segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Que Causou a Crise Financeira de 2007-2008?

Dois livros bem interessantes sobre o tema: Engineering the Financial Crisis e What Caused the Financial Crisis. Sobre o primeiro, Arnold Kling escreve um excelente post, onde pondera sobre as falhas regulatórias que condicionaram a crise:

"...Another way to put this is that what experts know today is slight relative to what they have yet to learn. A competitive market system will do a better job of learning than a top-down regulated system. The demand for regulation implicitly assumes that our experts know enough to stop learning. That is ultimately a dangerously wrong-headed view."

Sobre o segundo, que é uma impressionante coletânea de artigos, pode-se ler a introdução aqui. Em ambos, o tema central são falhas regulatórias, que ocorrem por excesso ou omissão.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Fim do Capitalismo Está Próximo!

"O capitalismo não tem futuro", segundo a agência de notícias estatal KCNA, da Coréia do Norte:

"A única maneira de sair da crise atual que aflige o mundo capitalista é erradicando seu sistema. O capitalismo está desaparecendo da história, já que explora o povo e é esquecido por ele". Que vontade de fugir para  Pyongyang!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

As Contribuições de Milton Friedman à Economia

Conforme vistos por Ben Bernanke, Robert Hetzel, David Laidler  e Thomas Sargent.

A importância do trabalho de Milton Friedman é bem colocada neste texto de Ben Bernanke:

"In preparing this talk, I encountered the following problem. Friedman’s monetary framework has been so influential that, in its broad outlines at least, it has nearly become identical with modern monetary theory and practice. I am reminded of the student first exposed to Shakespeare who complained to the professor: “I don’t see what’s so great about him. He was hardly original at all. All he did was string together a bunch of well-known quotations.” The same issue arises when one assesses Friedman’s contributions. His thinking has so permeated modern macroeconomics that the worst pitfall in reading him today is to fail to appreciate the originality and even revolutionary character of his ideas, in relation to the dominant views at the time that he formulated them."

Estagnação da Produtividade do Trabalho no Brasil

Para aqueles economistas novo-desenvolvimentistas que acreditam que, para que o país possa crescer, basta uma desvalorização cambial e/ou subsídios e proteção a determinadas indústrias, este artigo de Fernando Dantas, no Estadão, é um bom choque de realidade:

RIO - O trabalho no Brasil não se tornou mais produtivo ao longo dos últimos 30 anos. A produtividade do trabalho, fator fundamental do crescimento econômico sustentado, caiu entre 1980 e 2008. De lá para cá, o indicador recuou na crise global, depois se recuperou rapidamente, mas parou de crescer a partir do segundo semestre de 2010.

"O Brasil é um país no qual, não importa como se meça a produtividade, nada parece acontecer", diz José Alexandre Scheinkman, economista brasileiro da Universidade Princeton.

Em 1980, um trabalhador brasileiro produzia em média o equivalente a US$ 21 mil por ano. Em 2008, esse número havia caído para US$ 17,8 mil. Houve, portanto, queda de 15% no período. Esses dados fazem parte da Penn World Table, banco de dados do Centro para Comparações Internacionais de Produção, Renda e Preços da Universidade da Pensilvânia, com indicadores econômicos de 189 países e territórios.

Os números vão até 2008 para a maioria dos países, inclusive para o Brasil. Os valores da Penn World Table sobre a produtividade do trabalho são todos convertidos para dólares de 2005, com paridade de poder de compra (PPP). Isso significa que a diferença de custo de vida entre os diferentes países é eliminada.
Entre os 150 países da Penn World Table com dados completos de produtividade do trabalho entre 1980 e 2008, o Brasil está em 130.º em termos de desempenho neste período.

O Brasil só ganha de 21 países, sendo 11 da África, incluindo Costa do Marfim, Malawi, Somália, Camarões, Togo e Zimbábue. Todos os outros países africanos tiveram desempenho melhor do que o Brasil.
Na América Latina, a evolução da produtividade do trabalho brasileira nas últimas três décadas só não é pior do que a apresentada por Paraguai, Venezuela, Nicarágua e Haiti.

Comparado a outras grandes economias emergentes, ou a países sul-americanos como Argentina e Chile, o Brasil tem o pior desempenho na produtividade do trabalho entre 1980 e 2008.

