quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Crises e o Tamanho do Governo

Economistas austríacos (tipo de heterodoxia que heterodoxos brasileiros nutrem ojeriza) e historiadores econômicos convencionais têm alertado que crises são um argumento para o crescimento do tamanho do governo e que, uma vez superadas, o tamanho do governo não volta atrás (o famoso efeito catraca, apontado pelo pessoal de public choice). Será que a corrente crise financeira engendrará efeito deste tipo? Esta é a preocupação do Greg Mankiw.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Economistas Abandonaram Seus Princípios

É o que dizem Oliver Hart e Luigi Zingales, no WSJ. Para lidar com a crise financeira-econômica, os princípios que devem voltar à cena são: intervir apenas no caso de falha de mercado facilmente identificada e fazê-lo com o menor custo possível ao contribuinte:

"Practically every day the government launches a massively expensive new initiative to solve the problems that the last day's initiative did not. It is hard to discern any principles behind these actions. The lack of a coherent strategy has increased uncertainty and undermined the public's perception of the government's competence and trustworthiness.

The Obama administration, with its highly able team of economists, has a golden opportunity to put the country on a better path. We believe that the way forward is for the government to adopt two key principles. The first is that it should intervene only when there is a clearly identified market failure. The second is that government intervention should be carried out at minimum cost to taxpayers."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pork Barrel no Brasil e o Sen. Aloízio Mercadante



Políticas do tipo Pork Barrel são programas de governo cujos benefícios são concentrados, seja geograficamente ou por grupo de interesse, com custos de financiamento espalhados por toda população, ou sobre os contribuintes de forma geral. No sistema político americano, produzir pork ou ser acusado de fazê-lo é vexatório. E aqui no Brasil? Transferir recursos públicos pare seu grupo de apoio (eleitores ou grupos que fazem contribuições de campanha) é condenável ou simplesmente faz parte da nossa prática política? Um pequeno indício, no Moral Hazard (via degustibus), mostra que nossa prática política está longe de ser eticamente aceitável.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Febeapá: Com a Palavra, o Presidente da Capes

Do artigo "Primitivismo Contumaz", de Marcelo de Paiva Abreu:

Em entrevista ao jornal O Globo em 24/11, o presidente da Capes, Jorge Guimarães, perpetrou o seguinte comentário: "Neste quadro que estamos vivendo hoje, a pergunta em relação à formação de estudantes na área de economia é se nós vamos continuar a mandar alunos para formar doutores num modelo que faliu o mundo? Nós temos de perguntar a nossa área de economia o que eles vão nos dizer agora. Nós vamos mandar fazer onde? Vai ser no mesmo modelo? Esse modelo se mostrou totalmente anticientífico, para dizer o mínimo."

O mais preocupante é que o autor é reincidente quando se trata de comentários ineptos ou inconvenientes a respeito da pós-graduação na área de economia. Em visita à PUC-RJ, em maio de 2005, permitiu-se, diante de dezenas de professores, censura sem pé nem cabeça à área de economia como um todo. Segundo afirmou na ocasião, nenhuma outra área teria feito tão mal ao País, porque dela se originaram os responsáveis por cortes orçamentários que afetaram a área de ciência e tecnologia, incluindo a pós-graduação.

O que é mais preocupante não é a quantidade de besteiras que certas autoridades de governo são capazes de proferir. É o fato de que sua ascensão profissional parece depender disso.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Conseguirá o Brasil Evitar Sua Argentinização?

Para Sebastian Edwards, o mundo conseguiu evitar a "argentinização" ao longo da crise financeira. A Argentina, ao contrário, continua "argentinizando". Conseguirá o Brasil escapar desta maldição?

"But the most important question is what will happen in Brazil, Latin America’s giant. Over the past few years, analysts and investors around the world began to see Brazil as an economic power in the making. There was mention of a miracle, and many argued that Brazil would grow spectacularly like China and India, and no longer be the eternal country of “the future.” Unfortunately, everything suggests that this was an illusion based on wishful thinking.

Brazil’s boom of the past few years stood on an incredibly weak foundation. President Luiz Inácio Lula da Silva did indeed decide to avoid the rampant populism of Hugo Chávez of Venezuela, and successfully tackled inflation. But it takes more than that to become a great economic power.

What Lula did was simply to decide that Brazil would be a “normal” country. But more than controlled inflation is needed to create a robust economy with a high and sustainable growth rate. Agility, dynamism, productivity, and economic policies that promote efficiency and enterprise are required.

As many studies have shown, Brazil has not been able – or has not wanted – to adopt the modernizing reforms needed to promote a productivity boom. Brazil is still an enormously bureaucratic country, with an educational system in crisis, very high taxes, mediocre infrastructure, impediments to the creation of businesses, and a high level of corruption.

It is sad but true: in recent years Brazil did not opt for modernization and efficiency and will have to pay the consequences during the difficult years ahead".

Mr. Bernanke Explica Coordenação de Políticas de Bancos Centrais

Com o colapso dos mercados monetários internacionais, ação coordenada de BC's se fez necessária e o mecanismo utilizado é o de swaps cambiais (currency swaps). Mr. Benanke explica, em recente palestra no Banco Central Europeu:

"The emergence of dollar funding shortages around the globe has required a more internationally coordinated approach among central banks to the lender-of-last-resort function. The principal tool we have used is the currency swap line, which allows each collaborating central bank to draw down balances denominated in its foreign partner’s currency. The Federal Reserve has now established temporary swap lines with more than a dozen other central banks (The central banks include those in Australia, Brazil, Canada, Denmark, the euro area, Korea, Japan, New Zealand, Mexico, Norway, Singapore, Sweden, Switzerland, and the United Kingdom). Many of these central banks have drawn on these lines and, using a variety of methods and facilities, have allocated these funds to meet the needs of institutions within their borders."

Perry Mehring, da Columbia University, explica a economia destes swaps.

domingo, 16 de novembro de 2008

O Que Keynes Diria Sobre a Crise de 2008?

Ninguém sabe. Mas a citação abaixo mostra que ele era bem menos ingênuo que muitos de seus seguidores:

A sound banker, alas! Is not one who foresees danger and avoids it, but one who, when he is ruined, is ruined in a conventional and orthodox way along with his fellows, so that no one can really blame him.
John Maynard Keynes, “The Consequences to the Banks
of the Collapse in Money Values,” 1931

Crise Financeira: Desregulação ou Falha Regulatória?

Para Charles Calomiris, o argumento de desregulação não passa de um mito. Usando o caso da regra de capital da Securities Exchange Commission (SEC), ele conclui:

As for the SEC, if commissioners took on a massive burden in 2004 without realizing they had signed up to safeguard the world's financial system, then they overreached. But they certainly did not "deregulate."

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Bob Geldof Sobre a Crise





Cortesia de Martin Wolf e Dani Rodrik.

Muito Além do Jardim: O Papa é Meu Conselheiro Financeiro

Mr. da Silva, sobre seu encontro com Sua Santidade: "Eu pedi ao Papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois, se todo o domingo o papa der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema".

Sugestão para Mr. Paulson e Mr. Bernanke: acordem mais cedo no domingo e ouçam o conselhozinho. O mundo precisa!

It's a Mess!

Passadas seis semanas da aprovação do pacote de resgate de US$700 bilhões do Tesouro americano, Mr. Paulson, Secretário do Tesouro americano, já comprometeu US$290 bi. Entretanto, nada ainda foi feito em relação à supervisão independente para evitar fraude e desperdício de dinheiro público. Como disse Mr. Eric Thorson, inspetor geral do Tesouro:

"I don't think anyone understands right now how we're going to do proper oversight of this thing."

