terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Seiji Osawa Interpreta Bach

Depois de um ano turbulento, nada como começar as férias de fim de ano ouvindo Bach, interpretado de forma magnífica por Seiji Osawa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Blogs de Economia no Brasil

Ótima matéria (pois nos cita, junto com vários blogs de boa qualidade) sobre blogs de economia na Gazeta do Povo. Para quem deseja conhecer mais opções de boa leitura, Enoch Filho fez uma lista mais abrangente. (via De Gustibus)

Sobre Samuelson

Ed Glaeser considera a contribuição de Paul Samuelson no mesmo nível das de Ken Arrow e Milton Friedman:

"He was an immortal among dismal scientists: one of the mighty trio, along with Kenneth Arrow and Milton Friedman, who dominated post-war economics, the great formalizer of the field. Friedman’s policy insights may have been more radical and significant; Arrow’s genius may have produced more beautiful gems of economic theory. But it was Samuelson who gave economists our toolbox — the mathematical methods that define our field — and the magnitude of that gift made him an indispensible economist."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paul Samuelson

O mundo perdeu ontem Paul Samuelson. Ele é considerado por muitos o fundador da moderna teoria econômica. Sua grande obra, "Foundations of Economic Analysis", de 1947, ajudou a mudar os rumos da economia e deu início à transformação da economia em ciência, que consiste em produzir modelos teóricos e testá-los contra a evidência empírica. RIP.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Como Avaliar a Atuação de um Presidente de um Banco Central?

De forma idônea, of course, ponderando erros e acertos. É o que Douglas Elliott, do Brookings Institute, faz, avaliando a gestão de Ben Bernanke, à frente do Fed desde 2006 e prestes a permanecer no cargo por mais um período.

Um Olhar Para a Frente

Pedro Malan lembra que, em 2010, teremos uma boa oportunidade para discutir, com a devida seriedade e honestidade intelectual, os problemas que o próximo governo deverá resolver.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Políticas Keynesianas São o Melhor Caminho Para a Recuperação Econômica?

Gregory Mankiw, em mais um artigo no NYT, cita evidências (digo, artigos) que indicam que o melhor caminho para sair de uma recessão não passa pelo keynesianismo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Petróleo e A Maldição dos Recursos Naturais no Brasil

Aumentos na produção de petróleo no Brasil aumentam bem-estar da população ou apenas aumentam corrupção? Este artigo de Francesco Caselli e Guy Michaels levanta evidências de que mais petróleo é bom mesmo para políticos corruptos. Aí vai o abstract:

We use variation in oil output among Brazilian municipalities to investigate the effects of resource windfalls. We find muted effects of oil through market channels: offshore oil has no effect on municipal non-oil GDP or its composition, while onshore oil has only modest effects on non-oil GDP composition. However, oil abundance causes municipal revenues and reported spending on a range of budgetary items to increase, mainly as a result of royalties paid by Petrobras. Nevertheless, survey-based measures of social transfers, public good provision, infrastructure, and household income increase less (if at all) than one might expect given the increase in reported spending. To explain why oil windfalls contribute little to local living standards, we use data from the Brazilian media and federal police to document that very large oil output increases alleged instances of illegal activities associated with mayors.

sábado, 21 de novembro de 2009

Krugman, Juros e a Ameaça Fantasma

Paul Krugman em post para refletir. Quando ele não é partidário, suas análises são excelentes.

Política Fiscal e Crescimento Econômico

Estímulo fiscal baseado em redução de impostos em vez de aumento de gastos parece ser melhor para promover crescimento, segundo novo estudo de Alberto Alesina e Silvia Ardagna. Adicionalmente, um ajuste fiscal baseado em redução de gastos em vez de elevação de impostos tem menor probabilidade de ser recessivo (fonte: blog do Mankiw).

domingo, 15 de novembro de 2009

O Que Há de Errado Com a Macreconomia Moderna?

Interessante conferência sobre o estado das artes da teoria macroeconômica moderna e sua relação com a atual crise econômica. Em particular, os artigos de Michael Wickens (autor do nosso livro texto) e Alan Kirman valem a pena a leitura e reflexão. O primeiro desmistifica a suposta irrelevância da teoria moderna (argumento do Paul Krugman e outros) enquanto o segundo aponta um caminho interessante para novas pesquisas, o de networks ou complexidade. A idéia central é que o comportamento agregado de uma variável não pode ser adequadamente previsto pelo comportamento das partes. Embora este argumento não seja nenhuma novidade, pois Adam Smith, Friedrich Hayek, James Buchanan e proponentes da escola austríaca de economia (entre outros) já escreveram sobre o tema no passado, é interessante vê-lo aplicado à teoria macroeconômica e observar de que forma tais modelos podem trazer resultados novos à área.