A Argentina saiu de US$ 21,2 mil para US$ 24,8 mil (alta de 17%). O Chile, de US$ 15,1 mil para US$ 27,5 mil (82%). A China, de US$ 1,2 mil para US$ 10,9 mil (778%). A Índia, de US$ 2,8 mil para US$ 7,8 mil (181%). E a Coreia, finalmente, de US$ 14 mil para US$ 50 mil (256%).

Scheinkman nota ainda que, como proporção da produtividade do trabalho dos Estados Unidos, o desempenho brasileiro nas últimas décadas também é muito ruim. "Os Estados Unidos são a fronteira, e o Brasil não está se aproximando", ele diz.

Na verdade, o Brasil convergiu na direção dos Estados Unidos entre 1950 e 1980, e depois recuou de novo até 1988. Assim, a produtividade do trabalho no Brasil era 18% da americana em 1950, avançou até 40% em 1980 e voltou para 21% em 2008.

Em comparação, a Coreia saiu de 14% da produtividade do trabalho americana em 1953 (primeiro ano com dados na Penn World Table) para 27% em 1980 e 60% em 2008. É interessante notar que, entre 1950 e 1980, o Brasil avançou mais rápido do que a Coreia.

Tanto os dados do Brasil quanto da Coreia do Sul são da Penn World Table, em PPP, e diferem dos valores do gráfico ao lado, do Conference Board, embora a tendência seja a mesma.

Para Scheinkman, a má performance brasileira deve-se a deficiências de educação e infraestrutura, à integração ainda baixa com a economia global, à baixa absorção de tecnologia, à falta de inovação em muitos setores e às dificuldades burocráticas para formalizar ou aumentar o tamanho das empresas.

Ele nota que programas como o Simples, que aliviam a tributação para as pequenas empresas, ajudam na formalização mas se tornam um desincentivo ao crescimento. "As empresas não ganham a escala necessária para se tornarem mais produtivas, trocando-se um problema pelo outro."

Scheinkman ressalva, porém, que a agricultura é um setor em que a produtividade teve grandes avanços no Brasil. "As pessoas reclamam da agricultura, mas não percebem que ela vai muito melhor que os outros setores em termos de produtividade", ele diz.

O economista Samuel Pessôa, da consultoria Tendências, acha que uma série de fatores interrompeu o bom desempenho da produtividade do trabalho no Brasil a partir do início da década de 80.

Um dos mais básicos foi a evolução da tecnologia a partir de meados dos anos 70, que começou a exigir trabalhadores com melhor qualidade educacional.

"Aquele milagre brasileiro no pós-guerra, em um país de baixíssima escolaridade, sem nenhum investimento em educação, se dissipou, porque a tecnologia mudou na direção de requerer capital humano, que era exatamente o que não tínhamos e ainda não temos", diz Pessôa.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ditadura, Democracia e Desenvolvimento

Apenas para fundamentar o post abaixo, sobre a governança corporativa do crime, vai aí o abstract e o link de um dos mais interessantes artigos do Mancur Olson:

"Under anarchy, uncoordinated competitive theft by "roving bandits" destroys the incentive to invest and produce, leaving little for either the population or the bandits. Both can be better off if a bandit sets himself up as a dictator--a "stationary bandit" who monopolizes and rationalizes theft in the form of taxes. A secure autocrat has an encompassing interest in his domain that leads him to provide a peaceful order and other public goods that increase productivity. Whenever an autocrat expects a brief tenure, it pays him to confiscate those assets whose tax yield over his tenure is less than their total value. This incentive plus the inherent uncertainty of succession in dictatorships imply that autocracies will rarely have good economic performance for more than a generation. The conditions necessary for a lasting democracy are the same necessary for the security of property and contract rights that generates economic growth"

Governança Corporativa do Crime

De acordo com a teoria do bandido estacionário de Mancur Olson, uma gangue de criminosos que se torna poderosa passa a cumprir funções de Estado, como a provisão de bens públicos e o controle de externalidades. Este é o caso da Máfia mexicana, como relata Alex Tabarrok.