Adicionalmente, Mr. Paulson anunciou que o governo está abandonando a estratégia de resgate do sistema financeiro e "analisando" a possibilidade de modificar os esquemas de empréstimos a bancos, pois os mesmos não estão reestabelecendo crédito aos consumidores.

Ummm.....

Se a atual crise financeira foi causada por falha de supervisão na tomada de risco (lembre que as agências de risco atribuíram grau AAA para MBS's), como acreditar que a salvação se encontra em um governo que parece não ter a menor idéia do que está fazendo? Como ficam agora as interpretações de "falha de mercado" e as soluções "keynesianas", de gastar o dinheiro público, quando falhas de regulação e agora falhas de governo são cada vez mais evidentes?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Chegou a Hora de Comprar Ações?

Para John Cochrane, prof. de finanças da Universidade de Chicago, possivelmente sim. A evidência histórica mostra que quando a relação dividendos/preço está alta, o retorno nos próximos sete anos também está. Como dividendos são mais estáveis do que preços, isto sugere que preços de ações não seguem um random walk, coisa que ambos behavioristas e proponentes de mercados eficientes sabem. Como o índice S&P 500 já caiu 34% este ano, talvez tenha chegado o momento de comprar. O argumento completo está aqui.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sobre Galinhas Tupiniquins, Crise Financeira e Neoliberalismo

Galinhas são aves abundantes e pouco interessantes. Todo mundo já viu uma e sabe como elas são, mas poucos reconhecem as de uma variedade implume, que habitam a América do Sul e, a despeito de serem muito maiores que as galinhas normais e estarem entre nós, não passam de galinhas.

Em decorrência da evolução das espécies, os antepassados das aves são os dinossauros. Algumas espécies evoluíram para aves predadoras, como a águia; outras evoluíram para presas, como as galinhas. Uma das características mais marcantes que diferencia as presas dos predadores é a posição dos olhos: enquanto os predadores têm os olhos voltados para frente para identificar e focar seus alvos, as presas têm seus olhos postados lateralmente, para ampliar ao máximo sua amplitude visual e detectar mais facilmente a presença de perigo. Assim como as galinhas. Mas as galinhas ainda têm uma característica mais marcante: elas têm uma caixa craniana diminuta, um cérebro menor ainda e uma capacidade de entender o ambiente à sua volta idem.

A dificuldade que as galinhas têm de entender o ambiente à sua volta gera um comportamento eficiente, que permite a sobrevivência de sua espécie: elas entram facilmente em pânico. Como elas não conseguem entender o que acontece à sua volta, pequenas mudanças no ambiente lhes provocam uma sensação indescritível de pavor: uma folha de árvore caindo, uma sombra se mexendo ou mesmo a mudança do vento as faz entrar em pânico e sair correndo gritando. Este pânico é racional, pois seu cérebro diminuto as impede de distinguir rapidamente uma mudança natural do ambiente da presença de predadores. Galinhas em pânico têm uma forma eficiente de comunicação: quando uma sai correndo gritando, ao perceber a possibilidade de perigo, o melhor que as outras galinhas podem fazer é sair correndo gritando também. Além de avisar todas as outras, esta estratégia as torna uma refeição mais difícil para os eventuais predadores.

Vá o leitor até um galinheiro e pergunte a uma galinha quanto é dois mais dois. Diante da desfaçatez de sua presença e da complexidade de sua pergunta, todas elas entram em pânico. O mesmo ocorre com as galinhas tupiniquins que, a despeito do seu tamanho monstruoso e caixa craniana maior, ainda retêm a enorme dificuldade de interpretar o mundo à sua volta. Para a galinha tupiniquim, toda e qualquer mudança no ambiente é considerada como um sinal de perigo ao seu modus vivendi, embora algumas delas consigam, mesmo que lentamente, aprender a decodificar o ambiente. Poucos anos atrás, as galinhas tupiniquins saiam correndo e gritando “globalização, globalização”, para avisar as outras que também entravam em pânico. Como o bicho papão da globalização não se revelou o grande predador esperado e, pelo contrário, promoveu melhorias na qualidade de vida, inclusive das galinhas tupiniquins, várias delas aprenderam a lição e não mais se assustam com isso.

Agora, com a crise financeira de 2008, as galinhas tupiniquins estão novamente em pânico. Sem entender o que está acontecendo, elas estão divididas em vários grupos, todas correndo, mas gritando coisas diferentes. Tem o grupo das galinhas messiânicas que, em pânico, gritam os nomes de seus profetas: “Marx voltou” ou ainda “Keynes ressuscitou”, como se invocar os nomes dos profetas as protegesse dos perigos do mundo, assim como o crucifixo confere proteção contra os vampiros. Algumas galinhas messiânicas, acreditando em um processo Srafiano de “produção de bobagens por meio de bobagens”, ensinam às neófitas a importância de Marx para entender a crise, pois o profeta teria compreendido, com um século de antecedência, os perigos que a securitização e os derivativos representam. Outro grupo de galinhas tupiniquins, pouco dotadas de valores religiosos, ao primeiro sinal de perigo sai correndo e gritando: “O Estado vai nos salvar”, acreditando que as raposas – supostamente de boa índole - encasteladas no “Estado” não lhes farão mal algum. Um terceiro grupo corre e grita “é o mercado de novo”, pois acreditam na existência de um ser mítico que habita seus pesadelos: ele tem uma enorme mão invisível que irá decepá-las a qualquer momento. Mas nada apavora mais as galinhas tupiniquins do que aquilo que representa a soma de todos os medos, seu pior pesadelo. Quando as galinhas tupiniquins saem correndo e gritando “neoliberalismo”, elas estão à beira de um ataque cardíaco.

Um Bom Conselho ao Presidente Obama

O conselho é do Greg Mankiw.

Greg Mankiw's Blog: Memo to the POTUS-elect

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Muito Além do Jardim: "Mercado é um Ovo Sem Gema"

Para Mr. da Silva, "o mercado é um ovo sem gema e quem corre para socorrer o sistema financeiro é o Estado". Antes ou depois de revelar que gostaria de tomar banho de petróleo, mas que para tal era necessário "tirar algumas substâncias químicas", o Presidente, em visita à capital de Cuba, disse que "o capitalismo, ao invés de ajudar o sistema produtivo, ao criar emprego, renda e melhorar a qualidade de vida, fez com que o sistema (financeiro) ganhasse muito dinheiro sem produzir um único botão". Genial. Sensacional. Grande lição para aqueles que acreditam que o capitalismo é capaz de gerar prosperidade e que a função de intermediários financeiros é conectar poupadores e investidores.

A reportagem completa saiu hoje no Globo on-line. Imperdível.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Soluções de Mercado para a Crise

Mercados tendem a funcionar bem quando i) existe um bom fluxo de informação, ii) direitos de propriedade são bem definidos e seguros, iii) pode-se confiar que as pessoas irão cumprir suas promessas e iv) custos de transação são razoavelmente baixos. Como a crise financeira americana começou no mercado de crédito imobiliário, sua solução deve contemplar o aprimoramento do funcionamento deste mercado.

Finalmente começam a aparecer mais propostas para melhorar seu funcionamento: Andrew Caplin e John Quigley. Nada como pensar em incentivos e redução de custos de transação. O plano B do Zingales já citei em post anterior.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Direito e Economia: Empatia é Justiça?

Para o candidato à Presidência dos EUA, Sen. Barak Obama, sim. Para o Prof. Guido Calabresi, um dos precursores da área de Law & Economics, não. Usar o critério de empatia para promoção de "justiça" mina a contribuição civilizatória do Estado de Direito, que diz que não é seu sobrenome, sua classe social nem sua origem étnica que são as fontes dos direitos que alguém tem.

