quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Aquecimento ou Resfriamento Global?
Enquanto não parecem existir sólidas evidências nos últimos 15 anos de aquecimento global (mas sim, a temperatura média se elevou ao longo do século XX), conforme figura acima, cientistas associam a temperatura média da Terra aos ciclos solares. Como a atividade solar deve se reduzir nos próximos anos, já estão falando em mini era glacial para os próximos anos. A figura abaixo mostra a relação entre ciclos solares e temperatura da Terra.
Este artigo conta a história. Enquanto isto, aqui em Forno Alegre, debaixo de um sol escaldante e temperaturas de 38º C, estou torcendo para que a mini era do gelo chegue logo.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Sobre Libertarianismo
Brad De Long tem uma interpretação bizarra pouco informada sobre libertarianismo (ou liberalismo clássico), ao criticar Milton e Rose Friedman. A fonte do seu problema está em não entender a distinção entre liberdades negativas e positivas. Somente as negativas (fundamentalmente, direito à vida, propriedade e busca da felicidade) constituem os famosos direitos naturais. Liberdade de expressão e liberdade religiosa fazem parte do cinturão protetor dos direitos naturais, pois também são liberdades negativas e os reforçam. As liberdades positivas (como direito à felicidade, liberdade do medo e da necessidade- para usar a terminologia do DeLong) não são constitutivas dos direitos e entram em conflito e enfraquecem as negativas. John Cochrane, corretamente, discute a interpretação pobre de DeLong e chama a atenção ao fato de que liberdades positivas são consequências de sociedades prósperas, e não suas causas.
Outro economista que tem uma interpretação pouco informada sobre libertarianismo é o Jeffrey Sachs, que coloca outros valores morais acima da liberdade individual. O problema é que a satisfação e a busca de outos valores morais desejáveis somente pode ser realizada em uma sociedade livre. Desta forma, é o respeito aos diretos naturais que preserva e estimula os outros valores morais. Trevor Burrus, do Cato Institute, discute extensivamente o artigo do Sachs e esclarece (HT: SB, pelo artigo do Burrus):
"In fact, most libertarians believe that the "other values or causes" listed by Professor Sachs are best promoted by promoting liberty. We believe so strongly in liberty because we believe that all those values are vital to humanity. At bottom, what ties libertarians together is the notion of a "presumption of liberty" -- that state action needs justification, not human freedom. This idea is far from controversial and, in fact, it is the founding principle of the modern liberal state."
Outro economista que tem uma interpretação
"In fact, most libertarians believe that the "other values or causes" listed by Professor Sachs are best promoted by promoting liberty. We believe so strongly in liberty because we believe that all those values are vital to humanity. At bottom, what ties libertarians together is the notion of a "presumption of liberty" -- that state action needs justification, not human freedom. This idea is far from controversial and, in fact, it is the founding principle of the modern liberal state."
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Parcerias Público-Privadas Para Alavancar Investimentos
Embora o governo federal ainda tem demonstrado pouco interesse, as PPP's estão adquirindo força em estados e municípios. Trata-se de uma alternativa viável para atrair capital privado em projetos de infraestrutura e em projetos onde a presença de externalidades torna a taxa interna de retorno privada substancialmente mais baixa do que a social. Se bem estruturadas, PPP's representam uma solução eficiente para alavancar a taxa de investimentos e impulsionar o crescimento econômico do país. O Banco Mundial tem um site (PPIAF) com ampla informação sobre PPP's ao redor do mundo, bem como sobre as técnicas utilizadas em suas estruturações. No Brasil, vale a pena consultar também o pessoal do site PPP Brasil, que apresenta bons artigos e está tomando várias iniciativas para facilitar a implementação desta modalidade de contratos no país.
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
É a Dívida Pública, Estúpido! Parte III
Paul Krugman discorre novamente sobre o tema. Desta vez, Don Boudreaux, da George Mason, discute sua argumentação aqui, aqui e aqui. Nick Rowe também explica o custo da dívida aqui e aqui.
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É a Dívida Pública, Estúpido! Parte II
Um continente de más idéias: John Cochrane discute os problemas de endividamento público na Europa e repercussões sobre o Euro:
"Conventional wisdom says that sovereign defaults mean the end of the euro: If Greece defaults it has to leave the single currency; German taxpayers have to bail out southern governments to save the union.
This is nonsense. U.S. states and local governments have defaulted on dollar debts, just as companies default. A currency is simply a unit of value, as meters are units of length. If the Greeks had skimped on the olive oil in a liter bottle, that wouldn’t threaten the metric system.
Bailouts are the real threat to the euro. The European Central Bank has been buying Greek, Italian, Portuguese and Spanish debt. It has been lending money to banks that, in turn, buy the debt. There is strong pressure for the ECB to buy or guarantee more. When the debt finally defaults, either the rest of Europe will have to raise trillions of euros in fresh taxes to replenish the central bank, or the euro will inflate away."
