terça-feira, 25 de maio de 2010

Política Externa Brasileira Para Dummies

Uma interpretação menos otimista do que a oficial: bajular ditadores e déspotas não faz bem à reputação do país, conquistada pelo legado de pragmatismo, sobriedade e imparcialidade adquirido na década passada.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

A Grécia (e Outros Países) é Mais Pobre do Que Parece

Tyler Cowen, sobre a crise grega, em artigo no NYT:

"GREECE is not the only country that suddenly feels poorer. Britain faces budget deficits at about 12 percent of G.D.P., and Italy has a debt-to-G.D.P. ratio of 110 percent. In the United States, the housing and job markets are recovering only in fits and starts and we face significant future Medicare liabilities. This is the era of the rude economic awakening, and Greece is simply an extreme manifestation. The new European bailout plan is a denial of this truth rather than recognition of the new reality that a lot of countries, most of all Greece, aren’t as rich as we used to think."

Rent Seeking na Prática

Abrir uma entidade sindical transformou-se em negócio lucrativo no País. Como é explicado pela "Lógica da Ação Coletiva", de Mancur Olson, o custo individual (apenas um dia de trabalho por ano) que motivaria uma mobilização contra este assalto é relativamente baixo, enquanto que os benefícios da mobilização são espalhados por toda a sociedade. Resultado: Rent seeking, rent seeking e mais rent seeking. De acordo com reportagem do Estadão,

"O imposto sindical, um bolo tributário de quase R$ 2 bilhões formado por um dia de trabalho por ano de toda pessoa que tem carteira assinada, alimenta um território sem lei. Os 9.046 sindicatos que dividem esse dinheiro não são fiscalizados.

Resultado: abrir uma entidade sindical transformou-se em negócio lucrativo no País. Levantamento feito pela reportagem do Estado identificou sindicatos de todos os tipos: de fachada, dissidentes por causa de rachas internos e entidades atuando como empresas de terceirização de mão de obra.

Os dirigentes das centrais admitem que o imposto está por trás da proliferação sindical, o que transforma alguns sindicatos em verdadeiros cartórios. A reportagem constatou ainda que, só neste ano, o Ministério do Trabalho registrou um novo sindicato a cada dia, 126 no total, o que revela uma indústria debaixo da chamada liberdade sindical garantida pela Constituição.

A proliferação acirrou-se a partir de 2008, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu formalizar as centrais - a fatia do bolo que elas recebem é proporcional ao número de entidades filiadas. E tudo ficou mais fácil quando Lula decidiu que as centrais não precisam prestar contas do dinheiro que recebem."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

História Econômica de Qualidade

William Summerhill escreve sobre instituições, escravidão, desigualdade e desenvolvimento no Brasil (as evidências empíricas são de cidades de São Paulo). As conclusões não são as do senso comum. (HT: Leonardo Monastério)

Complexidade e Xadrez

Qual será a partida definitiva de xadrez? Quem ganha, as Brancas ou as Pretas? Ou será um empate forçado? Sob o ponto de vista de teoria dos jogos, xadrez é um jogo trivial. Sob o ponto de vista computacional, é um problema de difícil resolução.

domingo, 16 de maio de 2010

Macroeconomia Moderna: Lições e Desafios

Alex divulga um artigo interessante do Kocherlakota (via Mankiw), professor da Universidade de Minnesota e presidente do Fed de Minneapolis. O artigo é muito bom e aqui vão alguns comentários:

i) Curiosamente, bons economistas costumam beber da mesma fonte (ok, um pouco de pretensão. Só por eu leio o blog do Mankiw regularmente isto não me torna um bom economista. Mas saber que bons economistas como o Alex também o fazem, me faz me sentir membro de um clube especial....)

ii) Aos meus alunos de graduação de Tópicos Especiais de Macroeconomia (todos os dois): Kocherlakota enfatiza as cinco características essenciais da macroeconomia moderna, que já foram apresentados explicitamente nos modelos por nós discutidos:

" Modern macro models can be traced back to a revolution that began in the 1980s in response to a powerful critique authored by Robert Lucas (1976). The revolution has led to the use of models that share five key features:
  • They specify budget constraints for households, technologies for firms, and resource constraints for the overall economy.
  • They specify household preferences and firm objectives.
  • They assume forward-looking behavior for firms and households.
  • They include the shocks that firms and households face.
  • They are models of the entire macroeconomy."
E sim, macroeconomia moderna é diferente do arcabouço tradicional de IS-LM-OA ou CP-DA, que é usual no ensino de graduação (ou ainda CP-IS-RPM, nem tão usual assim) e demanda mais matemática e computação (afinal de contas a macro moderna é quantitativa):

"Finally, just like old macro models, modern macro models are designed to be mathematical formalizations of the entire economy. This ambitious approach is frustrating for many outside the field. Many economists like verbal intuitions as a way to convey understanding. Verbal intuition can be helpful in understanding bits and pieces of macro models. However, it is almost always misleading about how they fit together. It is exactly the imprecision and incompleteness of verbal intuition that forces macroeconomists to include the entire economy in their models.