Se o Sen. Obama, ao ganhar as eleições presidenciais, for indicar juízes às Cortes americanas com a sua visão jurídica, boa parte do fundamento jurídico que torna a sociedade americana mais eficiente pode ruir, afirma o Prof. Calabresi.
De certa forma, o judiciário americano ficará então mais parecido com seu congênere brasileiro e suas patologias, devidamente dissecadas e analisadas pelo pessoal da Law & Economics no Brasil, em particular o IDERS.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Solução de Mercado Para a Crise Financeira

As últimas semanas da crise financeira internacional têm sido marcadas por um consenso pouco criativo: o da necessidade de salvar Wall Street com dinheiro do contribuinte. Melhor dizendo, que para salvar os empregos da gente trabalhadora de Main Street é necessário impedir as perdas dos banqueiros em Wall Street (obviamente, com o dinheiro da turma de Main). Cá entre nós, brasileiros, já vimos coisa semelhante: a base do nosso protecionismo é calcada no estranho argumento de que para melhorar a vida dos mais pobres, ou seja, promover desenvolvimento com inclusão social, é necessário proteger os ricos escolhidos pelo governo e transferir renda para eles, com subsídios diretos, proteção contra concorrência, financiamento barato, etc. Não é claro para mim que esta estratégia conseguiu algo mais do que transferir renda para os ricos e empobrecer os pobres - a famosa idéia do economista Edmar Bacha de chamar o país de Belíndia (parte Bélgica, parte Índia) na década de setenta transparece uma acurada percepção deste efeito em ação. Da mesma forma, as discussões de bailout parecem trilhar o mesmo caminho: usar o dinheiro dos muitos contribuintes para garantir a vida boa de alguns, com a devida retórica que assim se faz para proteger os primeiros.

Nada contra a função de emprestador de última instância do Banco Central, que se bem estruturada serve para evitar crises financeiras. O problema desta crise é que a famosa "Doutrina Clássica" de Bagehot não é crível: Lembrem-se que o pânico começou depois que o Lehman Brothers não foi socorrido pelo Fed, rompendo com a expectativa em Wall Street de que o banco era grande demais para quebrar ("too big to fail") e que deveria receber auxílio do Fed.

O que é mais irritante nesta crise é a baixa criatividade dos principais economistas do planeta, em não conseguir apontar uma solução que limita as perdas à sua origem. É inacreditável que não se tenha pensado em como funciona o mercado de crédito imobiliário para se entender as razões de tão grande ineficiência. Ademais, inadimplência de mutuários não é desejável nem pelos próprios nem pelos bancos. Mas obviamente existem exceções. Luigi Zingales, da Universidade de Chicago, apresenta uma elegante solução de mercado para crise. Se é suficiente, não sei, mas nos traz uma chama de esperança, pois indica que ainda existem economistas inovadores:

The United States (and possibly the world) is facing the biggest financial crisis since the Great Depression. There is a strong quest for the government to intervene to rescue us, but how? Thus far, the Treasury seems to have been following the advice of Wall Street, which consists in throwing public money at the problems. However, the cost is quickly escalating. If we do not stop, we will leave an unbearable burden of debt to our children.

Time has come for the Treasury secretary to listen to some economists. By understanding the causes of the current crisis, we can help solve it without relying on public money. Thus, I feel it is my duty as an economist to provide an alternative: a market-based solution, which does not waste public money and uses the force of the government only to speed up the restructuring. It may not be perfect, but it is a viable avenue that should be explored before acquiescing to the perceived inevitability of Paulson’s proposals.


Nobel em Economia

O Prêmio Nobel de Economia de 2008 vai para Paul Krugman, pelos seus trabalhos em comércio internacional e localização da atividade econômica. Curiosamente, em um de seus artigos mais recentes, sobre a crise financeira, ele diz que "agora somos todos brasileiros".

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Raposa Serra do Sol: Manifestação Une Indígenas e o MST

Curioso: Os indígenas não são exatamente produtivos em uma reserva de tamanho maior do que 1 km2 por habitante. Será que o Incra declarou estas terras produtivas? Como explicar essa bizarra associação do MST com a causa indígena?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Teoria das Organizações

Pensei em escrever sobre arquitetura organizacional, relação agente-principal, alocação ótima de riscos em contratos, centralização vs. decentralização e porque empresas socialistas são ineficientes. Mas tudo isto é apenas teoria e muito chato, sendo que um pequeno vídeo pode ser muito mais informativo e convincente. Veja então como era feito o controle de qualidade no mais eficiente dos países socialistas, a Alemanha Oriental.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Conflito entre Cultura e a Regra da Lei na Argentina

Intrigante e divertido vídeo. A fonte é o blog Marginal Revolution, com contribuições de Tyler Cowen, renomado economista da cultura.

Pesquisa Aponta que Cientistas que Bebem Cerveja Publicam Menos

Ou será que a causalidade é reversa e cientistas que não conseguem publicar tanto bebem mais cerveja?

Definição e Proteção de Direitos de Propriedade pelo Talibã

Quando o governo não define e protege direitos de propriedade, partes privadas podem fazê-lo para escapar da tragédia dos comuns. Mesmo que sejam a Máfia, os traficantes do Rio ou ainda o Talibã.

No noroeste do Paquistão, disputas tribais sobre minas de mármore não foram capazes de definir direitos de propriedade, coisa que nem mesmo o governo paquistanês conseguiu. Quem resolveu os conflitos relacionados foi o Talibã, alocando direitos de propriedade às tribos. Não sem cobrar um preço, é claro.

Cubanos Também São Seres Humanos

Seres humanos reagem a incentivos, diz a teoria econômica. Árdua lição que autoridades de governo em Cuba começam a aprender.

O diário financeiro britânico Financial Times traz, na edição desta terça-feira, 19, uma reportagem que diz que, após quase 50 anos, Cuba deve começar a reduzir os generosos benefícios de seu sistema de Bem-Estar Social. Em uma entrevista exclusiva ao jornal, o chefe do departamento de análise de macroeconomia do Ministério da Economia cubano, Alfredo Jam, disse que os cubanos têm sido "protegidos demais" por um sistema que subsidia os custos com alimentação, limita os ganhos e diminui a força de trabalho em setores industriais chaves para a economia.

"Nós não podemos dar às pessoas tanta segurança em relação às suas rendas que afete sua disposição para o trabalho", disse ele ao FT. "Nós podemos proporcionar igualdade no acesso à educação e à saúde, mas não igualdade de renda".

Isto me faz lembrar um comentário de um biólogo sobre o socialismo: "Nice theory, wrong species".

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

It's Only Rock and Roll (But I Like it)


MixwitMixwit make a mixtapeMixwit mixtapes

A Disputa pela Raposa Serra do Sol

Bom artigo sobre a reserva Raposa Serra do Sol. Uma região de conflitos institucionalmente incentivados, pois trata-se de extensa área de terras com baixa densidade populacional. Independentemente de como se determinam direitos de propriedade, diz o Teorema de Coase, se custos de transação forem suficientemente baixos, barganha privada leva à solução ótima. Assim sendo, o governo deveria patrocinar o entendimento de indígenas e rizicultores (em terras indígenas, os rizicultores poderiam pagar uma indenização pelo uso da terra, cujo valor seria negociado), em vez de estimular o confronto.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A História Soviética

Como diria Hayek, este filme é "dedicado aos socialistas de todos os partidos". Antes de vestir sua camiseta do Che Guevara, se enrolar na bandeira do seu partido e botar o bottom da estrela vermelha no peito, assista a este filme. E não deixe de ler os livros de Richard Pipes, apenas para ter uma pequena idéia com quem você está flertando. Este pequeno artigo sobre Soljenítsin também vale a pena.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Holodomor