"Conventional wisdom says that sovereign defaults mean the end of the euro: If Greece defaults it has to leave the single currency; German taxpayers have to bail out southern governments to save the union.
This is nonsense. U.S. states and local governments have defaulted on dollar debts, just as companies default. A currency is simply a unit of value, as meters are units of length. If the Greeks had skimped on the olive oil in a liter bottle, that wouldn’t threaten the metric system.
Bailouts are the real threat to the euro. The European Central Bank has been buying Greek, Italian, Portuguese and Spanish debt. It has been lending money to banks that, in turn, buy the debt. There is strong pressure for the ECB to buy or guarantee more. When the debt finally defaults, either the rest of Europe will have to raise trillions of euros in fresh taxes to replenish the central bank, or the euro will inflate away."
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É a Dívida Pública, Estúpido! Parte I
Paul Krugman aqui, aqui, aqui e aqui, deixa John Cochrane (agora blogueiro), irado. Claro como um bom livro-texto, Greg Mankiw e Larry Ball explicam a economia dos déficits e da dívida pública.
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Marginais e Revolucionários
Sobre como crises econômicas e a blogosfera estão impulsionando heterodoxias econômicas, segundo a The Economist: (HT: Mauricio Felippi)
"Decades ago macroeconomics resembled an “intellectual witch’s brew”, according to Olivier Blanchard, chief economist of the International Monetary Fund. It contained “many ingredients, some of them exotic—many insights, but also a great deal of confusion”. Things then became more rigorous and refined: disagreements remained, but within set limits. Now, on the blogs, the economic conversation boils and bubbles again. That ferment is surely spreading into the academy—and in time some new quintessence will be brought forth, perhaps from materials now considered base."
"Decades ago macroeconomics resembled an “intellectual witch’s brew”, according to Olivier Blanchard, chief economist of the International Monetary Fund. It contained “many ingredients, some of them exotic—many insights, but also a great deal of confusion”. Things then became more rigorous and refined: disagreements remained, but within set limits. Now, on the blogs, the economic conversation boils and bubbles again. That ferment is surely spreading into the academy—and in time some new quintessence will be brought forth, perhaps from materials now considered base."
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Listas de Início de Ano
O NYT pergunta a seis economistas como será 2012.
A revista Foreign Policy elege os melhores escritos (livros, artigos, posts, etc.) de 2011 sobre como o mundo funciona.
O Estadão pergunta a alguns economistas o que esperar da economia do Brasil em 2012.
A revista Foreign Affairs elege os melhores livros de relações internacionais de 2011.
A revista Foreign Policy elege os melhores escritos (livros, artigos, posts, etc.) de 2011 sobre como o mundo funciona.
O Estadão pergunta a alguns economistas o que esperar da economia do Brasil em 2012.
A revista Foreign Affairs elege os melhores livros de relações internacionais de 2011.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Substituição de Importações em Espetáculos e Diversão
Aparentemente, a recente competição desleal e selvagem em solo nacional de Paul McCartney, Eric Clapton e do Cirque du Soleil tornou necessária a proteção da indústria nacional. O próximo passo é a concessão de subsídios e incentivos fiscais para artistas consagrados como o palhaço Tiririca, a Mulher Melancia, o Bonde do Rolê e o MC Créu.
Senado aprova regulamentação da profissão de DJ
Senado aprova regulamentação da profissão de DJ
Texto tornar obrigatória a participação de, pelo menos, 70% de profissionais brasileiros nos eventos promovidos no País com atrações estrangeiras
BRASÍLIA - A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou nesta quarta-feira, 7, em decisão terminativa, o projeto de lei do ex-senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) que regulamenta a profissão dos DJs e dos "disc-jockeys". Chamados no texto, respectivamente, de "profissional de cabine" e de "produtor DJ", as atividades passarão a constar da lei nº 6.533, de 1978, que trata da regulamentação das profissões de artistas e de técnicos em espetáculos e diversões.
O texto cria uma reserva de mercado, ao tornar obrigatória a participação de, pelo menos, 70% de profissionais brasileiros nos eventos promovidos no País com atrações estrangeiras. Uma emenda do relator, senador Paulo Paim (PT-RS), exige os que quiserem exercer a atividade a ter diploma ou certificado correspondente às habilitações profissionais de 2º grau de ator, contrarregra, cenotécnico, sonoplasta, disc-jockey ou outros semelhantes, reconhecidos em lei. Como a aprovação foi terminativa, o texto será encaminhado à Câmara dos Deputados, sem a necessidade de ser votado no plenário do Senado.
Para exercer as atividades, será necessário obter o registro na superintendência regional do Trabalho e Emprego, que terá validade em todo o País. Os profissionais exercerão jornada de trabalho de seis horas diárias ou 30 semanais. A proposta determina, ainda, que a cláusula de exclusividade não impedirá o artista, o técnico em espetáculos de diversões, o DJ e o disc-jockey de prestar serviço em atividade diversa ajustada no contrato de trabalho. "Desde que em outro lugar e sem que se caracterize prejuízo para o contratante com o qual foi assinada a cláusula de exclusividade", especifica ainda o projeto.