Qualquer Semelhança É Mera Coincidência

Adolfo Sachsida lista alguns pontos programáticos de um famoso partido político, onde qualquer semelhança com o consenso político no Brasil é mera coincidência. Útil para quem acha que existe uma diferença entre importante entre esquerda e direita e acredita que os nazistas eram os de capacete no Star Wars.

domingo, 8 de novembro de 2009

Muro de Berlim: Porque Liberdades Econômicas e Políticas Não Estão Garantidas



A despeito do significado e da importância da queda do muro de Berlim, continuam fortes no mundo inteiro grupos de interesse de natureza política e econômica contrários à expansão de liberdades políticas e econômicas. A The Economist explora o tema.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Falhas de Governo x Falhas de Mercado

A despeito da visão popular de que falhas de mercado impulsionaram a recente crise financeira nos EUA, John Taylor argumenta em seu blog que mais importantes são as falhas de governo neste episódio. Sua interpretação mais completa dos eventos está neste artigo. Adicionalmente, ele menciona o livro Government Failure versus Market Failure de Cliff Winston, do Brookings Institution, que estuda três décadas de pesquisa empírica e conclui que "thirty years of empirical evidence... suggests that the welfare cost of government failure may be considerably greater than that of market failure." Como Pedro Albuquerque explica, no Incentives Matter, o problema é que incentivos para decisões eficientes em governos são mais fracos do que em mercados, como a escola de Escolha Pública ensina. Leitura obrigatória para aqueles que acreditam que mais governo nunca é demais.

A Queda do Império Romano

Final de semana, assisti no History Channel um documentário sobre a Queda de Roma. Tais documentários enfatizam sempre fatos políticos e aventuras militares, mas é claro que excesso de taxação, inflação, confiscos e redução de comércio (decorrente de perdas de território agravando problemas de pobreza e fome) desempenharam papel importante. Este artigo de Bruce Bartlett, do Cato Institute, explora as causas econômicas do declínio de Roma. Interessante notar que, sob o imperador Diocleciano, foram introduzidos índices de produtividade da terra, facilitando confiscos e expropriações:

"The cornerstone of Diocletian's economic policy was to turn the existing ad hoc policy of requisitions to obtain resources for the state into a regular system. Since money was worthless, the new system was based on collecting taxes in the form of actual goods and services, but regularized into a budget so that the state knew exactly what it needed and taxpayers knew exactly how much they had to pay."

"Careful calculations were made of precisely how much grain, cloth, oil, weapons or other goods were necessary to sustain a single Roman soldier. Thus, working backwards from the state's military requirements, a calculation was made for the total amount of goods and services the state would need in a given year. On the other side of the coin, it was also necessary to calculate what the taxpayers were able to provide in terms of the necessary goods and services. This required a massive census, not only of people but of resources, especially cultivated land. Land was graded according to its productivity. As Lactantius (1984: 37) put it, "Fields were measured out clod by clod, vines and trees were counted, every kind of animal was registered, and note taken of every member of the population."

Terá sido esta a fonte de inspiração do governo brasileiro para os seus "indices de produtividade" no campo? De qualquer forma, Roma se tornou uma sociedade rent-seeking, onde os recipientes eram em maior número em relação aos contribuintes:

"...land continued to be abandoned and trade, for the most part, ceased (Rostovtzeff 1926). Industry moved to the provinces, basically leaving Rome as an economic empty shell; still in receipt of taxes, grain and other goods produced in the provinces, but producing nothing itself. The mob of Rome and the palace favorites produced nothing, yet continually demanded more, leading to an intolerable tax burden on the productive classes. [13]

In the fifty years after Diocletian the Roman tax burden roughly doubled, making it impossible for small farmers to live on their production (Bernardi 1970: 55). [14] This is what led to the final breakdown of the economy (Jones 1959). As Lactantius (1984: 13) put it:

The number of recipients began to exceed the number of contributors by so much that, with farmers' resources exhausted by the enormous size of the requisitions, fields became deserted and cultivated land was turned into forest.

In the end, there was no money left to pay the army, build forts or ships, or protect the frontier. The barbarian invasions, which were the final blow to the Roman state in the fifth century, were simply the culmination of three centuries of deterioration in the fiscal capacity of the state to defend itself. Indeed, many Romans welcomed the barbarians as saviors from the onerous tax burden. [15]

Although the fall of Rome appears as a cataclysmic event in history, for the bulk of Roman citizens it had little impact on their way of life. As Henri Pirenne (1939: 33-62) has pointed out, once the invaders effectively had displaced the Roman government they settled into governing themselves. At this point, they no longer had any incentive to pillage, but rather sought to provide peace and stability in the areas they controlled. After all, the wealthier their subjects the greater their taxpaying capacity.

