sábado, 8 de outubro de 2011
Mais Sobre IS-LM
Toda esta discussão reflete o famoso trade-off em ciência entre simplicidade e completude. Modelos mais simples (no caso, IS-LM) capturam poucos elementos e relações da realidade complexa, mas são mais fáceis de entender e de gerar proposições úteis. Modelos mais completos (no caso, DSGE), podem estabelecer mais relações entre variáveis relevantes, mas às custas de maior dificuldade de interpretação (em modelos dinâmicos mais complicados de expectativas racionais, a melhor chance do pesquisador é com simulações e interpretações baseadas em funções impulso resposta) e nem sempre melhor aderência empírica. Este trade-off aparece também em física, onde convivem o modelo simples (clássica - Newton), que gera interpretações e mais proposições úteis, e o modelo sofisticado (relatividade - Einstein), que é mais preciso porém muitas vezes desnecessariamente complicado. Qual dos dois é melhor, o mais simples ou o mais completo? Isto depende do problema em questão e, obviamente, das preferências do pesquisador.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Por Que Eu Não Gosto do Modelo IS-LM
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Febeapá Econômico e a Dissecação do Besteirol
P.S. Meu computador travou e estou corrigindo este post somente agora, incluindo o link necessário.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Políticas Keynesianas São o Melhor Caminho Para a Recuperação Econômica?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Economics One
"In my view, the financial crisis does not provide any evidence of a failure of modern economics. Rather the crisis vindicates the theory. Why do I say this? Because the research I have done shows that the crisis was caused by a deviation of policy from the type of policy recommended by modern economics. It was an interventionist deviation from the type of systematic policy that was responsible for the remarkably good economic performance in the two decades before the crisis. Economists call this earlier period the Long Boom or the Great Moderation because of the remarkably long expansions and short shallow recessions. In other words, we have convincing evidence that interventionist government policies have done harm. The crisis did not occur because economic theory went wrong. It occurred because policy went wrong, because policy makers stopped paying attention to the economics."
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Quão Grandes são os Multiplicadores de Dispêndio?

As decisões de consumo das famílias são melhor descritas pelo modelo de renda permanente do Milton Friedman e pelo modelo de ciclo de vida de Franco Modigliani ou pela teoria da função consumo keynesiana? Qual é o impacto, até agora, do pacote fiscal de estímulo econômico do governo Obama? John Cogan, John Taylor e Volker Wieland oferecem evidências empíricas de que a macroeconomia moderna (neoclássica, de expectativas racionais) é a que melhor explica os dados.
"Incoming data will reveal more in coming months, but the data available so far tell us that the government transfers and rebates have not stimulated consumption at all, and that the resilience of the private sector following the fall 2008 panic--not the fiscal stimulus program--deserves the lion's share of the credit for the impressive growth improvement from the first to the second quarter. As the economic recovery takes hold, it is important to continue assessing the role played by the stimulus package and other factors. These assessments can be a valuable guide to future policy makers in designing effective policy responses to economic downturns."
sábado, 5 de setembro de 2009
Paul Krugman Sobre a Falência da Macroeconomia
Outro problema do argumento do Krugman diz respeito à importância de comportamentos irracionais. Assumir a existência de irracionalidade não nos permite prever tais comportamentos, pois afinal existem inúmeras maneiras de se comportar irracionalmente. A nota complementar do Krugman citada acima, já corrige o erro: "Actually, let me put it this way: the economy is a complex system of interacting individuals — and these individuals themselves are complex systems. Neoclassical economics radically oversimplifies both the individuals and the system — and gets a lot of mileage by doing that; I, for one, am not going to banish maximization-and-equilibrium from my toolbox." Talvez o mais correto na linha de argumentação do Krugman teria sido afirmar que comportamento racional individual não é fundamento suficiente para racionalidade coletiva, argumento este já feito por Mancur Olson décadas atrás. Problemas de coordenação, custos de transação, assimetria de informação e incentivos políticos permeiam a atividade econômica e tornam o quadro muito complexo para que modelos simples possam capturar corretamente todas as dimensões relevantes do problema. Isto não é um problema da macroeconomia em si, mas um problema geral de aplicar modelos simples ao entendimento de sistemas complexos.