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Vanguarda do Atraso
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A Arte de Entender um Discurso
Sensacional. O Cristiano faz a tradução (quase simultânea) do discurso do ministro Mantega. Para quem (como eu) que não entendeu nada do original, a tradução é muito melhor, pois faz sentido!
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Liberdade em Risco
Dois historiadores concordam: as principais conquistas das sociedades no ocidente estão em risco, basicamente porque liberdade individual está em risco.
Niall Ferguson, historiador escocês, é taxativo nesta reportagem que discute seu último livro, Civilization:
"So much of liberalism in its classical sense is taken for granted in the west today and even disrespected. We take freedom for granted, and because of this we don't understand how incredibly vulnerable it is."
Sob a perspectiva dos atuais problemas da zona do Euro, o historiador inglês Timothy Ash chega à mesma conclusão:
"The reason the crisis can have such a strong effect is that the big engines of the European project are no longer running. I'm talking about the passionately engaged politicians with their personal memories of the war, the occupation, the dictatorship, the Holocaust and the Soviet threat. That's why they promoted the project."
"What we do lack are the emotions and the passion to say to people: Do you really want to risk what we have? The fact that a young man in Greece or Estonia can get on a plane in the morning and fly to Paris or Rome, without border controls and without exchanging money, and perhaps find a wife or friends there, decide to live or find a job there -- this is progress that no one should put at risk. It must be made clear to people that their "easyJet Europe," as I call this European freedom we experience every day, will be in jeopardy if the euro zone falls apart."
Niall Ferguson, historiador escocês, é taxativo nesta reportagem que discute seu último livro, Civilization:
"So much of liberalism in its classical sense is taken for granted in the west today and even disrespected. We take freedom for granted, and because of this we don't understand how incredibly vulnerable it is."
Sob a perspectiva dos atuais problemas da zona do Euro, o historiador inglês Timothy Ash chega à mesma conclusão:
"The reason the crisis can have such a strong effect is that the big engines of the European project are no longer running. I'm talking about the passionately engaged politicians with their personal memories of the war, the occupation, the dictatorship, the Holocaust and the Soviet threat. That's why they promoted the project."
"What we do lack are the emotions and the passion to say to people: Do you really want to risk what we have? The fact that a young man in Greece or Estonia can get on a plane in the morning and fly to Paris or Rome, without border controls and without exchanging money, and perhaps find a wife or friends there, decide to live or find a job there -- this is progress that no one should put at risk. It must be made clear to people that their "easyJet Europe," as I call this European freedom we experience every day, will be in jeopardy if the euro zone falls apart."
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Conselhos de Ariel Rubinstein Para Alunos de Doutorado
Vale a pena ler o texto inteiro. Minha parte favorita é a seguinte:
How long should my paper be?
If you don't have a good idea, then keep going. Don't stop at less than 60 single-spaced
pages. Nobody will read your paper in any case so at least you have a chance to publish
the paper in QJE or Econometrica.
If you have a really good idea, my advice is to limit yourself to 15 double-spaced
pages. I have not seen any paper in Economics which deserved more than that and yours
is no exception. It is true that papers in Economics are long, but then almost all of then
are deathly boring. Who can read a 50-page Econometica paper and remain sane? So
make your contribution to the world by writing short papers -- focus on new ideas,
shorten proofs to the bare minimum (yes, that is possible!), avoid stupid extensions and
write elegantly!
How long should my paper be?
If you don't have a good idea, then keep going. Don't stop at less than 60 single-spaced
pages. Nobody will read your paper in any case so at least you have a chance to publish
the paper in QJE or Econometrica.
If you have a really good idea, my advice is to limit yourself to 15 double-spaced
pages. I have not seen any paper in Economics which deserved more than that and yours
is no exception. It is true that papers in Economics are long, but then almost all of then
are deathly boring. Who can read a 50-page Econometica paper and remain sane? So
make your contribution to the world by writing short papers -- focus on new ideas,
shorten proofs to the bare minimum (yes, that is possible!), avoid stupid extensions and
write elegantly!
O Banco Central Deve Perseguir Políticas de Crescimento Econômico?
O leitor Marcelo Korez me pede para comentar a reportagem deste link aqui, que diz que o Banco Central deve elaborar políticas para estimular crescimento econômico. Segundo a reportagem, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto que inclui estímulo ao crescimento econômico e geração de emprego como competências que devem ser buscadas pelo Banco Central. A proposição do projeto carrega uma certa dose de ambiguidade que merece ser melhor discutida.