In conclusion, the fall of Rome was fundamentally due to economic deterioration resulting from excessive taxation, inflation, and over-regulation. Higher and higher taxes failed to raise additional revenues because wealthier taxpayers could evade such taxes while the middle class--and its taxpaying capacity--were exterminated. Although the final demise of the Roman Empire in the West (its Eastern half continued on as the Byzantine Empire) was an event of great historical importance, for most Romans it was a relief."

Leitura obrigatória para quem acha que mais governo nunca é demais.

Vinte Anos da Queda do Muro de Berlim



Dia 09/11/2009, celebraremos os vinte anos da queda do muro de Berlim, uma aberração construída para proteger o socialismo e sua visão idílica no ocidente da sua mais terrível verdade: um sistema de escravidão em massa, que depende de uma brutal concentração de poder. Como disse Paul Johnson, "um sistema que depende de pilhas de cadáveres todo ano para continuar funcionando". A falência do socialismo não é apenas econômica e política, é sobretudo de natureza moral. Um evento a não ser jamais esquecido.

Após estes 20 anos, ainda cabe a pergunta: até que ponto devemos sacrificar nossa liberdade em prol de delírios utópicos? A resposta é óbvia, mas não vi forma mais elegante do que esta, neste artigo de Swaminathan S. Anklesaria Aiyar, do Cato Institute:

"Communists and socialists everywhere, including in India, were dismayed. They could not understand why East Germans blessed with income equality, free social welfare and full employment should flee to the highly unequal West, which bristled with unemployment and social perils. An answer came in a letter to a newspaper editor.

"My daughter's hamster (a pet white mouse) has food, water, shelter and even medical care, and a cage full of fun curly tubes. The hamster responds by constantly trying to chew his way to freedom. I think we all understand what freedom is, and it is not a gilded cage.""

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Elo Perdido: Evolução, Crescimento do Cérebro e a Expansão de Mercados


Segundo este artigo do LA Times, a evolução humana vem se acelerando rapidamente desde o advento da agricultura:

"The researchers looked for long stretches of DNA that were identical in many people, suggesting that a gene was widely adopted and that it spread relatively recently, before random mutations among individuals had a chance to occur.

They found that the more the population grew, the faster human genes evolved. That's because more people created more opportunities for a beneficial mutation to arise, Hawks said.

In the last 5,000 to 10,000 years, as agriculture was able to support increasingly large societies, the rate of evolutionary change rose to more than 100 times historical levels, the study concluded.

Among the fastest-evolving genes were those related to brain development, but the researchers aren't sure what made them so desirable, Hawks said."

Desta forma, crescimento populacional não é apenas bom para crescimento econômico, pois mais pessoas criam mais oportunidades para trocas benéficas ocorrerem, mas como também ajuda a desenvolver o cérebro. Assim sendo, o aumento do tamanho do cérebro não seria uma consequência não-intencional da expansão de mercados e crescimento da renda e da população ao longo da história? É possível testar esta hipótese da relação da expansão de mercados e aceleração de mudanças genéticas?

P.S. Agradeço a Gilson Geraldino por chamar a atenção a este artigo.

A Escola Austríaca de Economia

Para quem não conhece nem terá a oportunidade de estudá-la nos cursos de graduação em economia no Brasil, esta série de vídeos apresenta uma excelente introdução a esta escola de pensamento econômico, considerada herética pelos liberticidas na academia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Importância Sistêmica" e Risco Moral

O plano de reforma financeira do governo Obama sugere a criação de uma categoria de instituições financeiras de "importância sistêmica", podendo receber recursos na forma de bailout ou outras formas de ajuda do governo. Adicionalmente, estas instituições estariam sujeitas a regulação mais pesada do que as outras. Este arranjo é uma receita para acirrar risco moral? Como o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, não definiu quem possue "importância sistêmica", todo político americano terá incentivos para julgar que uma grande instituição financeira em sua jurisdição é importante sistemicamente e pressionar por ajuda. Nas palavras de Alan Meltzer:

"Can elephants fly? The Obama plan is open-ended. No one has offered an operational definition of systemically important. Every member of Congress would be obligated to act as if any large failure in his or her district was "systemic". Much capital would go to rescue failing enterprises instead of supporting new, efficient enterprises. Once again:
Capitalism without failure is like religion without sin. It doesn't work because incentives are weak or non-existent."