Holodomor em ucraniano quer dizer "morte por inanição". Evento pouco conhecido por aqui, diz respeito às políticas de genocídio de Stalin na Ucrânia, entre 1932 e 1933, onde se estima que algo entre sete a dez milhões de ucranianos foram mortos por inanição. O filme abaixo discorre sobre o ocorrido. Embora possa ser interpretado como um manifesto anti-estalinista (que, por si só é suficiente para irritar os simpatizantes tupiniquins), trata de um fato que libertários não cansam de alertar: Propriedade privada é o último refúgio do indivíduo contra abusos do governo. Holodomor só foi possível, como mostra o filme, com violação de propriedade privada. Não que eu acredite que tal tragédia possa voltar a ocorrer, pelo menos no futuro previsível, mas aqui cabe o alerta de que cada pequeno passo que damos enfraquecendo a instituição de propriedade privada é um passo em direção à privação e à opressão.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

E-book Sobre a Lei Seca

Finalmente saiu um novo e perturbador e-book. Iniciativa de Cláudio Shikida, tem como foco os impactos da Lei Seca, com vários autores de blogs que têm firme compromisso com o princípio de liberdade individual. A grande diversidade de análises e opiniões estimula o leitor a pensar e analisar criticamente decisões importantes que afetam nossas vidas. Profundo e perturbador, é capaz de absorver totalmente a atenção do leitor. Para evitar acidentes, não dirija depois de ler. Mas não proíba sua leitura por aumentar o risco de acidentes.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Este Maravilhoso Estado-Babá

Época de eleições, época de promessas. Uma das melhores em Porto Alegre é a do "transporte para facilitar a vida de quem está proibido por lei de dirigir depois de beber seu chopinho." Nada como ter o governo tomando conta da gente, para impedir que façamos algo de errado!

Mas aí meu viés libertário começa a emitir um sinal de alerta: se não pudermos tomar nossas próprias decisões, como vamos aprender o que é certo e errado, o que funciona e o que não? Como vamos desenvolver algum senso de responsabilidade? Suprimir a nossa capacidade de tomar decisões não apenas reduz nossa capacidade de auto-determinação e mina nossa liberdade individual, ela nos deixa a mercê da vontade (política) de outros para a determinação dos rumos de nossa existência.

Aqui cabe uma citação de Alexis de Tocqueville:

“Após ter agarrado cada membro da comunidade e tê-los moldado conforme a sua vontade, o poder supremo estende seus braços por sobre toda comunidade. Ele cobre a superfície da sociedade com uma teia de normas complicadas, diminutas e uniformes, através das quais as mentes mais brilhantes e as personalidades mais fortes não podem penetrar, para sobressaírem no meio da multidão. A vontade do homem não é destruída, mas amolecida, dobrada e guiada; os homens raramente são forçados a agir, mas constantemente impedidos de atuar; tal poder não destrói, mas previne a existência; ela não tiraniza, mas comprime, enerva, ofusca e estupefaz um povo, até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”.


Será isto o que desejamos?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Taxman




TAXMAN
The Beatles
George Harrison - 1966

1,2,3,4,1,2

Let me tell you how it will be,
There’s one for you, nineteen for me,
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
Should five per cent appear too small,
Be thankful I don’t take it all.
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah yeah, I’m the Taxman.

(If you drive a car car), I’ll tax the street,
(If you try to sit sit), I’ll tax your seat,
(If you get too cold cold), I’ll tax the heat,
(If you take a walk walk), I’ll tax your feet.
Taxman.

‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
Don’t ask me what I want it for
(Ah Ah! Mister Wilson!)
If you don’t want to pay some more
(Ah Ah! Mister Heath!),
‘Cos I’m the Taxman,
Yeeeah, I’m the Taxman.

Now my advice for those who die, (Taxman!)
Declare the pennies on your eyes, (Taxman!)
‘Cos I’m the Taxman,
Yeah, I’m the Taxman.
And you’re working for no-one but me,
(Taxman).

Sobre a Lei Seca

Bons comentários do Cristiano sobre a Lei Seca, aqui. Pode-se acompanhar interessante discussão também por aqui.
Com certeza, a aplicação da Lei Seca tem trazido alguns benefícios importantes, como a redução do número de acidentes e fatalidades nas estradas. Mas esses benefícios podem estar mais fortemente associados a maior fiscalização do que à redução do limite tolerável per si.

O problema econômico que motiva a Lei seca aqui é o de redução de externalidades, que nesse caso consiste em provocar dano a propriedade (incluindo o corpo e a vida) de terceiros, sem seu consentimento. Mas a que custos? Em primeiro lugar, mesmo coisas boas podem ser feitas em excesso, isto é, além do ponto eficiente (além do ponto onde custos marginais são iguais aos benefícios marginais). Vale a pena, então, ponderar os custos, para uma avaliação mais precisa.

Primeiro o efeito substituição. Criminalizar, na prática, o consumo de álcool, pode induzir um subconjunto de motoristas a substituir a cerveja por outras drogas mais pesadas, de efeito mais devastador, justamente porque seu consumo não é crime (o tráfico é). Depois tem o efeito corrupção. É conhecida a prática de certos policiais, em certas cidades do país, de fazerem blitz para extorquir o pobre sujeito que está com o IPVA atrasado, sem o lacre da placa traseira, etc. Seu poder de barganha vai, com certeza aumentar, em particular quando a prática de abordagem começar a ficar mais arbitrária.

O problema aqui também diz respeito a punitive damages, conforme a tradição de Law and Economics. Existem situações onde é mais eficiente a proibição (property rights) do que a compensação (liability rule). Exemplo: É mais barato proibí-lo de roubar o meu carro do que permitir fazê-lo e exigir que eu seja compensado. Mas existem também situações onde compensação não é possível (como em caso de óbito), então nesse caso o objetivo da Lei pode ser o de limitar o comportamento indesejável e reduzir assim os danos provocados.

A eficácia de uma lei em reduzir comportamento indesejável depende não somente da probabilidade de detecção do comportamento e da intensidade da pena a cumprir, mas também da racionalidade decisória dos agentes. Alta probabilidade de detecção e de cumprimento de pena limitam o comportamento de pessoas racionais e reduzem portanto, a externalidade. Mas e quando o comportamento não é plenamente racional? Tome, por exemplo, o conhecido fenômeno "Saturday Night Fever", quando jovens têm um comportamento emocional, onde não consideram apropriadamente a segurança dos outros, onde existe uma elevada propensão a tomada de risco e elevado desconto intertemporal. Nesse caso, pode ser que a estratégia ótima não seja a sugerida por Gary Becker (elevada pena e baixa probabilidade de detecção), mas simplesmente o inverso (pena baixa e elevada probabilidade de detecção), conforme sugerido por Robert Cooter.

Voltando das Férias

De volta à realidade. Impostos. Mais impostos. Reuniões. Contas a pagar. Com a greve dos correios, e antes a da Receita Federal, meus livros ainda não chegaram. Mas já tive que pagar o cartão de crédito. IR atrasado. Me esqueci de pagar a fatura do supermercado, e, depois de décadas andando na linha, pagando contas em dia, acho que vou perder todo o meu crédito. Serasa e SPC. Multa. Mais impostos. E a maldita Lei Seca.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Preços do Petróleo, Dólar Fraco e a Possibilidade de Guerra no Irã

É sabido, entre especialistas em finanças, que existe uma relação inversa entre preço de ativos e taxa de juros. A baixa taxa de juros nos EUA não apenas levou a um aumento dos preços de ativos (vide a crise no mercado hipotecário norte-americano) como também ajudou a desvalorizar o dólar. Ocorre que tanto o petróleo quanto certas commodities têm qualidades de ativos, pois podem ser estocados para uso futuro. Mas o preço corrente de ativos também é determinado pelo seu retorno futuro e isto significa que, no caso do petróleo, o mercado pode estar prevendo uma maior escassez relativa futura. Ao contrário da segunda Guerra do Golfo, quando George W. Bush invadiu o Iraque em retaliação ao ataque às torres do World Trade Center e não houve movimento significativo dos preços do petróleo (ou seja, a previsão do mercado - diga-se ofertantes e demandantes de petróleo, aqueles agentes que têm conhecimento específico das condições de mercado - não previu um rompimento naquela data) é possível que os participantes de mercado, via preços, estejam sinalizando que a crise do Irã é mais séria do que as manchetes de jornal e declarações oficiais pemitam perceber. Em outras palavras, o problema não é apenas o dólar fraco, pois uma valorização cambial no Oriente Médio poderia sanar o problema. Quem arrisca um palpite (e apostar seu dinheirinho nisto)?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Que Cientistas Políticos não Vêem Que Economistas Vêem?