A questão é como o BC pode "estimular o crescimento econômico", sabendo que seu principal instrumento é a política monetária. No longo prazo, o crescimento econômico depende de acumulação de fatores de produção, como capital e trabalho, de recursos naturais, inovação tecnológica e de um ambiente institucional amigável ao florescimento de mercados competitivos. No longo prazo, a política monetária determina basicamente a taxa de inflação da economia e pouco afeta estes condicionantes, exceto no que diz respeito ao fortalecimento de um ambiente institucional favorável. No longo prazo, a política monetária pode ter impacto negativo sobre crescimento econômico se produzir instabilidade macroeconômica ou inflação elevada, prejudicando assim o funcionamento de mercados. Isto nos traz aos problemas de curto prazo, onde ela tem maior impacto. No curto prazo, o principal impacto da política monetária é sobre a demanda agregada, e ela pode ser utilizada para estabilizar o produto.
O problema é que, ao contrário da visão keynesiana de que "no longo prazo estaremos todos mortos" e que apenas o curto prazo é relevante para a condução de política monetária, o fato é que o longo prazo é uma sucessão de curtos prazos - o que significa que políticas de curto prazo que minam estabilidade de longo prazo não são desejáveis. Neste sentido, uma boa política monetária é aquela que visa estabilizar a economia ao longo do tempo, provendo um regime monetário com inflação baixa e estável. Ocorre que este é o objetivo central do regime de metas de inflação e desta forma ele favorece crescimento econômico sustentável ao ajudar a promover um ambiente institucional favorável.
A ambiguidade do projeto da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado decorre do fato de que a ótica política raramente transcende o curto prazo e visa predominantemente as próximas eleições. Associado à perspectiva proferida por certos economistas do governo de que "um pouco mais de inflação ajuda o crescimento", pode-se estar visando ganhos políticos de curto prazo em detrimento de uma sociedade melhor ao longo do tempo. Por outro lado, se o desejo da Comissão for o de promover crescimento econômico de longo prazo, então o melhor negócio, sob o ponto de vista de política monetária, é manter o regime de metas de inflação reforçando seus fundamentos necessários, como responsabilidade fiscal e taxas flutuantes de câmbio. Adicionalmente, neste segundo caso, a Comissão deveria propor iniciativas para para criar no país um ambiente mais amigável à atividade econômica, como desoneração tributária, recomposição de infraestrutura e redução de custos de transação. Não custa lembrar aqui que no indicador do Banco Mundial, o Doing Business, estamos ficando para trás.
A questão é como o BC pode "estimular o crescimento econômico", sabendo que seu principal instrumento é a política monetária. No longo prazo, o crescimento econômico depende de acumulação de fatores de produção, como capital e trabalho, de recursos naturais, inovação tecnológica e de um ambiente institucional amigável ao florescimento de mercados competitivos. No longo prazo, a política monetária determina basicamente a taxa de inflação da economia e pouco afeta estes condicionantes, exceto no que diz respeito ao fortalecimento de um ambiente institucional favorável. No longo prazo, a política monetária pode ter impacto negativo sobre crescimento econômico se produzir instabilidade macroeconômica ou inflação elevada, prejudicando assim o funcionamento de mercados. Isto nos traz aos problemas de curto prazo, onde ela tem maior impacto. No curto prazo, o principal impacto da política monetária é sobre a demanda agregada, e ela pode ser utilizada para estabilizar o produto.
O problema é que, ao contrário da visão keynesiana de que "no longo prazo estaremos todos mortos" e que apenas o curto prazo é relevante para a condução de política monetária, o fato é que o longo prazo é uma sucessão de curtos prazos - o que significa que políticas de curto prazo que minam estabilidade de longo prazo não são desejáveis. Neste sentido, uma boa política monetária é aquela que visa estabilizar a economia ao longo do tempo, provendo um regime monetário com inflação baixa e estável. Ocorre que este é o objetivo central do regime de metas de inflação e desta forma ele favorece crescimento econômico sustentável ao ajudar a promover um ambiente institucional favorável.
A ambiguidade do projeto da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado decorre do fato de que a ótica política raramente transcende o curto prazo e visa predominantemente as próximas eleições. Associado à perspectiva proferida por certos economistas do governo de que "um pouco mais de inflação ajuda o crescimento", pode-se estar visando ganhos políticos de curto prazo em detrimento de uma sociedade melhor ao longo do tempo. Por outro lado, se o desejo da Comissão for o de promover crescimento econômico de longo prazo, então o melhor negócio, sob o ponto de vista de política monetária, é manter o regime de metas de inflação reforçando seus fundamentos necessários, como responsabilidade fiscal e taxas flutuantes de câmbio. Adicionalmente, neste segundo caso, a Comissão deveria propor iniciativas para para criar no país um ambiente mais amigável à atividade econômica, como desoneração tributária, recomposição de infraestrutura e redução de custos de transação. Não custa lembrar aqui que no indicador do Banco Mundial, o Doing Business, estamos ficando para trás.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
O Capitalismo de Compadres Destrói Bons Valores Morais
A relação entre virtudes morais e a sociedade aberta (capitalismo de livre mercado) raramente é devidamente compreendida, tornando a leitura de Deirdre McCloskey civilizatória. Adicionalmente, Tyler Cowen discorre sobre como o capitalismo de compadres pode estar corroendo valores essenciais para qualquer país como ética do trabalho e cultura do empreendedorismo:
"The United States has always had a culture with a high regard for those able to rise from poverty to riches. It has had a strong work ethic and entrepreneurial spirit and has attracted ambitious immigrants, many of whom were drawn here by the possibility of acquiring wealth. Furthermore, the best approach for fighting poverty is often precisely not to make fighting poverty the highest priority. Instead, it’s better to stress achievement and the pursuit of excellence, like a hero from an Ayn Rand novel. These are still at least the ideals of many conservatives and libertarians."