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Grande Demais Para Prender


Não pude resistir...

A Volta da Bolha Assassina


A bolha assassina, na forma da doutrina do "banco grande demais para quebrar"(TBTF - too big to fail), reduz os impactos da política monetária sobre o canal de crédito e sobre a atividade econômica, impedindo uma rápida estabilização da economia. Richard Fisher e Harvey Rosenblum, do Fed de Dallas explicam. Se a existência da bolha assassina já é danosa para a economia, seu crescimento, como o previsto pelo novo plano do Tesouro americano de designar mesmo instituições financeiras não bancárias como "sistemicamente importantes", é aterrorizante, como explica Paul Volcker, ex-presidente do Fed.

P.S. Scott Sumner discorda da análise de Fisher e Rosenblum. Nada como uma voz dissonante que enriquece o debate.

domingo, 27 de setembro de 2009

Governo Cubano Faz Importante Descoberta

Depois de décadas de pesquisas de laboratório, usando a população inteira do país como cobaia dos experimentos, governo cubano chegou à conclusão de que a hipótese de que não existe almoço grátis é estatisticamente diferente de zero com grau de confiança de 99,99%.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Por Que (Quase) Todos os Políticos São Keynesianos?

Pedro Albuquerque, do Incentives Matter, responde:

"It should not be surprising however that both liberals and conservatives, especially when given political power, love Keynes. Both ideologies nurture deep beliefs in the infallibility of government intervention and the fallibility of markets, beliefs however that are at the core of the failures of Keynesianism. That Keynes didn't know much about modern public choice is understandable. That contemporary conservatives and liberals however willingly choose to ignore it is unacceptable, something that can only be explained by modern public choice science itself: these beliefs are simply the result of the self-serving search for power and control in politics (although it could be argued that there are also deeply rooted religious factors behind this fatal attraction for Keynesian ideas).

Besides all that, Keynesianism has never been really discarded when it comes to policy making, despite all the advances in macroeconomics after Keynes. It makes absolutely no sense therefore to say that we should return to Keynesian economic policies, as if we have ever really abandoned them. Politics and Keynesianism is a marriage made in hell."

The Economist Discute os Multiplicadores

O artigo é da seção Economic Focus. Além desta discussão, a The Economist lista alguns dos papers mais importantes sobre o assunto. Questão quente para alunos de pós-graduação em busca de temas para teses e dissertações.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Falhas de Governo

Um governo corrupto, incompetente e ineficiente. Soa familiar? Mas desta vez não é sobre o governo brasileiro. Jeffrey Sachs discorre sobre o governo americano.

Economics One

É o novo blog do John Taylor. A respeito da controvérsia sobre a "falência da teoria macroeconômica", iniciada pelo Paul Krugman, Taylor comenta:

"In my view, the financial crisis does not provide any evidence of a failure of modern economics. Rather the crisis vindicates the theory. Why do I say this? Because the research I have done shows that the crisis was caused by a deviation of policy from the type of policy recommended by modern economics. It was an interventionist deviation from the type of systematic policy that was responsible for the remarkably good economic performance in the two decades before the crisis. Economists call this earlier period the Long Boom or the Great Moderation because of the remarkably long expansions and short shallow recessions. In other words, we have convincing evidence that interventionist government policies have done harm. The crisis did not occur because economic theory went wrong. It occurred because policy went wrong, because policy makers stopped paying attention to the economics."

Impactos Macroeconômicos de Impostos e Compras do Governo

Do último artigo de Robert Barro e Charles Redlick:

"For U.S. annual data that include WWII, the estimated multiplier for defense spending is 0.6-0.7 at the median unemployment rate. There is some evidence that this multiplier rises with the extent of economic slack and reaches 1.0 when the unemployment rate is around 12%. Multipliers for non-defense purchases cannot be reliably estimated because of the lack of good instruments. For samples that begin in 1950, increases in average marginal income-tax rates (measured by a newly constructed time series) have a significantly negative effect on real GDP. Increases in taxes seem to reduce real GDP with mainly a one-year lag due to income effects and mostly a two-year lag due to substitution (tax-rate) effects. Since the defense-spending multiplier is typically less than one, greater spending tends to crowd out other components of GDP. The largest effects are on private investment, but non-defense purchases and net exports tend also to fall. The response of private consumer expenditure differs insignificantly from zero. "

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quão Grandes são os Multiplicadores de Dispêndio?




