre as profissões de ciência política (tradicional) e economia (convencional). O renomado debatedor argumentou, entre outras coisas, que aos Estados Unidos interessam acordos de livre comércio pois são mais competitivos em tudo, sugerindo que não era portanto da conveniência da América Latina buscar tais acordos. Aqui é que reside a divergência dessa forma de pensar com o conhecimento convencional de economia.

São dois, na verdade, os pontos de discordância. Traduzindo para a linguagem de economia, o nobre cientista político consegue enxergar vantagens absolutas mas não vantagens comparativas, coisa que, desde David Ricardo até os livros texto de introdução à economia, faz parte do arsenal explicativo dos economistas. Adicionalmente, o ilustre cientista político parece professar a idéia de que relações internacionais são um jogo de soma zero, onde os ganhos de um lado são as perdas do outro. Economistas, ao contrário, vêem comércio internacional (ou qualquer outra troca voluntária, com direitos de propriedade bem definidos) como um jogo cooperativo de soma positiva.

Essas diferentes percepções são significativas e motivam políticas praticamente antagônicas. O fato é que duas coisas conspiram contra a ciência política tradicional, pelo menos neste caso: evidências empíricas são favoráveis à interpretação de economia e, em decorrência disso, o método de economia de escolha racional está invadindo bons departamentos de ciência política mundo afora. Em outras palavras, ciência política está cada vez mais parecida com economia convencional. Pena que profissionais influentes permaneçam imunes à esta mudança de paradigma, pois, caso contrário, a qualidade de nossas discussões e políticas poderia sofrer um ganho substancial.

Economia Monetária e Economia Política

Duas boas dicas de leitura do De Gustibus: Economia Monetária com Affonso Celso Pastore e Economia Política com Marcelo de Paiva Abreu.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Porque a Esquerda Deve Adotar o Liberalismo

O importante economista italiano Alberto Alesina explica: "Anti-reformistas na Europa dizem estar protegendo os fracos e os pobres. Nada poderia estar mais longe da verdade. Flexibilização do mercado de trabalho, desregulação da indústria de serviços, reformas na seguridade social e maior competição na alocação de recursos às universidades pode prejudicar os interesses dos cidadãos privilegiados e bem-conectados, mas abre oportunidades para os jovens europeus e os grupos em desvantagem. Uma agenda verdadeiramente de esquerda abraçaria reformas."

O argumento completo está aqui.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"A Amazônia é Nossa!" ou "Dormindo com o Inimigo"

Para Mr. da Silva, "o Brasil mais que todos os outros países, dá um exemplo de preservação para o mundo", a despeito das evidências contrárias. Para seu ministro do meio ambiente, Mr. Minc, além de prender os bois ilegais "temos de rezar, orar, porque queremos que o desmate caia." Nada como um pouco de fé para que as políticas surtam os efeitos desejados!

Por outro lado, a paranóia da invasão da Amazônia por estrangeiros voltou à cena. Felizmente, ergueu-se aqui uma voz sensata. Temos que rezar, orar, para que essa voz seja ouvida!

Relatório da CGD sobre Crescimento: Repercussões

No meu post anterior mencionei o report da CGD (Comission on Growth and Development). Os blogs do Dani Rodrik e do Martin Wolf discutem o diagnóstico e conclusões do referido report, além de comentarem as críticas do economista William Easterly. Apesar das discordâncias, cujo epicentro é a ênfase que Easterly dá à importância de liberdade econômica e política e a ênfase que o relatório e Wolf dão à importância do Estado engajado no desenvolvimento, me parece que eles dizem a mesma coisa: Afinal de contas, a despeito de o relatório sugerir a possibilidade de diferentes estratégias de desenvolvimento (que, diga-se de passagem, tem sido o principal argumento de Rodrik, aqui e aqui) para sobrepujar as diferentes restrições locais ao desenvolvimento, não seria o Estado engajado aquele que promove liberdade econômica e política? Nesse sentido, eu tenho que concordar com Bill Easterly: O Relatório não progride muito na questão de como conseguir tal Estado engajado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre Crescimento Econômico

The Commission on Growth and Development (CGD) tem Michael Spence, prêmio Nobel em Economia, como seu presidente e Danny Leipziger, vice presidente do Banco Mundial, como vice. A CGD publicou (em 21/05/08) um relatório que procura indicar um conjunto de políticas capazes de colocar países em desenvolvimento em uma trajetória de desenvolvimento rápido e sustentável. Segundo a CGD, mercados competitivos, adesão a mercados globais, liderança, persistência e pragmatismo são indispensáveis para tal, independentemente das peculiaridades de cada país. Entretanto, essas peculiaridades chamam estratégias distintas de desenvolvimento. Para quem está preocupado com os rumos do país, vale a pena dar uma olhada.

O Dólar Não é Sorvete e Não Derrete!

Uma entrevista com um dos maiores economistas brasileiros: Affonso Celso Pastore.

domingo, 1 de junho de 2008

Deputados Criminosos: Seleção Adversa ou Risco Moral?

Segundo esta notícia aqui, quase a metade dos deputados da Assembléia do RJ já foi denunciada por diversas acusações - estelionato, improbidade e até formação de quadrilha e homicídio. Este caso é um bom exemplo de livro texto de economia dos problemas causados por informação assimétrica - seleção adversa e risco moral.

Informação assimétrica existe no caso pois o eleitor típico é racionalmente ignorante: como sabe que seu voto não decide a eleição (ou seja, o benefício esperado de qualquer decisão é praticamente zero) e ele entende que se informar melhor a respeito das qualidades dos candidatos e de suas propostas lhe é custoso em termos de tempo dispendido e dinheiro, ele decide votar sem adquirir boa informação. Adicionalmente, depois da eleição, o eleitor típico não consegue exercer influência sobre as decisões do político eleito nem tampouco fica bem informado a respeito das posições e projetos apresentados por ele. Como o político (tanto candidato quanto eleito) conhece melhor suas aspirações, qualidades morais e os grupos de interesse a quem ele serve, está estabelecido o palco para a criação dos problemas de seleção adversa e risco moral.

Seleção adversa é o problema de informação assimétrica originado aqui antes da eleição. Sabendo dos benefícios de ser eleito (legais e ilegais, morais e imorais), do pouco controle da sociedade sobre seus atos e da tal da imunidade parlamentar, o pleito atrai candidatos que já não têm as melhores das intenções. Adicionalmente, após a eleição, ocorre o problema de risco moral. Mesmo aqueles dotados de boas intenções, acabam tendo bons incentivos para trocar seus propósitos iniciais pelas oportunidades que o sistema político oferece. O resultado final é a proliferação, no mundo político, de estelionatários, fraudadores, corruptos, homicidas e narco-traficantes, com o apoio da população.

Lord Acton, quando proferiu sua famosa frase "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe de forma absoluta" tinha uma compreensão muito sofisticada de como a estrutura de incentivos do mundo político influencia as decisões das pessoas. Da mesma forma, um dos grandes economistas do passado, Frank Knight, chegou à conclusão semelhante, comentando sobre regimes totalitários, onde a concentração de poder é máxima: "...(as autoridades)teriam que fazer essas coisas, querendo ou não; e as probabilidades de ser o poder exercido por homens que detestem a posse e o exercício do poder são tantas quanto as probabilidades de uma pessoa extremamente meiga e sensível obter o lugar de feitor de escravos numa plantação."