"...the problem is that higher status for the wealthy can easily lead to crony capitalism. In public discourse social status judgments are often crude. Critical differences are lost, like the distinction between earning money through production for consumers, as Apple has done, and earning money through the manipulation of government, which heavily subsidized agribusinesses have done. The relevant question, in my view, is not about how much you have earned but about how you have earned it. To further confuse matters, many right-wing Republican politicians supported corporate bailouts and corporate welfare far beyond what was necessary to stabilize the economy, in doing so further muddying the difference between productive and predatory capitalism."
"The United States has always had a culture with a high regard for those able to rise from poverty to riches. It has had a strong work ethic and entrepreneurial spirit and has attracted ambitious immigrants, many of whom were drawn here by the possibility of acquiring wealth. Furthermore, the best approach for fighting poverty is often precisely not to make fighting poverty the highest priority. Instead, it’s better to stress achievement and the pursuit of excellence, like a hero from an Ayn Rand novel. These are still at least the ideals of many conservatives and libertarians."
"...the problem is that higher status for the wealthy can easily lead to crony capitalism. In public discourse social status judgments are often crude. Critical differences are lost, like the distinction between earning money through production for consumers, as Apple has done, and earning money through the manipulation of government, which heavily subsidized agribusinesses have done. The relevant question, in my view, is not about how much you have earned but about how you have earned it. To further confuse matters, many right-wing Republican politicians supported corporate bailouts and corporate welfare far beyond what was necessary to stabilize the economy, in doing so further muddying the difference between productive and predatory capitalism."
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Um Exemplo de Como Não Se Deve Fazer Econometria
Menzie Chinn queima alguns neurônios se dedicando a um exemplo de livro texto. É preciso ter bom senso para utilizar econometria (e matemática também), e o bom senso vem de teoria econômica. O exemplo do Chinn é semelhante a um que costumo dar e que aterroriza alunos de macro: se a política monetária for usada eficientemente para estabilizar o produto, a correlação entre mudanças na oferta de moeda e no produto será próxima de zero!
Capitalismo de Compadres e Rent-Seeking
Não estou me referindo ao Brasil, mas aos EUA, cujo governo trilha insistentemente o caminho em direção à argentinização. Desta vez é com subsídios à produção de energia solar. Do NYT:
WASHINGTON — Halfway between Los Angeles and San Francisco, on a former cattle ranch and gypsum mine, NRG Energy is building an engineering marvel: a compound of nearly a million solar panels that will produce enough electricity to power about 100,000 homes.
The project is also a marvel in another, less obvious way: Taxpayers and ratepayers are providing subsidies worth almost as much as the entire $1.6 billion cost of the project. Similar subsidy packages have been given to 15 other solar- and wind-power electric plants since 2009.
The government support — which includes loan guarantees, cash grants and contracts that require electric customers to pay higher rates — largely eliminated the risk to the private investors and almost guaranteed them large profits for years to come. The beneficiaries include financial firms like Goldman Sachs and Morgan Stanley, conglomerates like General Electric, utilities like Exelon and NRG — even Google.
A great deal of attention has been focused on Solyndra, a start-up that received $528 million in federal loans to develop cutting-edge solar technology before it went bankrupt, but nearly 90 percent of the $16 billion in clean-energy loans guaranteed by the federal government since 2009 went to subsidize these lower-risk power plants, which in many cases were backed by big companies with vast resources.
WASHINGTON — Halfway between Los Angeles and San Francisco, on a former cattle ranch and gypsum mine, NRG Energy is building an engineering marvel: a compound of nearly a million solar panels that will produce enough electricity to power about 100,000 homes.
The project is also a marvel in another, less obvious way: Taxpayers and ratepayers are providing subsidies worth almost as much as the entire $1.6 billion cost of the project. Similar subsidy packages have been given to 15 other solar- and wind-power electric plants since 2009.
The government support — which includes loan guarantees, cash grants and contracts that require electric customers to pay higher rates — largely eliminated the risk to the private investors and almost guaranteed them large profits for years to come. The beneficiaries include financial firms like Goldman Sachs and Morgan Stanley, conglomerates like General Electric, utilities like Exelon and NRG — even Google.