Crise Financeira e Metas de PIB Nominal



Scott Sumner explica sua interpretação não-convencional baseada em teoria econômica convencional.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Doing Business 2012

O relatório Doing Business 2012, do Banco Mundial, provê uma mensuração objetiva da regulação dos negócios, que permite identificar a facilidade de fazer negócios nos países analisados. De um total de 183 países, o Brasil é o 126o. do ranking, uma posição nada confortável, indicando que a regulação de negócios do país é pouco amigável à atividade econômica.

Cingapura lidera o ranking de facilidade de fazer negócios, seguido de Hong Kong, Nova Zelândia, Estados Unidos e Dinamarca.  O Brasil perdeu seis posições no ranking, em relação ao relatório de 2011, pois pouco melhorou o seu ambiente de negócios - em 125 países foram implementadas um total de 245 reformas regulatórias. No ranking do Doing Business, o Brasil está logo atrás de Suazilândia e Boznia e Herzegovina, mas à frente de Tanzânia e Honduras. Nos últimos seis anos, os países que mais progrediram em criar um ambiente mais amigável a negócios foram a China, India e Rússia.

Como sugestão de plano de desenvolvimento econômico, é melhor se engajar em reformas regulatórias que afetam todo o ambiente de negócios no país do que conceder subsídios, isenções fiscais e venda de proteção a determinadas indústrias. Se fazer reformas é um ato impossível para nossos planejadores, a política de second-best parece ser simplesmente eliminar o Plano Brasil Maior.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Chicago Manterá sua Supremacia no Movimento Law & Economics?

Difícil saber, mas estão tomando medidas importantes para mantê-la nas próximas décadas:

"The University of Chicago School of Law gave birth to the law-and-economics movement during the 1950s and 1960s. Now the school is reasserting its commitment to the study of the law through the lens of economics with an initiative it has dubbed Law and Economics 2.0."Law and economics has been the most important legal movement of the past half century. We're very proud of it and it's part of our legacy," said Dean Michael Schill. "We want to be a leader for the next 50 years. We've been actively looking at what we can do to keep us comfortably at the forefront.""

Mais Sobre o Debate do Modelo IS-LM

Excelente post de Tyler Cowen:

"I am sad that the IS-LM debate devolved into IS-LM vs. close substitutes, because I meant to raise a broader set of objections to one particular kind of technocratic curve-shifting as the foundation for macroeconomic thought.  Let me list a few alternative starting points for macroeconomics:
1. Public choice economics (still the most underrated, in today’s profession)
2. Growth theory (as distinct from the view that all business cycles are simply fluctuations in the rate of growth)
3. The New Institutional Economics of property rights and incentives
4. Financial asset pricing theory (as distinct from the view that financial markets are always efficient)"

Leia mais aqui.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sargent e Sims: Nobel para "Fresh Water Economics"

Este ano o prêmio foi para economistas não-keynesianos, fortemente associados à tradição Minnesota-Chicago (daí fresh-water, em contraposição às escolas salt-water neo-keynesianas das costas leste e oeste dos EUA). Tyler Cowen produziu dois ricos posts (vale a pena lê-los na íntegra, inclusive os links) para explicar a contribuição de Sargent e Sims.
Sobre o Sargent, Cowen escreve:

"Sargent has made major contributions to macroeconomics, the theory of expectations, fiscal policy, economic history, and dynamic learning, among other areas.  He is a very worthy Laureate and an extraordinarily deep and productive scholar."

"One of his most important (and depressing) papers is Sargent, Thomas J. and Neil Wallace (1981). “Some Unpleasant Monetarist Arithmetic“. Federal Reserve Bank of Minneapolis Quarterly Review 5 (3): 1–17.  The main idea of this paper is that good monetary policy requires good fiscal policy.  Otherwise the fight against inflation will not be credible.  This is probably his most important paper."

"Sargent really is one of the smartest, deepest, and most scholarly of all contemporary economists.  The word “impressive” resonates.  He has enough contributions for 1.6 Nobel Prizes, maybe more.  He has influenced the thought of all good macroeconomists.  The economic history is dedicated and path breaking.  If I had to come up with a criticism, I find that some of his papers have an excess of rigor and don’t leave the reader with a clear intuitive result.  I am not as enamored of foundations as he is.  Still, that is being picky and this is a very very good choice for the prize.  I would have considered a co-award with Neil Wallace, however, since two of Sargent’s most important papers (JPE 1975) and “unpleasant monetarist arithmetic” were written with Wallace."