Último sábado assisti um programa de debates (Painel, Globo News), onde um dos debatedores era um renomado cientista político brasileiro. Me chamou a atenção um comentário que revela quão diferentes são as percepções da realidade, entre as profissões de ciência política (tradicional) e economia (convencional). O renomado debatedor argumentou, entre outras coisas, que aos Estados Unidos interessam acordos de livre comércio pois são mais competitivos em tudo, sugerindo que não era portanto da conveniência da América Latina buscar tais acordos. Aqui é que reside a divergência dessa forma de pensar com o conhecimento convencional de economia.

São dois, na verdade, os pontos de discordância. Traduzindo para a linguagem de economia, o nobre cientista político consegue enxergar vantagens absolutas mas não vantagens comparativas, coisa que, desde David Ricardo até os livros texto de introdução à economia, faz parte do arsenal explicativo dos economistas. Adicionalmente, o ilustre cientista político parece professar a idéia de que relações internacionais são um jogo de soma zero, onde os ganhos de um lado são as perdas do outro. Economistas, ao contrário, vêem comércio internacional (ou qualquer outra troca voluntária, com direitos de propriedade bem definidos) como um jogo cooperativo de soma positiva.

Essas diferentes percepções são significativas e motivam políticas praticamente antagônicas. O fato é que duas coisas conspiram contra a ciência política tradicional, pelo menos neste caso: evidências empíricas são favoráveis à interpretação de economia e, em decorrência disso, o método de economia de escolha racional está invadindo bons departamentos de ciência política mundo afora. Em outras palavras, ciência política está cada vez mais parecida com economia convencional. Pena que profissionais influentes permaneçam imunes à esta mudança de paradigma, pois, caso contrário, a qualidade de nossas discussões e políticas poderia sofrer um ganho substancial.

Economia Monetária e Economia Política

Duas boas dicas de leitura do De Gustibus: Economia Monetária com Affonso Celso Pastore e Economia Política com Marcelo de Paiva Abreu.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Porque a Esquerda Deve Adotar o Liberalismo

O importante economista italiano Alberto Alesina explica: "Anti-reformistas na Europa dizem estar protegendo os fracos e os pobres. Nada poderia estar mais longe da verdade. Flexibilização do mercado de trabalho, desregulação da indústria de serviços, reformas na seguridade social e maior competição na alocação de recursos às universidades pode prejudicar os interesses dos cidadãos privilegiados e bem-conectados, mas abre oportunidades para os jovens europeus e os grupos em desvantagem. Uma agenda verdadeiramente de esquerda abraçaria reformas."

O argumento completo está aqui.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"A Amazônia é Nossa!" ou "Dormindo com o Inimigo"

Para Mr. da Silva, "o Brasil mais que todos os outros países, dá um exemplo de preservação para o mundo", a despeito das evidências contrárias. Para seu ministro do meio ambiente, Mr. Minc, além de prender os bois ilegais "temos de rezar, orar, porque queremos que o desmate caia." Nada como um pouco de fé para que as políticas surtam os efeitos desejados!

Por outro lado, a paranóia da invasão da Amazônia por estrangeiros voltou à cena. Felizmente, ergueu-se aqui uma voz sensata. Temos que rezar, orar, para que essa voz seja ouvida!

Relatório da CGD sobre Crescimento: Repercussões

No meu post anterior mencionei o report da CGD (Comission on Growth and Development). Os blogs do Dani Rodrik e do Martin Wolf discutem o diagnóstico e conclusões do referido report, além de comentarem as críticas do economista William Easterly. Apesar das discordâncias, cujo epicentro é a ênfase que Easterly dá à importância de liberdade econômica e política e a ênfase que o relatório e Wolf dão à importância do Estado engajado no desenvolvimento, me parece que eles dizem a mesma coisa: Afinal de contas, a despeito de o relatório sugerir a possibilidade de diferentes estratégias de desenvolvimento (que, diga-se de passagem, tem sido o principal argumento de Rodrik, aqui e aqui) para sobrepujar as diferentes restrições locais ao desenvolvimento, não seria o Estado engajado aquele que promove liberdade econômica e política? Nesse sentido, eu tenho que concordar com Bill Easterly: O Relatório não progride muito na questão de como conseguir tal Estado engajado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre Crescimento Econômico

The Commission on Growth and Development (CGD) tem Michael Spence, prêmio Nobel em Economia, como seu presidente e Danny Leipziger, vice presidente do Banco Mundial, como vice. A CGD publicou (em 21/05/08) um relatório que procura indicar um conjunto de políticas capazes de colocar países em desenvolvimento em uma trajetória de desenvolvimento rápido e sustentável. Segundo a CGD, mercados competitivos, adesão a mercados globais, liderança, persistência e pragmatismo são indispensáveis para tal, independentemente das peculiaridades de cada país. Entretanto, essas peculiaridades chamam estratégias distintas de desenvolvimento. Para quem está preocupado com os rumos do país, vale a pena dar uma olhada.

O Dólar Não é Sorvete e Não Derrete!

Uma entrevista com um dos maiores economistas brasileiros: Affonso Celso Pastore.

domingo, 1 de junho de 2008

Deputados Criminosos: Seleção Adversa ou Risco Moral?

Segundo esta notícia aqui, quase a metade dos deputados da Assembléia do RJ já foi denunciada por diversas acusações - estelionato, improbidade e até formação de quadrilha e homicídio. Este caso é um bom exemplo de livro texto de economia dos problemas causados por informação assimétrica - seleção adversa e risco moral.

Informação assimétrica existe no caso pois o eleitor típico é racionalmente ignorante: como sabe que seu voto não decide a eleição (ou seja, o benefício esperado de qualquer decisão é praticamente zero) e ele entende que se informar melhor a respeito das qualidades dos candidatos e de suas propostas lhe é custoso em termos de tempo dispendido e dinheiro, ele decide votar sem adquirir boa informação. Adicionalmente, depois da eleição, o eleitor típico não consegue exercer influência sobre as decisões do político eleito nem tampouco fica bem informado a respeito das posições e projetos apresentados por ele. Como o político (tanto candidato quanto eleito) conhece melhor suas aspirações, qualidades morais e os grupos de interesse a quem ele serve, está estabelecido o palco para a criação dos problemas de seleção adversa e risco moral.

Seleção adversa é o problema de informação assimétrica originado aqui antes da eleição. Sabendo dos benefícios de ser eleito (legais e ilegais, morais e imorais), do pouco controle da sociedade sobre seus atos e da tal da imunidade parlamentar, o pleito atrai candidatos que já não têm as melhores das intenções. Adicionalmente, após a eleição, ocorre o problema de risco moral. Mesmo aqueles dotados de boas intenções, acabam tendo bons incentivos para trocar seus propósitos iniciais pelas oportunidades que o sistema político oferece. O resultado final é a proliferação, no mundo político, de estelionatários, fraudadores, corruptos, homicidas e narco-traficantes, com o apoio da população.