A great deal of attention has been focused on Solyndra, a start-up that received $528 million in federal loans to develop cutting-edge solar technology before it went bankrupt, but nearly 90 percent of the $16 billion in clean-energy loans guaranteed by the federal government since 2009 went to subsidize these lower-risk power plants, which in many cases were backed by big companies with vast resources.
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terça-feira, 8 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
O Que Causou a Crise Financeira de 2007-2008?
Dois livros bem interessantes sobre o tema: Engineering the Financial Crisis e What Caused the Financial Crisis. Sobre o primeiro, Arnold Kling escreve um excelente post, onde pondera sobre as falhas regulatórias que condicionaram a crise:
"...Another way to put this is that what experts know today is slight relative to what they have yet to learn. A competitive market system will do a better job of learning than a top-down regulated system. The demand for regulation implicitly assumes that our experts know enough to stop learning. That is ultimately a dangerously wrong-headed view."
Sobre o segundo, que é uma impressionante coletânea de artigos, pode-se ler a introdução aqui. Em ambos, o tema central são falhas regulatórias, que ocorrem por excesso ou omissão.
"...Another way to put this is that what experts know today is slight relative to what they have yet to learn. A competitive market system will do a better job of learning than a top-down regulated system. The demand for regulation implicitly assumes that our experts know enough to stop learning. That is ultimately a dangerously wrong-headed view."
Sobre o segundo, que é uma impressionante coletânea de artigos, pode-se ler a introdução aqui. Em ambos, o tema central são falhas regulatórias, que ocorrem por excesso ou omissão.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Civilização: O Ocidente e o Resto
Excelente digressão de Niall Ferguson, baseada em seu último livro. Uma ótima aula de história econômica e economia institucional.
O Fim do Fim do Capitalismo
A grande virtude do capitalismo de livre mercado sobre outros sistemas econômicos (os gêmeos capitalismo de compadres, corporativismo e capitalismo de estado, e as sociopatias do socialismo e do nacional-socialismo) é o que Douglass North chama de eficiência adaptativa e Edmund Phelps de dinamismo.
Ambrose Evans-Pritchard do The Telegraph parece indicar que os EUA ainda mantém eficiência adaptativa e dinamismo:
"The American phoenix is slowly rising again. Within five years or so, the US will be well on its way to self-sufficiency in fuel and energy. Manufacturing will have closed the labour gap with China in a clutch of key industries. The current account might even be in surplus"
Ambrose Evans-Pritchard do The Telegraph parece indicar que os EUA ainda mantém eficiência adaptativa e dinamismo:
"The American phoenix is slowly rising again. Within five years or so, the US will be well on its way to self-sufficiency in fuel and energy. Manufacturing will have closed the labour gap with China in a clutch of key industries. The current account might even be in surplus"
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
O Fim do Capitalismo Está Próximo!
"O capitalismo não tem futuro", segundo a agência de notícias estatal KCNA, da Coréia do Norte:
"A única maneira de sair da crise atual que aflige o mundo capitalista é erradicando seu sistema. O capitalismo está desaparecendo da história, já que explora o povo e é esquecido por ele". Que vontade de fugir para Pyongyang!
"A única maneira de sair da crise atual que aflige o mundo capitalista é erradicando seu sistema. O capitalismo está desaparecendo da história, já que explora o povo e é esquecido por ele". Que vontade de fugir para Pyongyang!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
As Contribuições de Milton Friedman à Economia
Conforme vistos por Ben Bernanke, Robert Hetzel, David Laidler e Thomas Sargent.
A importância do trabalho de Milton Friedman é bem colocada neste texto de Ben Bernanke:
"In preparing this talk, I encountered the following problem. Friedman’s monetary framework has been so influential that, in its broad outlines at least, it has nearly become identical with modern monetary theory and practice. I am reminded of the student first exposed to Shakespeare who complained to the professor: “I don’t see what’s so great about him. He was hardly original at all. All he did was string together a bunch of well-known quotations.” The same issue arises when one assesses Friedman’s contributions. His thinking has so permeated modern macroeconomics that the worst pitfall in reading him today is to fail to appreciate the originality and even revolutionary character of his ideas, in relation to the dominant views at the time that he formulated them."
A importância do trabalho de Milton Friedman é bem colocada neste texto de Ben Bernanke:
"In preparing this talk, I encountered the following problem. Friedman’s monetary framework has been so influential that, in its broad outlines at least, it has nearly become identical with modern monetary theory and practice. I am reminded of the student first exposed to Shakespeare who complained to the professor: “I don’t see what’s so great about him. He was hardly original at all. All he did was string together a bunch of well-known quotations.” The same issue arises when one assesses Friedman’s contributions. His thinking has so permeated modern macroeconomics that the worst pitfall in reading him today is to fail to appreciate the originality and even revolutionary character of his ideas, in relation to the dominant views at the time that he formulated them."