Finalmente, sobre Sims:

"Sims is currently at Princeton but most closely associated with the University of Minnesota.  Basically this is a prize in praise of Minnesota macro, fresh water macro of course, and lots of econometrics.  Think of Sims as an economist who found the traditional Keynesian methods “just not good enough” and who worked hard to improve them.  He brought a lot more rigor into empirical macro and he helped define a school of thought at the University of Minnesota.  His influence will endure.  Some of his results raised the status of the “real shocks” approach to business cycles, although I think of Sims’s work as more defined by a method than by any set of conclusions."

"I think of Sims as having three major contributions: vector autoregression as a macroeconomic method, impulse response functions, and deep examinations of money-income causality.  Via Tim Harford, here are powerpoint slides on the first two, first rate presentation.  If you know some math, this is the place to go on Sims."

"Sims is one of the most important figures in macro econometrics in the last thirty years, if not the most important.  He clearly deserves a Nobel Prize."

Nobel em Economia 2011

Saiu para o Thomas Sargent e o Christopher Sims. Errei minha previsão novamente, vou tentar sorte melhor na Mega Sena desta quinta. Mas não custa mencionar que um dos artigos do Sargent que mais influenciou minha maneira de pensar em economia, ainda nos anos 80 - época da inflação louca no Brasil e da reprodução em escala ampliada de algumas teorias bizarras de inflação em boa parte das universidades brasileiras - é este aqui, sobre a desagradável aritmética monetarista. 

Desenvolvimento Econômico e Política Industrial

Na conferência sobre transformação estrutural e crescimento econômico, promovida pelo Banco Mundial, leitura obrigatória é o artigo de Philippe Aghion e associados, "Industrial Policy and Competition".

Hoje Sai o Nobel em Economia

Bons nomes (isto não é novidade) nas bolsas de apostas. Mas minhas preferências para este ano são Anne Krueger e Gordon Tullock ou Robert Barro e Paul Romer.

sábado, 8 de outubro de 2011

Joseph Stiglitz Imita "A Vida de Brian"

Engraçadíssimo. (HT: Tyler Cowen)

Mais Sobre IS-LM

Paul Krugman defende o modelo pela sua simplicidade (vale a pena ler o artigo do Krugman citado por ele neste seu post), apesar de não ter microfundamentos sólidos (na verdade, a LM tem). Greg Mankiw também toma partido do IS-LM, mas porque provê a base para entender a economia de modelos mais sofisticados (leia-se DSGE). É bem verdade que, para entender a atuação de Bancos Centrais, a LM é dispensável e substituida pela RPM (regra de política monetária), como neste artigo de David Romer.

Toda esta discussão reflete o famoso trade-off em ciência entre simplicidade e completude. Modelos mais simples (no caso, IS-LM) capturam poucos elementos e relações da realidade complexa, mas são mais fáceis de entender e de gerar proposições úteis. Modelos mais completos (no caso, DSGE), podem estabelecer mais relações entre variáveis relevantes, mas às custas de maior dificuldade de interpretação (em modelos dinâmicos mais complicados de expectativas racionais, a melhor chance do pesquisador é com simulações e interpretações baseadas em funções impulso resposta) e nem sempre melhor aderência empírica. Este trade-off aparece também em física, onde convivem o modelo simples (clássica - Newton), que gera interpretações e mais proposições úteis, e o modelo sofisticado (relatividade - Einstein), que é mais preciso porém muitas vezes desnecessariamente complicado. Qual dos dois é melhor, o mais simples ou o mais completo? Isto depende do problema em questão e, obviamente, das preferências do pesquisador.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Na Mosca!

Do Estadão:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira que o modelo americano de universidade é o melhor do mundo. "Nada se equivale à universidade americana", disse, em palestra organizada pela Fundação Estudar para divulgar Yale a estudantes brasileiros. Para FHC, a principal vantagem das instituições dos EUA é estarem conectadas a empresas e governos. "Lá, as universidades levantam pontes com o mundo empresarial e com a administração pública, e reconhecem que as boas ideias também podem vir de fora. No Brasil, a universidade é um bunker com medo de ser comprada pela empresa ou cooptada pelo governo", afirmou. "Assim, não cumpre sua função social maior, que é a de formar lideranças."