Lord Acton, quando proferiu sua famosa frase "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe de forma absoluta" tinha uma compreensão muito sofisticada de como a estrutura de incentivos do mundo político influencia as decisões das pessoas. Da mesma forma, um dos grandes economistas do passado, Frank Knight, chegou à conclusão semelhante, comentando sobre regimes totalitários, onde a concentração de poder é máxima: "...(as autoridades)teriam que fazer essas coisas, querendo ou não; e as probabilidades de ser o poder exercido por homens que detestem a posse e o exercício do poder são tantas quanto as probabilidades de uma pessoa extremamente meiga e sensível obter o lugar de feitor de escravos numa plantação."

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Cotas: Um Non Sequitur de Ótimo Nível!

Segundo este artigo aqui, o ministro da educação considerou o debate sobre cotas de ótimo nível. Para o Parlamento, com certeza foi.

Segundo o mesmo artigo, o coordenador nacional da Rede Educação e Cidadania para afro-descendente e carentes (Educafro), Thiago Tobias, garantiu que a destinação de 50% das vagas para as escolas públicas é consenso nos movimentos sociais.

"O núcleo duro do Brasil, os poderosos, são contrários às cotas porque sabe que elas vão dar conhecimento ao povo. O país está desperdiçando talentos. Este talento são os negros, os indígenas, os pobres. No futebol somos heterogêneos e somos os melhores. Por que não podemos ser os primeiros na Educação?"

Non sequitur de ótimo nível! Para não desperdiçar talentos e sermos os primeiros na Educação, não seria muito mais eficaz melhorar os cursos fundamental e médio das escolas estatais?

Falando em Pork....

Pork Barrel Politics se refere a projetos do governo que beneficiam um determinado grupo de interesses (de uma região geográfica ou de um setor de atividade) e que aumentam o apoio aos políticos que os criaram, na forma de maiores contribuições de campanha ou votos. Pork faz parte do esquema político de transferência de renda para grupos organizados da sociedade conhecido como rent-seeking e tem como efeito principal enriquecer alguns e empobrecer a sociedade.

Subsídios agrícolas nos EUA fazem parte desse esquema. Lá, subsídios à agricultura beneficiam algumas das maiores corporações americanas e alguns dos cidadãos mais ricos às custas dos pagadores de impostos e de quem paga um preço mais elevado pela comida. A piadinha americana "sabe como matar um fazendeiro de fome? é só trancar sua caixa do correio e ele não conseguirá pegar o cheque do governo" tem um bom fundo de verdade.

Será o Brasil diferente e pork só existe lá? Ou quem sabe poderíamos nos beneficiar da criação de uma associação como Citizens Against Government Waste, que vigia os gastos e projetos do governo?

domingo, 25 de maio de 2008

Os donos da Amazônia

Em declaração recente, Mr. da Silva, o Presidente, disse que a Amazônia tem dono. Será? O dono de um recurso de valor cuida, usa, conserva, preserva e exclui terceiros do seu uso. Ah, mas aí a propriedade é privada. Não parece ser isso que o Presidente tem em mente, quando diz que os donos são os seringueiros e pescadores. Eu adicionaria à lista do Presidente grileiros, madeireiros e garimpeiros. Todos eles brasileiros, como quer o Presidente. Alguém se habilita a explicar a ele o que é a tragédia dos comuns e como evitá-la?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um Círculo Vicioso: Esquerda e Corrupção

Países menos desenvolvidos têm retórica predominantemente anti-capitalista de esquerda e também são mais corruptos. Para quem acha que o rico capitalista corrompe o pobre funcionário público, a solução é votar contra o capitalismo e a favor de partidos de esquerda "éticos", que irão aumentar o controle do Estado sobre a sociedade. O problema é que isso gera mais corrupção, mais sentimento anti-capitalista, maior apoio à ideologia de esquerda, governos maiores e mais corrupção. Um círculo vicioso e tanto! Os autores desse argumento interessante são os economistas Rafael Di Tella e Robert MacCulloch.

Será o caso do Brasil? "Nunca antes na história desse país" houve tantos casos de corrupção por ano, o partido no governo é de esquerda, a retórica predominante é anti-capitalista, Mr. da Silva não sabe de nada, não vê nada e não ouve nada, o tamanho do governo cresce e com ele a corrupção. Ou seria simplesmente o caso da "zelite" comprar o apoio de eleitores distribuindo privilégios? As palavrinhas rent-seeking e pork-barrel politics me vem logo à cabeça.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Economia Política dos Caranguejos no Balde

Um dos maiores mistérios em economia é o fato de que o crescimento econômico não é algo fácil de ser obtido em boa parte das sociedades ao longo do tempo. Para crescer, em termos de aumentos na renda per capita, uma economia precisa acumular capital, inovar tecnologicamente e educar melhor sua população. Ocorre que essas ações dependem da estrutura de incentivos da sociedade, que são as regras do jogo de convivência social ou, em outras palavras, o seu arcabouço institucional. Para exemplificar, imagine uma sociedade caracterizada por dois tipos de atividades: pesca e pirataria. Pescadores aumentam o produto, piratas redistribuem o produto. O arcabouço institucional é decisivo para o crescimento econômico dessa sociedade: Se a pesca for uma fonte de riqueza pessoal e pirataria for coibida, existirão então os incentivos apropriados para inovar e escolher melhores tecnologias de pesca, para acumular capital e desenvolver conhecimento específico na arte da pesca. Por outro lado, se pirataria for a fonte de enriquecimento pessoal, mais pessoas devotarão esforços nessa atividade, os melhores talentos desenvolverão suas aptidões no execício de pirataria e haverá menos pescadores e peixe.

A questão é que se o arcabouço institucional da sociedade privilegia atividades de pirataria (o termo economicamente correto é rent-seeking), que é detrimental para crescimento, por que não se consegue se livrar desse arcabouço? Em outras palavras, por que más instituições persistem? Não estaria tudo resolvido se pudessemos fazer um transplante institucional, de sociedades prósperas para as mais atrasadas e assim garantir uma nova trajetória em direção à prosperidade?

O problema é que não apenas o transplante institucional não é possível de ser completo, pois instituições informais (regras de comportamento oriundas do sistema de valores e cultura das sociedades) não são passíveis de transplante, da forma como se acredita ser as instituições formais (muito das reformas econômicas que países sofrem, como por exemplo desregulação, abertura econômica, etc. dizem respeito a mudanças nas instituições formais da sociedade). Sem mudanças nos valores, crenças e cultura, um novo conjunto de instituições formais em país certamente não levará ao mesmo resultado econômico de países que já o adotam.

Pode ser o caso também que, mesmo que um conjunto de reformas leve a uma nova trajetória mais desejável de crescimento, a maioria decide não implementá-lo. Um motivo geralmente apontado diz respeito à incerteza dos benefícios futuros esperados, quando comparados ao custo concentrado no curto prazo das reformas. Se se acredita que as reformas podem ser revertidas no futuro por uma coalisão política hostil, talvez não valha a pena nem iniciar o processo de reformas.

Uma outra possibilidade diz respeito à metáfora da situação dos caranguejos no balde, onde quando um deles está quase escapando do balde, ele é puxado novamente para dentro pelos outros tentando escapar. Esse é o interessante argumento de Raghuran Rajan (ver aqui ou, para quem gosta de argumentos mais técnicos, ver aqui). O argumento é o seguinte: subdesenvolvimento pode persistir mesmo em países democráticos e independe, portanto, do poder coercitivo das elites para extrair renda do resto da sociedade e manter o status quo.