When these five ingredients are put together, the result is what are often termed dynamic stochastic general equilibrium (DSGE) macro models. Dynamic refers to the forward-looking behavior of households and firms. Stochastic refers to the inclusion of shocks. General refers to the inclusion of the entire economy. Finally, equilibrium refers to the inclusion of explicit constraints and objectives for the households and firms."

Os modelos DSGE são um pouquinho mais complicados, portanto é necessário ter um pouco mais de cuidado para "prever" a trajetória das variáveis endógenas do modelo como função das variáveis exógenas e dos choques que afetam a economia. Não dá para sair dizendo, como fazem os economistas de partido, que "se o governo gastar mais, ele estimula a demanda agregada e o produto e emprego cresce".

iii) Aos alunos do PPGE, curiosos com o recém inaugurado Núcleo de Pesquisa em Economia Computacional (batisado informalmente de "Nudepeecomputa" por algum gênio de marketing), sua relevância para macro é sintetizada pelo Kocherlakota:

"My own idiosyncratic view is that the division (between saltwater and freshwater economists) was a consequence of the limited computing technologies and techniques that were available in the 1980s. To solve a generic macro model, a vast array of time- and state-dependent quantities and prices must be computed. These quantities and prices interact in potentially complex ways, and so the problem can be quite daunting.

However, this complicated interaction simplifies greatly if the model is such that its implied quantities maximize a measure of social welfare. Given the primitive state of computational tools, most researchers could only solve models of this kind. But—almost coincidentally—in these models, all government interventions (including all forms of stabilization policy) are undesirable.

With the advent of better computers, better theory, and better programming, it is possible to solve a much wider class of modern macro models. As a result, the freshwater-saltwater divide has disappeared."

Em suma, é parte importante do arsenal do macroeconomista moderno o domínio de softwares como Mathematica, Matlab, Maple, GAMs, Duali, etc. Obviamente, outras áreas da economia também se beneficiam destes avanços em teoria e em computação.

sábado, 15 de maio de 2010

A Economia dos Direitos de Propriedade

Por que existem direitos de propriedade? Por que é aceitável que o proprietário de um recurso possa excluir o resto do mundo do uso de seu recurso? Quais são as consequências da sua existência? Como direitos de propriedade são modificados? Neste artigo, que representa uma introdução à economia dos direitos de propriedade, estas e outras questões são discutidas.

Sobre Krugman e Libertarianismo

Nesta coluna do Paul Krugman, ele critica o libertarianismo por, no seu entendimento, precisar de políticos incorruptíveis. Ummm... Não seria o estado-babá (ou qualquer outra alternativa) que precisa de políticos incorruptíveis, pois transfere mais poderes a eles? David Boaz comenta:

"The libertarian system of markets and property rights is impeded when politicians interfere in it. But Krugman’s ideal system is that politicians should decide all questions — monetary policy, health care policy, product safety, environmental tradeoffs, you name it. Whose system is more likely to produce corrupt politicians, and more likely to fail because of them?"

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Amartya Sen: The Economist Manifesto



Em belo artigo de Amartya Sen, a relevância atual da "Teoria dos Sentimentos Morais" de Adam Smith é ressaltada. Seu argumento é, ao meu ver, plenamente compatível com o liberalismo clássico, chamado hoje em dia de libertarianismo, enquanto que anarco-capitalistas devem ter objeções. Aproximação importante, visto que Amartya Sen é considerado por muitos um social-democrata moderno.

"The continuing global relevance of Smith's ideas is quite astonishing, and it is a tribute to the power of his mind that this global vision is so forcefully presented by someone who, a quarter of a millennium ago, lived most of his life in considerable seclusion in a tiny coastal Scottish town. Smith's analyses and explorations are of critical importance for any society in the world in which issues of morals, politics and economics receive attention. The Theory of Moral Sentiments is a global manifesto of profound significance to the interdependent world in which we live."

Serão os EUA a Nova Grécia?

Não para Paul Krugman. Que os EUA têm um problema fiscal a ser resolvido é fato, mas ainda está longe de ser parecido com o problema grego. A figura acima, do artigo de Krugman, mostra as projeções dos déficits dos dois países:

"Here’s a more or less apples-to-apples comparison of the medium-term outlook. I’ve taken the Auerbach-Gale projections for the US budget deficit as a percentage of GDP outlook under Obama policies, and compared them with the IMF projections for Greece, subtracting out “measures” — that is, the austerity measures agreed in return for official loans."

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vishy Anand é o Novo Campeão Mundial de Xadrez

Com a participação de Robert Mundell (na imagem acima, fazendo o lance inicial da quinta partida do match do Campeonato Mundial de Xadrez, em Sofia, Bulgária), terminou há pouco o match, com uma vitória excepcional do indiano Vishy Anand sobre o búlgaro Veselin Topalov. Com um resultado final de 6,5 x 5,5 em favor de Anand, este foi certamente o match mais eletrizante desde os encontros lendários entre Karpov e Kasparov. Mig Greengard, do Daily Dirt, comenta.