As decisões de consumo das famílias são melhor descritas pelo modelo de renda permanente do Milton Friedman e pelo modelo de ciclo de vida de Franco Modigliani ou pela teoria da função consumo keynesiana? Qual é o impacto, até agora, do pacote fiscal de estímulo econômico do governo Obama? John Cogan, John Taylor e Volker Wieland oferecem evidências empíricas de que a macroeconomia moderna (neoclássica, de expectativas racionais) é a que melhor explica os dados.

"Incoming data will reveal more in coming months, but the data available so far tell us that the government transfers and rebates have not stimulated consumption at all, and that the resilience of the private sector following the fall 2008 panic--not the fiscal stimulus program--deserves the lion's share of the credit for the impressive growth improvement from the first to the second quarter. As the economic recovery takes hold, it is important to continue assessing the role played by the stimulus package and other factors. These assessments can be a valuable guide to future policy makers in designing effective policy responses to economic downturns."

Keynes: O Retorno do Mestre

Greg. Mankiw comenta o novo livro de Robert Skidelsky, o biógrafo "oficial" de John Maynard Keynes, no WSJ.

"Keynesian theory is based in part on the premise that wages and prices do not adjust to levels that ensure full employment. But if recessions and depressions are as costly as they seem to be, why don't firms have sufficient incentive to adjust wages and prices quickly, to restore equilibrium? This is a classic question of macroeconomics that, despite much hard work, is yet to be fully resolved.

Which brings us to a third group of macroeconomists: those who fall into neither the pro- nor the anti-Keynes camp. I count myself among the ambivalent. We credit both sides with making legitimate points, yet we watch with incredulity as the combatants take their enthusiasm or detestation too far. Keynes was a creative thinker and keen observer of economic events, but he left us with more hard questions than compelling answers."

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Que Há de Errado Com a Macroeconomia?

Desde o artigo do Paul Krugman, comentado aqui, o debate vem esquentado. Mark Thoma faz um levantamento das manifestações. Este debate é importante pois pode mudar a maneira como se faz teoria macroeconômica e pesquisa nesta área, sem falar na disposição de financiá-las. Minha pergunta então é: Este debate acirrado existe pois os economistas estão em busca da "verdade" ou trata-se de buscar manter ou realocar verba de pesquisa? Estas duas possíveis fontes da tensão do debate levam a ações observacionalmente equivalentes ou podemos inferir dos comentários o que está em jogo?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Desafios Para o Mundo Pós-Crise

A magnitude dos déficits fiscais das principais economias do planeta criados para lidar com a crise levaram a uma situação delicada: na ausência de maior disciplina fiscal no futuro próximo, as únicas formas de conter a explosão das dívidas públicas são sua monetização - maior inflação - ou calote. O maior desafio das autoridades monetárias será prover um ambiente macroeconômico estável com inflação baixa, na presença de enormes dificuldades fiscais. Carlo Cotarelli e José Viñals explicam.

Enquanto Isto, Faltam Investimentos

Sem investimento, não há crescimento. Sem crescimento econômico, não haverá bolsa-família o suficiente para resolver os problemas de pobreza!

Reestatização Em Curso

Além do pré-sal, avançam medidas reestatizantes em vários setores da economia. O país corre o risco de perder as melhorias institucionais da década passada, que proporcionaram maior estabilidade macroeconômica e um ambiente econômico mais propício aos negócios.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Number Nine, Number Nine, Number Nine...


Hoje, 09/09/09, um grande evento.

Como Fazer o Bem Com o Dinheiro dos Outros

Milton Friedman explica. O vídeo sobre as quatro maneiras de gastar dinheiro é de baixa qualidade, mas vale a pena ser visto. O link é este aqui.

Como é Bom Gastar o Dinheiro dos Outros .....

com os outros. Nada como poder ir ao shopping, comprar à vontade e gastar o dinheiro de terceiros. Melhor ainda quando se trata de dezenas de bilhões de Reais. Nada contra reequipar as Forças Armadas, mas certas coisas exigem planejamento de longo prazo e não simplesmente "impulso de compras". Sequer os militares foram devidamente consultados, de acordo com a matéria do Estadão:

"E nem se pode dizer que os acordos e compromissos até aqui assumidos permitirão ao Brasil dar um salto tecnológico nas áreas de produção de sistemas avançados de armas, que coloquem o País como líder incontestável da região. O compromisso de compra dos Rafale, por exemplo, foi feito de afogadilho. "Os nossos companheiros trabalharam até quase as 2 horas. Eu nem sequer tive tempo de fazer reunião com o ministro da Defesa para discutir com profundidade", confessou o presidente Lula. O comandante da Aeronáutica, ao que parece, ficou sabendo de tudo no final do expediente, pois os militares foram excluídos do processo de decisão. De fato, essa decisão nem mesmo constava do texto da declaração conjunta assinada pelos dois presidentes. Foi acrescentada, em folha avulsa, depois que o presidente Sarkozy manifestou a intenção - apenas isso - de comprar dez aviões cargueiros de um modelo que a Embraer ainda está projetando. Vivo fosse, o general De Gaulle diria que este ainda não é um país sério."