Imagine uma sociedade dividida em três grupos: a "zelite" monopolista, trabalhadores qualificados e trabalhadores sem qualificação. Para o país se desenvolver e entrar em uma nova trajetória de crescimento, duas reformas são fundamentais: abertura econômica e melhoria no sistema educacional (promovendo acesso à educação de qualidade a pessoas pobres de baixa qualificação). Qualquer reforma, para ser implementada, depende do apoio de pelo menos dois grupos. Aos trabalhadores sem qualificação certamente interessa a reforma educacional, enquanto que aos trabalhadores qualificados interessa a abretura econômica, pois aumenta a demanda por trabalho qualificado e lhes permite também acesso a crédito mais barato via sistema financeiro internacional. O argumento do Rajan é que não necessariamente os dois grupos conseguirão apoio para as reformas desejadas. A abertura econômica não é bem vinda pela "zelite", pois lhe retira poder de extrair renda do resto da sociedade, enquanto que para trabalhadores sem qualificação a abertura econômica pode piorar sua situação, ao encarecer preços de serviços e alimentação e ao gerar expectativas de maior desemprego por substituição tecnológica.

Por outro lado, trabalhadores qualificados não têm incentivos para apoiar uma reforma educacional, pois isto irá aumentar competição no mercado de trabalho e reduzir salário real. À "zelite", aumento de competição no mercado de trabalho e queda do salário real é conveniente, mas apoiar uma reforma educacional significa aumentar o apoio à abertura econômica pelo aumento do número de constituintes (trabalhadores qualificados) favoráveis à esta reforma. Ocorre que isto não é desejável para a "zelite" que estrategicamente retira o apoio à reforma educacional. Tal qual caranguejos no balde, nenhum grupo consegue apoio dos outros e a sociedade não escapa do subdesenvolvimento.

Será que essa explicação é adequada para entender o caso brasileiro? Se for, o trabalho de persuasão de um reduzido grupo de economistas acadêmicos, de institutos como o IL, Millenium, IDERS, Ordem Livre, etc. é fundamental para conquistar o apoio necessário a estas reformas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Investment Grade!

Agora que o país obteve avaliação de investment grade pela agência de rating Standard & Poor's, resta avaliar as conseqüências, além de celebrar o fato. Em primeiro lugar, investment grade significa que diversos fundos institucionais agora podem, legalmente, adquirir títulos de dívida do governo brasileiro (dívida soberana, em moeda estrangeira). O status de investment grade representa um selo de aprovação da comunidade financeira internacional das políticas fiscal e monetária que o país vem praticando nos últimos anos. A combinação de solidez fiscal, metas de inflação e câmbio flexível torna improvável uma forte deterioração das contas externas do país conjugada com uma crise da dívida externa soberana. O principal reflexo disso, além da euforia de curto prazo da Bolsa, é a possibilidade de aumento de demanda pelos títulos do governo com redução da taxa básica de juros. Com o aumento do nível de confiança do investidor estrangeiro, pode-se prever um maior ingresso de capitais tanto de longo quanto de curto prazo, com tendência de sobrevalorização cambial. Os efeitos sobre o nível de produto tendem a ser positivos, a despeito da tendência de sobrevalorização do câmbio, e podem ser magnificados com reduções simultâneas dos gastos públicos e da carga tributária, visando concomitantemente um aumento na poupança doméstica, uma redução das distorções provenientes do elevado nível de impostos e a indução de melhoras adicionais nas expectativas e confiança da comunidade financeira internacional.

A avaliação acima está correta ou o Brasil tem apenas aproveitado o bom momento da economia mundial nos últimos anos (e aproveitará bem também a elevação dos preços de commodities agrícolas, que tende a persistir nos próximos anos)? O atual mix de política é apropriado também em caso de eventual desaceleração da economia mundial? Terá o governo flexibilidade e inteligência suficientes para lidar com situações de crise? Enfim, quais seriam os possíveis cenários alternativos e conseqüências adicionais previsíveis?

domingo, 27 de abril de 2008

100 Intelectuais

A revista Foreign Policy publicou uma lista dos 100 intelectuais mais influentes. Economistas estão com alto prestígio, pois aparecem 15 nomes na lista. E tem ainda um brasileiro, que não é Mr. da Silva. Quem será?
Dica: Ele também é conhecido como FHC.

O Teorema de Coase e a Crise Alimentar

Com a elevação recente dos preços de alimentos no mercado mundial, iniciou-se a corrida em busca de culpados. Serão os pobres do mundo, que estão comendo mais, como disse recentemente Mr. da Silva? Será a globalização, que está aumentando a renda de centenas de milhões de pessoas e provocando uma migração em direção a centros urbanos? Serão os preços recordes do petróleo, que causam aumentos nos custos de produção dos alimentos? Serão as mudanças climáticas? O etanol? Ou serão as políticas protecionistas dos países desenvolvidos e as más políticas agrícolas dos países pobres e em desenvolvimento?

Vou adicionar mais um culpado à lista acima: Atenuação ou ausência de direitos de propriedade em um mundo com custos de transação. Nesse caso, reza o teorema de Coase, recursos escassos não encontrarão seus usos de maior valor. Em outras palavras, um aumento de preços dos alimentos não induzirá, necessariamente, como diz Gary Becker, a um aumento na produção se os países praticarem livre comércio.

Minha contribuição ao debate, então, está centrada na necessidade de melhorar a determinação e cumprimento de direitos de propriedade no campo. Em particular:
- Na China, onde mais de 400 milhões de pessoas escaparam da pobreza nas últimas décadas, é possível expandir a produção de alimentos se o governo chinês fizer em áreas rurais o que já fez para centros urbanos: garantir constitucionalmente propriedade privada.
- No Brasil, se livrar do MST. Meu plano é o seguinte: Cortar o financiamento estatal do grupo e cobrar de suas lideranças os custos econômicos das depredações e das mobilizações policiais necessárias para evitar invasões (o que inclui seu custo de oportunidade, que é o aumento de criminalidade urbana decorrente do deslocamento das forças policiais).

Será que Mr. da Silva gostará de ouvir tal recomendação? Ou será melhor continuar a culpar os pobres do mundo?

Política Monetária e Crise Financeira

Stephen Cecchetti foi vice-presidente e diretor de pesquisas do FED de New York e escreveu ótimo artigo sobre a crise recente, que começou dia 9 de agosto de 2007. Ele dá sua visão de como ela começou e o que o FED tem feito para contê-la. Útil para quem precisa de boa informação, mais útil ainda para alunos de economia nas disciplinas de Finanças Internacionais e Economia Monetária.

Libertários e Crises Financeiras II

Perante uma crise financeira das proporções da crise americana, será que é compatível alguma atuação dos Bancos Centrais com os preceitos liberais? Veja o que diz, sobre o liberalismo clássico, o economista e maior filósofo social do séc. XX, Friederich Hayek:

"The liberal argument is in favor of making the best possible use of the forces of competition as a means of co-ordinating human efforts, not an argument for leaving things just they are. It is based on the conviction that, where effective competition can be created, it is a better way of guiding individual efforts than any other. It does not deny, but even emphasizes, that, in order that competition should work beneficially, a careful thought-out legal framework is required and that neither the existing nor the past legal rules are free from grave defects. "

"The functioning of a competition not only requires adequate organization of certain institutions like money, markets and channels of information - some of which can never be adequately provided by private enterprise - but it depend, above all, on the existence of an appropriate legal system, a legal system designed both to preserve competition and to make it operate as beneficially as possible."