Nesta reportagem aqui, Mundell, que é aficionado de xadrez e autor da teoria das áreas monetárias ótimas, avalia a crise da Grécia e seus impactos sobre a zona do Euro, e ainda revela que já disputou uma partida de xadrez com Bobby Fischer.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma Autópsia do Sistema Financeiro Americano

O abstract do recente artigo de Ross Levine é o seguinte:

"In this postmortem, I find that the design, implementation, and maintenance of financial policies during the period from 1996 through 2006 were primary causes of the financial system’s demise. The evidence is inconsistent with the view that the collapse of the financial system was caused only by the popping of the housing bubble and the herding behavior of financiers rushing to create and market increasingly complex and questionable financial products. Rather, the evidence indicates that regulatory agencies were aware of the growing fragility of the financial system associated with their policies during the decade before the crisis and yet chose not to modify those policies."

A Crise da Democracia Capitalista



Este é o título do novo livro de Richard Posner. Em resenha do livro no NYT, Niall Ferguson argumenta que Posner lembra um pushmi-pullyu, ao condenar o big government e aderir ao keynesianismo. Para Posner, as causas da crise foram falhas na política monetária (baixa taxa de juros, entre 2001 e 2004), falhas regulatórias e falhas no rigor intelectual. Entretanto, ele vê com bons olhos os gigantescos déficits fiscais provenientes das políticas keynesianas para "resgatar a economia". Mr. Ferguson conclui:

"Posner makes it clear that he understands the risks the United States now faces as the crisis of private finance continues its metamorphosis into a crisis of public finance: an exploding debt relative to gross domestic product; larger risk premiums as investors prepare for higher inflation or a weaker dollar; rising interest rates; a greater share of tax revenues going for interest payments; a diminishing share of resources available for national security as opposed to Social Security. “As an economic power,” Posner concludes, “we may go the way of the British Empire.” Indeed. It seems not to have struck the judge that British decline and the rise of Keynesianism went hand in hand. "

Aula de Escolha Pública

Quer saber como pensa um político? A resposta está aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

The Muppets Meet Queen



Para quem não sabe do que se trata, aqui está o original.

Libertarianism From A to Z

É o novo livro do prof. de Economia de Harvard, Jeffrey Miron. Ideal para quem gosta de pensar e acredita que as opções políticas aqui no Brasil são por demais estreitas. Sua entrevista à Reason.tv está aí em baixo.

Privilégios à Venda: O caso da Máfia Chinesa e do Ministério da Justiça

As teorias de escolha pública, economia política, direitos de propriedade e custos de transação informam: quanto maiores as restrições legais à atividade econômica (ou seja, quanto maiores os custos de transação), maiores serão os incentivos que os agentes terão para tentar burlar os controles e capturar uma fatia maior de renda, e mais propício estará o ambiente institucional para ações de rent-seeking e corrupção. Neste sentido, as relações da máfia chinesa com nosso Ministério da Justiça não são surpreendentes, pois decorrem naturalmente da nossa prática política predominante, que, como diz o ditado popular, é a de "criar dificuldades para vender facilidades".

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Estado Mínimo e Patrimonialismo

Este é o título de bom artigo do Pedro Cavalcanti Ferreira no Estadão de hoje. Tece considerações sobre o maniqueísmo ideológico vigente nas discussões sobre o papel do estado na economia, que afasta toda e qualquer possibilidade de diálogo inteligente e visa escamotear as brutais transferências de renda e concessões de privilégios que fazem parte da nossa tradição política. O artigo é bom por levantar tal ponto de vista, mas deixa a desejar em outro aspecto importante pois, ao descrever avanços recentes da teoria econômica, ignorou completamente as contribuições da teoria da escolha pública e da moderna economia política. Explico: PCF discorre sobre falhas de mercado - a mão invisível de Adam Smith não funciona perfeitamente bem - para justificar intervenção do governo em diversas atividades, que vão de educação a regulação de mercados. O problema é que ele simplesmente ignora que a teoria econômica atual não justifica estas intervenções da forma como ele propõe, pois existem falhas de governo - como aquelas que PCF devidamente aponta ao longo do texto - que impedem o uso de soluções eficientes e que são foco de estudo da teoria econômica. Em suma, a existência de falhas de mercado não é suficiente para justificar ação de governo, é necessário mostrar que sua intervenção melhora a situação em questão. Uma discussão racional sobre o papel do estado na sociedade deve necessariamente ponderar o trade-off entre falhas de mercado e falhas de governo e reconhecer que, devido às imperfeições de ambos, escolher uma solução utópica, perfeita e ideal pode significar, na prática, a imposição de um mundo muito pior do que o factível.

sábado, 1 de maio de 2010

Livre Comércio e Globalização em Idéias



Alex Tabarrok, do Marginal Revolution, explica o poder das idéias. Por algum motivo ele não menciona a América Latina nem o Brasil. Assista ao video e descubra porque.