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Estagnação da Produtividade do Trabalho no Brasil
Para aqueles economistas novo-desenvolvimentistas que acreditam que, para que o país possa crescer, basta uma desvalorização cambial e/ou subsídios e proteção a determinadas indústrias, este artigo de Fernando Dantas, no Estadão, é um bom choque de realidade:
RIO - O trabalho no Brasil não se tornou mais produtivo ao longo dos últimos 30 anos. A produtividade do trabalho, fator fundamental do crescimento econômico sustentado, caiu entre 1980 e 2008. De lá para cá, o indicador recuou na crise global, depois se recuperou rapidamente, mas parou de crescer a partir do segundo semestre de 2010.
"O Brasil é um país no qual, não importa como se meça a produtividade, nada parece acontecer", diz José Alexandre Scheinkman, economista brasileiro da Universidade Princeton.
Em 1980, um trabalhador brasileiro produzia em média o equivalente a US$ 21 mil por ano. Em 2008, esse número havia caído para US$ 17,8 mil. Houve, portanto, queda de 15% no período. Esses dados fazem parte da Penn World Table, banco de dados do Centro para Comparações Internacionais de Produção, Renda e Preços da Universidade da Pensilvânia, com indicadores econômicos de 189 países e territórios.
Os números vão até 2008 para a maioria dos países, inclusive para o Brasil. Os valores da Penn World Table sobre a produtividade do trabalho são todos convertidos para dólares de 2005, com paridade de poder de compra (PPP). Isso significa que a diferença de custo de vida entre os diferentes países é eliminada.
Entre os 150 países da Penn World Table com dados completos de produtividade do trabalho entre 1980 e 2008, o Brasil está em 130.º em termos de desempenho neste período.
O Brasil só ganha de 21 países, sendo 11 da África, incluindo Costa do Marfim, Malawi, Somália, Camarões, Togo e Zimbábue. Todos os outros países africanos tiveram desempenho melhor do que o Brasil.
Na América Latina, a evolução da produtividade do trabalho brasileira nas últimas três décadas só não é pior do que a apresentada por Paraguai, Venezuela, Nicarágua e Haiti.
Comparado a outras grandes economias emergentes, ou a países sul-americanos como Argentina e Chile, o Brasil tem o pior desempenho na produtividade do trabalho entre 1980 e 2008.
A Argentina saiu de US$ 21,2 mil para US$ 24,8 mil (alta de 17%). O Chile, de US$ 15,1 mil para US$ 27,5 mil (82%). A China, de US$ 1,2 mil para US$ 10,9 mil (778%). A Índia, de US$ 2,8 mil para US$ 7,8 mil (181%). E a Coreia, finalmente, de US$ 14 mil para US$ 50 mil (256%).
Scheinkman nota ainda que, como proporção da produtividade do trabalho dos Estados Unidos, o desempenho brasileiro nas últimas décadas também é muito ruim. "Os Estados Unidos são a fronteira, e o Brasil não está se aproximando", ele diz.
Na verdade, o Brasil convergiu na direção dos Estados Unidos entre 1950 e 1980, e depois recuou de novo até 1988. Assim, a produtividade do trabalho no Brasil era 18% da americana em 1950, avançou até 40% em 1980 e voltou para 21% em 2008.
Em comparação, a Coreia saiu de 14% da produtividade do trabalho americana em 1953 (primeiro ano com dados na Penn World Table) para 27% em 1980 e 60% em 2008. É interessante notar que, entre 1950 e 1980, o Brasil avançou mais rápido do que a Coreia.
Tanto os dados do Brasil quanto da Coreia do Sul são da Penn World Table, em PPP, e diferem dos valores do gráfico ao lado, do Conference Board, embora a tendência seja a mesma.
Para Scheinkman, a má performance brasileira deve-se a deficiências de educação e infraestrutura, à integração ainda baixa com a economia global, à baixa absorção de tecnologia, à falta de inovação em muitos setores e às dificuldades burocráticas para formalizar ou aumentar o tamanho das empresas.
Ele nota que programas como o Simples, que aliviam a tributação para as pequenas empresas, ajudam na formalização mas se tornam um desincentivo ao crescimento. "As empresas não ganham a escala necessária para se tornarem mais produtivas, trocando-se um problema pelo outro."
Scheinkman ressalva, porém, que a agricultura é um setor em que a produtividade teve grandes avanços no Brasil. "As pessoas reclamam da agricultura, mas não percebem que ela vai muito melhor que os outros setores em termos de produtividade", ele diz.
O economista Samuel Pessôa, da consultoria Tendências, acha que uma série de fatores interrompeu o bom desempenho da produtividade do trabalho no Brasil a partir do início da década de 80.
Um dos mais básicos foi a evolução da tecnologia a partir de meados dos anos 70, que começou a exigir trabalhadores com melhor qualidade educacional.
"Aquele milagre brasileiro no pós-guerra, em um país de baixíssima escolaridade, sem nenhum investimento em educação, se dissipou, porque a tecnologia mudou na direção de requerer capital humano, que era exatamente o que não tínhamos e ainda não temos", diz Pessôa.