"To create conditions in which competition will be as effective as possible, to supplement it where it cannot be made effective, to provide services which, in the words of Adam Smith, "though they may be in the highest degree advantageous to a great society, are, however, of such nature, that the profit could never repay the expense to any individual or small number of individuals," - these tasks provide, indeed, a wide and unquestionable field for state activity. "
Hayek (1944), "The Road to Serfdom", chapter 3, "Individualism and colletivism"

Dessa forma, em termos gerais, um libertário ou liberal clássico não veria problemas em preconizar políticas públicas que melhorassem o funcionamento de mercados e expandissem liberdade, seja dentro de um determinado conjunto de instituições ou dentro de um contexto de reformas institucionais. Assim sendo, economistas da vertente libertária também podem apoiar medidas de política de Bancos Centrais desenhadas para amenizar os efeitos da crise financeira e melhorar o funcionamento dos mercados financeiros. Mas isso significar dar uma carta branca ao Bernanke?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O Dilema do Prisioneiro

O maestro de uma orquestra, na União Soviética de Stalin, estava viajando trem e revia uma partitura, que iria reger à noite. Dois agentes da KGB viram a cena e, acreditando que a partitura era na verdade um código secreto, prenderam-no como espião. O maestro disse que era apenas o concerto de violino de Tchaikovsky, mas de nada adiantou. Depois de dois dias preso, um interrogador entrou na cela e disse: "É melhor você confessar. Pegamos seu amigo Tchaikovsky e ele está nos contando tudo". O maestro sabia que se o tal do Tchaikovsky confessasse e ele não, ele pegaria 25 anos no Gulag. Se ele também confessasse, pegaria apenas 10 anos. Ele decidiu então confessar.

Condenado a passar 10 anos no Gulag, ao chegar lá, um dos residentes lhe perguntou: "Qual o tamanho de sua sentença?" O maestro respondeu: "Dez anos." "E o que você fez?" "Nada", respondeu o maestro. "Deve haver algum engano. A sentença para isso é três anos."

Fonte: Dixit e Nalebuff "Thinking Strategically"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Libertários e Crises Financeiras

Ótimo post e artigo de Dani Rodrik, sobre crises financeiras, Adam Smith, ceticismo e libertarianismo, embora eu acredite que, por motivos retóricos, ele trabalhe com uma versão extrema, ou simplificada, do libertarianismo.

Nesse post, Rodrik cita uma passagem da Riqueza das Nações, de Adam Smith, onde ele sugere regulação bancária para evitar crises, sendo portanto "cético" e não libertário. Tenho que reler "O Caminho da Servidão", de Hayek, pois, pelo que me lembro, ele fala de interações de mercado sujeitas a regras, ou de liberdade condicionada. Seriam os dois, Smith e Hayek, intervencionistas?

Creio que esta interpretação está equivocada, pois libertários (ou liberais clássicos) chamam a atenção ao fato de que "a liberdade (negativa) de uns não pode interferir na liberdade dos outros". Desta forma, a questão se traduz na necessidade de existência do governo para desenhar as regras de interação de mercados.

Como libertário, prefiro a menor intromissão do governo possível. Mas considerando que vivemos em um mundo de monopólio estatal em emissão de moeda fiduciária, que Bancos Centrais existem e que nesse paradigma instabilidade financeira pode exigir intervenção dos BC's, que seja da melhor forma possível. Milton Friedman levantou esse argumento contra Murray Rothbard. Disse algo como: "Filosoficamente estamos de acordo. Só que eu não me recuso a discutir opções de política para Bancos Centrais, mesmo considerando a indesejabilidade de sua existência".

Coisas que Incomodam: Crises Financeiras e Bancos Centrais

Por sugestão e motivação do Shikida, no blog de economia mais lido do país, o Degustibus, vale a pena discutir o papel dos bancos centrais no combate à inflação e transferências a bancos ineficientes.

Em primeiro lugar, é verdade que recentemente preços de commodities (tanto petróleo e minérios quanto alimentos) estão se elevando drasticamente. O que está ocorrendo são mudanças de oferta e demanda: do lado do petróleo, a produção dos países da OPEP não está aumentando, enquanto que a produção não-OPEP tem previsão de queda para 2008 (México, EUA, Inglaterra, Noruega e Rússia). Na agricultura, secas e más políticas têm estagnado ou até mesmo reduzido a produção, levando a demandas por mais protecionismo. Do lado da demanda, o rápido crescimento dos mercados emergentes tem pressionado a demanda para cima. O problema é que não há muito que bancos centrais possam fazer para conter essas mudanças de preços relativos. Em outras palavras, o núcleo de inflação permanece estável, mas preços ao consumidor estão subindo mais rapidamente. Aí surge um dilema para bancos centrais: conter inflação de preços nessa situação exige promover, no curto prazo, algum desaquecimento econômico. Mas os problemas das principais economias são distintos: o Banco Central Europeu tem como principal preocupação conter a aceleração da inflação e não acredita em desaceleração econômica na Europa (provavelmente em função do impulso externo vinculado ao bom desempenho de mercados emergentes); o FED está envolvido na contenção da crise financeira originada no mercado subprime e na perspectiva de uma recessão doméstica, enquanto que inflação e contenção da queda do dólar parecem ser prioridades menores.

Sobre a atuação de Bancos Centrais em crises financeiras, vale a pena lembrar que o papel fundamental dos BC's como emprestador de última instância pode induzir (na prática, realmente induz) maior risco na atividade bancária, seja pela doutrina "banco grande demais para quebrar", seja pela nova doutrina do Bernanke rotulada de "banco muito inter-conectado para quebrar". Mas o fato é que sistemas financeiros têm uma propensão interna à crises - o motivo é o descasamento de maturidades de ativos e passivos de bancos - , que podem transbordar para a economia real, no caso de falências bancárias e desintermediação financeira. Assim sendo, a atuação dos Bancos Centrais se faz necessária.

O problema todo é ter que conviver com os dilemas de política: estabilidade de preços vs. estabilidade do produto e estabilidade financeira vs. maior risco. O problema é maior ainda pois Bancos Centrais têm apenas um instrumento, a política monetária, para lidar com esses dois dilemas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Liberdade Econômica, Direitos de Propriedade e Poluição

Este site aqui mostra os lugares mais poluídos do planeta. Curiosamente, esses lugares estão em países que têm pouca liberdade econômica, conforme mostra o índice de liberdade econômica do Heritage Foundation. Fundamental para a liberdade econômica são direitos de propriedade, de forma que quando direitos de propriedade não são bem estabelecidos e garantidos (por exemplo, quando propriedade privada é atenuada ou substituída por propriedade comum ou acesso aberto), a liberdade econômica é reduzida e então emerge um processo de dissipação de renda e destruição de valor, que culmina com menor crescimento econômico, menor renda per capita e maior poluição.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Petróleo e a Maldição dos Recursos Naturais

A maldição dos recursos naturais diz respeito aos problemas que a abundância de recursos naturais pode trazer a um país, como crescimento econômico mais lento e corrupção. Em particular,países ricos em petróleo podem estar sofrendo desta maldição. A Venezuela, por exemplo, que nos anos 60 teve um PIB per capita em torno de 80% do PIB norte-americano, hoje tem apenas aproximadamente 25% e caindo.

Quais são as causas desses problemas? Em primeiro lugar, em países que dependem de recursos naturais, governos têm uma fonte de receita muito fácil, o que enfraquece o vínculo entre receita do governo e atividade econômica. O governo tem incentivos mais fracos para implementar políticas que levem a prosperidade, como proteção a direitos de propriedade, melhor regulação de mercados, redução de custos de transação, etc.

Em segundo lugar, as atividades de governo passam a ser marcadas pela disputa pela apropriação da receita proveniente da extração dos recursos. Em países democráticos, a disputa mobiliza intensivamente grupos de interesse, lobistas e políticos, com consequências diretas como o aumento de corrupção. Em países ditatoriais, o controle sobre o fluxo de renda dos recursos depende de quem controla as forças armadas. O efeito sobre corrupção também é positivo.

Com a suposta descoberta de uma imensa jazida de petróleo na costa brasileira, a disputa política pela apropriação do fluxo de renda já começou. (*) A descoberta de petróleo no Brasil será uma bênção ou uma maldição?
(*) O link anterior, do Valor Econômico, deixou de ser acessível para não-assinantes. Espero que o mesmo não ocorra com este do Estadao, que substitui o anterior.