Steve Jobs


Excelente artigo de Rodrigo Constantino sobre Steve Jobs. Eu apenas gostaria de enfatizar que seu grande mérito foi ter feito fortuna inovando e melhorando a vida dos outros, o que é a essência do empreendedorismo de livre mercado. Em seu artigo, Constantino conclui corretamente:

"Por fim, resta uma reflexão para nós brasileiros. Infelizmente, com este arcabouço institucional e cultural que temos, dificilmente seríamos capazes de “produzir” um Steve Jobs, ou algo parecido. Tivesse nascido por aqui, mesmo com toda a sua visão inovadora e sua incrível persistência, provavelmente Jobs seria massacrado pelos obstáculos criados pelo governo no processo. Que o legado de Steve Jobs nos sirva como alimento para esta reflexão necessária."

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Empreendedorismo no Brasil

MP INVESTIGA FILHO DE MINISTRO
O Globo - 06/07/2011
 
OMinistério Público Federal Federal está investigando suposto enriquecimento ilícito de Gustavo Morais Pereira, arquiteto de 27 anos, filho do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Dois anos após ser criada com um capital social de R$60 mil, a Forma Construções, uma das empresas de Gustavo, amealhou um patrimônio de mais de R$50 milhões, um crescimento de 86.500%. As investigações podem complicar ainda mais a situação do ministro, que, desde sábado, tem sido obrigado a se explicar sobre o suposto envolvimento de seus principais assessores com corrupção.
As investigações começaram ano passado, a partir de um nebuloso negócio entre Pereira e a SC Carvalho Transportes e Construções, empresa beneficiária de recursos do Ministério dos Transportes. Em 2007, a SC Transportes repassou R$450 mil ao filho do ministro, conforme documentos em poder da Procuradoria da República do Amazonas. Nesse mesmo ano, a empresa recebeu R$3 milhões do Fundo da Marinha Mercante, administrado pelo Ministério dos Transportes para incentivar a renovação da frota do país. Em 2008, a empresa ganhou mais R$4,2 milhões.
Os repasses do ministério à empresa estão registrados no Portal da Transparência, do governo federal. O Ministério Público abriu investigação para apurar se houve conflito de interesse nas decisões do ministério chefiado por Nascimento e os benefícios pagos à empresa que negociou com o filho do ministro:
- O que nos causou estranheza foi o fato de uma empresa de um dos amigos do ministro receber grandes valores (do ministério) e depois fazer negócio com o filho do ministro - disse ao GLOBO um dos investigadores do caso.
MP ainda decide se ministro deve depor
A SC Transportes está em nome de Marcílio Carvalho e Claudomiro Picanço Carvalho. Em 2006, um ano antes da SC receber R$3 milhões do Ministério dos Transportes, Picanço doou R$100 mil à campanha de Nascimento ao Senado, como registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O empresário foi o principal doador da campanha do ministro. Picanço também doou R$12 mil ao PR, então chamado de PL. Marcílio é marido de Auxiliadora Carvalho, nomeada pelo ministro para chefiar o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amazonas e em Roraima.
O Ministério Público ouviu Gustavo. Ele disse que o dinheiro recebido da SC Transporte é fruto da venda de um imóvel. As explicações não convenceram. O Ministério Público estranhou o crescimento patrimonial do arquiteto. Em 2005, aos 21 anos, ele e dois sócios fundaram a Forma Construções. Em 2007, a empresa declarou patrimônio de R$52,3 milhões em documentos da Receita Federal. Um ano antes, os ativos somavam R$17,7 milhões.
Em grande ofensiva no mercado imobiliário do Amazonas, a empresa construiu em curto período um conjunto de 86 casas de alto padrão e um prédio comercial de 20 andares, num bairro nobre de Manaus. A investigação, ainda não concluída, aponta indícios de patrimônio incompatível com a renda declarada por Gustavo. O Ministério Público ainda estuda se chamará Nascimento para depor.
O ministro confirmou o negócio do filho com a SC Transportes, mas negou irregularidades na transação e informou que "o depósito a que O GLOBO se refere decorre da venda de imóvel, transação registrada na declaração de Imposto de Renda", disse por e-mail. Negou ainda ter ligações com os donos da SC Transportes.