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Salvando o Capitalismo dos Capitalistas

Tudo bem, é o título do post do Mankiw. Mas o título original é do livro do Luigi Zingales e Raguram Rajan, referência na minha disciplina de Economia Monetária II. O link direto para o artigo do Zingales "Capitalism After the Crisis" é este aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Avanço do Atraso

O atual governo federal vem promovendo políticas que minam tanto a estabilidade macroeconômica duramente conquistada na última década quanto as perspectivas de crescimento econômico de longo prazo. São quatro as contrarreformas: uma fiscal, uma previdenciária, uma outra do Estado e uma trabalhista. Em importante artigo do Gustavo Loyola. Com diz o Estadão, está se criando uma herança maldita.

sábado, 5 de setembro de 2009

Paul Krugman Sobre a Falência da Macroeconomia

Bom artigo do Paul Krugman, no NYT. Melhora ainda com este complemento. Alguns pontos merecem maior reflexão, no entanto. É verdade que poucos economistas de mainstream previram esta crise, mas isto não me parece uma crítica sólida à teoria macroeconômica, nem ao menos representa uma vantagem dos keynesianos ortodoxos: Diz-se que estes previram dez das últimas três crises. Tal qual os profetas do apocalipse, acreditam que a correção de suas previsões é demonstrada pela quantidade de vezes em que estiveram errados. Nem tampouco o próprio Paul Krugman tem o mérito de ter previsto esta crise. Mas isto é, como se diz, café pequeno.O que talvez Krugman tenha subestimado é a diferença entre informação pública e informação privada. Em macroeconomia, economistas trabalham com dados agregados (nem sempre) e publicamente disponíveis. Raramente um analista tem a mesma informação privada que um practitioner tem quando toma suas decisões. Muitas vezes nem mesmo os practitioners têm toda informação relevante quando tomam decisões. É claro aqui que temos o problema de informação assimétrica, que é o tratamento analítico que economistas convencionais dão a problemas de bolhas de ativos e crises financeiras. Economistas convencionais não são tão cegos assim a problemas do "real world", como Krugman sugere.

Outro problema do argumento do Krugman diz respeito à importância de comportamentos irracionais. Assumir a existência de irracionalidade não nos permite prever tais comportamentos, pois afinal existem inúmeras maneiras de se comportar irracionalmente. A nota complementar do Krugman citada acima, já corrige o erro: "Actually, let me put it this way: the economy is a complex system of interacting individuals — and these individuals themselves are complex systems. Neoclassical economics radically oversimplifies both the individuals and the system — and gets a lot of mileage by doing that; I, for one, am not going to banish maximization-and-equilibrium from my toolbox." Talvez o mais correto na linha de argumentação do Krugman teria sido afirmar que comportamento racional individual não é fundamento suficiente para racionalidade coletiva, argumento este já feito por Mancur Olson décadas atrás. Problemas de coordenação, custos de transação, assimetria de informação e incentivos políticos permeiam a atividade econômica e tornam o quadro muito complexo para que modelos simples possam capturar corretamente todas as dimensões relevantes do problema. Isto não é um problema da macroeconomia em si, mas um problema geral de aplicar modelos simples ao entendimento de sistemas complexos.

Outro argumento do Krugman é que economistas convencionais ignoraram a possibilidade de existência de crises em seus modelos. Uma interpretação mais crítica é que isto equivale a criticar médicos por não terem previsto e preparado a vacina contra a gripe H1N1 antes de sua eclosão. Neste caso, o fato importante é que, dada a sua eclosão, o conhecimento em medicina permitiu a fabricação de vacinas, assim como o conhecimento em teoria macroeconômica permitiu a atenuação da crise, evitando que esta se transformasse em uma nova Grande Depressão. Uma interpretação mais simpática, que eu endosso, é que alguns economistas (em macroeconomia, em particular), dado o sucesso relativo de políticas econômicas liberais dos últimos vinte anos, desconsideraram a possibilidade de crises e reversões de política, fazendo as perguntas erradas. Os resultados dos modelos dependem obviamente do que se pretende obter deles.

No entanto, as críticas de Krugman à macroeconomia convencional não tornam sua interpretação da crise necessariamente correta: ele tem uma fé exagerada tanto nos multiplicadores do dispêndio quanto na capacidade de governos de tomar decisões corretas. Da mesma forma que acusa a macroeconomia convencional de ignorar aspectos relevantes da realidade, ele também pode ser acusado do mesmo pecado ao ignorar as contribuições de Escolha Pública e Economia Institucional.