RIO - O trabalho no Brasil não se tornou mais produtivo ao longo dos últimos 30 anos. A produtividade do trabalho, fator fundamental do crescimento econômico sustentado, caiu entre 1980 e 2008. De lá para cá, o indicador recuou na crise global, depois se recuperou rapidamente, mas parou de crescer a partir do segundo semestre de 2010.
"O Brasil é um país no qual, não importa como se meça a produtividade, nada parece acontecer", diz José Alexandre Scheinkman, economista brasileiro da Universidade Princeton.
Em 1980, um trabalhador brasileiro produzia em média o equivalente a US$ 21 mil por ano. Em 2008, esse número havia caído para US$ 17,8 mil. Houve, portanto, queda de 15% no período. Esses dados fazem parte da Penn World Table, banco de dados do Centro para Comparações Internacionais de Produção, Renda e Preços da Universidade da Pensilvânia, com indicadores econômicos de 189 países e territórios.
Os números vão até 2008 para a maioria dos países, inclusive para o Brasil. Os valores da Penn World Table sobre a produtividade do trabalho são todos convertidos para dólares de 2005, com paridade de poder de compra (PPP). Isso significa que a diferença de custo de vida entre os diferentes países é eliminada.
Entre os 150 países da Penn World Table com dados completos de produtividade do trabalho entre 1980 e 2008, o Brasil está em 130.º em termos de desempenho neste período.
O Brasil só ganha de 21 países, sendo 11 da África, incluindo Costa do Marfim, Malawi, Somália, Camarões, Togo e Zimbábue. Todos os outros países africanos tiveram desempenho melhor do que o Brasil.
Na América Latina, a evolução da produtividade do trabalho brasileira nas últimas três décadas só não é pior do que a apresentada por Paraguai, Venezuela, Nicarágua e Haiti.
Comparado a outras grandes economias emergentes, ou a países sul-americanos como Argentina e Chile, o Brasil tem o pior desempenho na produtividade do trabalho entre 1980 e 2008.
A Argentina saiu de US$ 21,2 mil para US$ 24,8 mil (alta de 17%). O Chile, de US$ 15,1 mil para US$ 27,5 mil (82%). A China, de US$ 1,2 mil para US$ 10,9 mil (778%). A Índia, de US$ 2,8 mil para US$ 7,8 mil (181%). E a Coreia, finalmente, de US$ 14 mil para US$ 50 mil (256%).
Scheinkman nota ainda que, como proporção da produtividade do trabalho dos Estados Unidos, o desempenho brasileiro nas últimas décadas também é muito ruim. "Os Estados Unidos são a fronteira, e o Brasil não está se aproximando", ele diz.
Na verdade, o Brasil convergiu na direção dos Estados Unidos entre 1950 e 1980, e depois recuou de novo até 1988. Assim, a produtividade do trabalho no Brasil era 18% da americana em 1950, avançou até 40% em 1980 e voltou para 21% em 2008.
Em comparação, a Coreia saiu de 14% da produtividade do trabalho americana em 1953 (primeiro ano com dados na Penn World Table) para 27% em 1980 e 60% em 2008. É interessante notar que, entre 1950 e 1980, o Brasil avançou mais rápido do que a Coreia.
Tanto os dados do Brasil quanto da Coreia do Sul são da Penn World Table, em PPP, e diferem dos valores do gráfico ao lado, do Conference Board, embora a tendência seja a mesma.
Para Scheinkman, a má performance brasileira deve-se a deficiências de educação e infraestrutura, à integração ainda baixa com a economia global, à baixa absorção de tecnologia, à falta de inovação em muitos setores e às dificuldades burocráticas para formalizar ou aumentar o tamanho das empresas.
Ele nota que programas como o Simples, que aliviam a tributação para as pequenas empresas, ajudam na formalização mas se tornam um desincentivo ao crescimento. "As empresas não ganham a escala necessária para se tornarem mais produtivas, trocando-se um problema pelo outro."
Scheinkman ressalva, porém, que a agricultura é um setor em que a produtividade teve grandes avanços no Brasil. "As pessoas reclamam da agricultura, mas não percebem que ela vai muito melhor que os outros setores em termos de produtividade", ele diz.
O economista Samuel Pessôa, da consultoria Tendências, acha que uma série de fatores interrompeu o bom desempenho da produtividade do trabalho no Brasil a partir do início da década de 80.
Um dos mais básicos foi a evolução da tecnologia a partir de meados dos anos 70, que começou a exigir trabalhadores com melhor qualidade educacional.
"Aquele milagre brasileiro no pós-guerra, em um país de baixíssima escolaridade, sem nenhum investimento em educação, se dissipou, porque a tecnologia mudou na direção de requerer capital humano, que era exatamente o que não tínhamos e ainda não temos", diz Pessôa.
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