Outro argumento do Krugman é que economistas convencionais ignoraram a possibilidade de existência de crises em seus modelos. Uma interpretação mais crítica é que isto equivale a criticar médicos por não terem previsto e preparado a vacina contra a gripe H1N1 antes de sua eclosão. Neste caso, o fato importante é que, dada a sua eclosão, o conhecimento em medicina permitiu a fabricação de vacinas, assim como o conhecimento em teoria macroeconômica permitiu a atenuação da crise, evitando que esta se transformasse em uma nova Grande Depressão. Uma interpretação mais simpática, que eu endosso, é que alguns economistas (em macroeconomia, em particular), dado o sucesso relativo de políticas econômicas liberais dos últimos vinte anos, desconsideraram a possibilidade de crises e reversões de política, fazendo as perguntas erradas. Os resultados dos modelos dependem obviamente do que se pretende obter deles.
No entanto, as críticas de Krugman à macroeconomia convencional não tornam sua interpretação da crise necessariamente correta: ele tem uma fé exagerada tanto nos multiplicadores do dispêndio quanto na capacidade de governos de tomar decisões corretas. Da mesma forma que acusa a macroeconomia convencional de ignorar aspectos relevantes da realidade, ele também pode ser acusado do mesmo pecado ao ignorar as contribuições de Escolha Pública e Economia Institucional.
Finalmente, minha crítica à macroeconomia é não dar a devida atenção às restrições que operam sobre o conjunto possível de ações de política. A análise macroeconômica pode ser feita em três níveis: políticas, regimes e instituições. Regimes de política restringem as escolhas de política macroeconômica (regime de metas de inflação, por exemplo), enquanto que instituições restringem a escolha de regimes (populismo impede a adoção com sucesso do regime de metas de inflação, socialismo impede a adoção de mercados organizados, má definição e enforcement de direitos de propriedade pioram as perspectivas de crescimento econômico de longo prazo, etc.). O conhecimento do impacto de instituições sobre a atividade macroeconômica é essencial para entendermos melhor os efeitos da adoção de determinados regimes e políticas econômicas, mas este argumento ainda não faz parte do arsenal do macroeconomista convencional. Mesmo o Krugman deve saber, de sua própria experiência, que é muito difícil dominar as contribuições de várias áreas do conhecimento. Mais difícil ainda é combiná-las para aumentar o poder explicativo e preditivo da ciência.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O Que há de Errado com a Economia?
Robert Lucas, da Universidade de Chicago e Nobel em Economia, aceitou o desafio e rebateu o argumento em seu artigo "In Defense of the Dismal Science". Para Lucas, central na discussão é a Hipótese de Mercados Eficientes (EMH):
"One thing we are not going to have, now or ever, is a set of models that forecasts sudden falls in the value of financial assets, like the declines that followed the failure of Lehman Brothers in September. This is nothing new. It has been known for more than 40 years and is one of the main implications of Eugene Fama’s “efficient-market hypothesis” (EMH), which states that the price of a financial asset reflects all relevant, generally available information. If an economist had a formula that could reliably forecast crises a week in advance, say, then that formula would become part of generally available information and prices would fall a week earlier. (The term “efficient” as used here means that individuals use information in their own private interest. It has nothing to do with socially desirable pricing; people often confuse the two.)
Mr Fama arrived at the EMH through some simple theoretical examples. This simplicity was criticised in The Economist’s briefing, as though the EMH applied only to these hypothetical cases. But Mr Fama tested the predictions of the EMH on the behaviour of actual prices. These tests could have come out either way, but they came out very favourably. His empirical work was novel and carefully executed. It has been thoroughly challenged by a flood of criticism which has served mainly to confirm the accuracy of the hypothesis. Over the years exceptions and “anomalies” have been discovered (even tiny departures are interesting if you are managing enough money) but for the purposes of macroeconomic analysis and forecasting these departures are too small to matter. The main lesson we should take away from the EMH for policymaking purposes is the futility of trying to deal with crises and recessions by finding central bankers and regulators who can identify and puncture bubbles. If these people exist, we will not be able to afford them."
Esta resposta gerou várias reações de conhecidos economistas, que a The Economist está publicando como "The Lucas Round Table". O debate é de qualidade e vale a pena acompanhá-lo, participam nomes como Robert Barro, Brad DeLong, Mark Thoma, Richard Posen e Tyler Cowen.