Finalmente, minha crítica à macroeconomia é não dar a devida atenção às restrições que operam sobre o conjunto possível de ações de política. A análise macroeconômica pode ser feita em três níveis: políticas, regimes e instituições. Regimes de política restringem as escolhas de política macroeconômica (regime de metas de inflação, por exemplo), enquanto que instituições restringem a escolha de regimes (populismo impede a adoção com sucesso do regime de metas de inflação, socialismo impede a adoção de mercados organizados, má definição e enforcement de direitos de propriedade pioram as perspectivas de crescimento econômico de longo prazo, etc.). O conhecimento do impacto de instituições sobre a atividade macroeconômica é essencial para entendermos melhor os efeitos da adoção de determinados regimes e políticas econômicas, mas este argumento ainda não faz parte do arsenal do macroeconomista convencional. Mesmo o Krugman deve saber, de sua própria experiência, que é muito difícil dominar as contribuições de várias áreas do conhecimento. Mais difícil ainda é combiná-las para aumentar o poder explicativo e preditivo da ciência.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Impactos do Estado de Direito: Francenildo Somos Todos Nós


De acordo com este ótimo artigo de Demétrio Magnoli, o Judiciário adota o paradigma do Executivo, expresso por Lula: no Brasil, o Estado distingue os "homens incomuns" dos "homens comuns".

Trata-se de uma flagrante violação do Estado de Direito, ou Rule of Law. Sob o Estado de Direto, todos estão sujeitos à regra da lei, independentemente de serem amigos do presidente, do partido do presidente ou ele próprio. Não se trata apenas de uma questão de ordem moral ou de justiça, mas tem também significativa importância sobre o bem estar da sociedade, como medido pela renda per capita. Não fosse apenas isto, a adesão ao Estado de Direito tem também impacto sobre a sobrevivência da democracia. Do artigo Rodrik e Rigobon (2004):

"We find that democracy and the rule of law are both good for economic performance, but the latter has a much stronger impact on incomes. ... Rule of law and democracy tend to be mutually reinforcing."

Dá para entender por que não conseguimos crescimento econômico maior do que taxas medíocres?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Futuro do Brasil

A Tragédia dos Comuns da Tributação e Transferências Governamentais

Nada como um pouquinho de lógica econômica para desfazer mitos que os políticos adoram. E o Alex o faz de forma hilariante. O argumento lembra uma versão simplificada do artigo "Public Policies, Pressure Groups, and Dead Weight Costs" de Gary Becker, onde ele conclui:

"Powerful groups can secure the implementation of policies that benefit them while reducing social output, and can thwart policies that harm them while raising output".

Qualquer semelhança com políticas públicas no Brasil não é mera coincidência!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Febeapá: Produtividade do Governo Cresce Mais do Que a do Setor Privado, Segundo o IPEA

Em recente Comunicado da Presidência, o IPEA divulga estudo que mostra que a produtividade do governo cresceu mais do que a do setor privado nos últimos anos. Curioso é que governos estaduais que se engajaram em reformas estruturais, justamente para aumentar a sua produtividade, não alcançaram seus objetivos, segundo o IPEA.
O problema é que os técnicos do IPEA cometeram um erro elementar de análise. Vale a pena discuti-lo para que estudantes de economia não comprometam suas carreiras cometendo deslizes desta magnitude. O Estadão analisa a dimensão política do problema, enquanto que o Alex o disseca com a profundidade de sempre.
O problema elementar é não entender os dados e atribuir a eles significados exóticos. O IPEA usa dados de valor agregado das contas nacionais, elaborados pelo IBGE, para chegar às suas conclusões. Ocorre que estimativas de valor adicionado (como os componentes do PIB, no caso), só têm sentido quando estimados a preços de mercado, que refletem valores sociais. É o velho princípio da mão invisível de Adam Smith, que justifica a produção de tais estimativas. Entretanto, existem algumas dificuldades na produção destas estimativas. Como incluir nelas vários bens e serviços, na ausência de preços de mercado, como por exemplo educação pública e outros bens e serviços produzidos pelo governo? Neste caso, a estimativa é feita pelo custo de produção, como salários, etc. Aí é necessário fazer a pergunta que os técnicos do IPEA ignoraram: gastos do governo, mensurados pelo seu custo, refletem valor adicionado? Para os técnicos do IPEA, quando o Senado paga horas extra em período de recesso parlamentar, ele está apenas aumentando sua produtividade! Esta bizarra conclusão decorre do erro elementar dos técnicos do IPEA, que é o de não entender o significado de estatísticas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Privatização Causa Alcoolismo

TST equipara alcoolismo a doença de trabalho e manda empresa readmitir empregado

O alcoolismo crônico pode ser equiparado a uma doença de trabalho e garantir estabilidade de emprego às suas vítimas. Essa tese foi confirmada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), que negou recurso de uma empresa do Espírito Santo e determinou a reintegração de um funcionário demitido.

Dispensado após trabalhar por 27 anos na Escelsa (Espírito Santo Centrais Elétricas), o eletricitário processou a empresa alegando que o alcoolismo era decorrente de sua função. Um laudo pericial pedido pela Justiça apontou que o trabalho em redes elétricas de alta tensão fez com que o funcionário se entregasse à bebida.

Segundo a perícia, outro fator que contribuiu para o alcoolismo do empregado teria sido a expectativa de perda do emprego, durante o processo de privatização da companhia elétrica, quando existiram demissões em massa. O empregado teve ganho de causa tanto na 1ª quanto na 2ª instância.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Homenagem a uma Candidata

...a dois presidentes e a tantos outros da vida pública nacional.



Words and music by Freddie Mercury

I have sinned dear Father Father I have sinned
Try and help me Father
Won't you let me in? Liar
Nobody believes me Liar
Why don't they leave me alone?
Sire I have stolen stolen many times
Raised my voice in anger
When I know I never should
Liar oh ev'rybody deceives me
Liar why don't you leave me alone

Liar I have sailed the seas
Liar from Mars to Mercury
Liar I have drunk the wine
Liar time after time
Liar you're lying to me
Liar you're lying to me
Father please forgive me
You know you'll never leave me
Please will you direct me in the right way
Liar liar liar liar
Liar that's what they keep calling me
Liar liar liar

Oooh, let me go

Listen are you gonna listen
Mama I'm gonna be your slave
All day long
Mama I'm gonna try behave
All day long
Mama I'm gonna be your slave
All day long
I'm gonna serve you till your dying day
All day long
I'm gonna keep you till your dying day
All day long
I'm gonna kneel down by your side and pray
All day long and pray
All day long and pray
All day long and pray
All day long all day long all day long
All day long all day long all day long

All day long all day long all day long
Liar liar they never ever let you win
Liar liar everything you do is sin
Liar nobody believes you
Liar they bring you down before you begin
Now let me tell you this
Now you know you could be dead before they let you

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Bernanke: Reflexões Sobre um Ano de Crise

Boa palestra de Ben Bernanke, hoje, em Jackson Hole, Wyo. Como diz o título da reportagem, "salvamos o mundo do desastre." Concordo com a afirmação, mas a que custo? Era possível fazer melhor, considerando incentivos intertemporais? De qualquer forma, aí vai o speech na íntegra. Quem quiser criticá-lo deve lê-lo, assim como a bibliografia citada: Gorton, Calomiris e Brunnermeier têm algumas das melhores interpretações da crise.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Novas Ferramentas Para o Ensino de Economia

Bem, novas pelo menos para mim. Espero que os sites das minhas disciplinas de graduação ajudem os alunos a melhorar sua compreensão de economia, sem complicar meus afazeres. Uma espécie de free lunch educacional. Os sites estão abertos para visitação pública, mas comentários são moderados e restritos para alunos matriculados nas disciplinas. Como trata-se de apenas um passo inicial, aceito sugestões de melhoria.

Para a disciplina de Economia Internacional o link é este aqui. Para a de Economia Monetária o link é este.

domingo, 16 de agosto de 2009

Empecilhos ao Crescimento Econômico

Todo mundo que já estudou um pouco de teorias do crescimento econômico sabe, desde a contribuição seminal de Joseph Schumpeter, que inovação tecnológica é a chave para promover aumentos de produtividade e crescimento da renda. Mais importante, trata-se de um processo de destruição criativa, que é a força que impulsiona o crescimento econômico sustentável de longo prazo.

Em termos mais convencionais de teoria econômica, uma inovação tecnológica aumenta tanto a produtividade marginal do capital quanto do trabalho, aumentando assim a renda per capita. O segredo ou fracasso das nações está então na sua capacidade de inovar e mudar sua estrutura econômica de produção. Por que então algumas nações não conseguem se desenvolver? Uma teoria popular é a do imperialismo: países da periferia são explorados pelos países centrais. Em outras palavras, porque os "Estados Unidos não deixam". Esta teoria é a base do bolivarianismo, o socialismo do século XXI.

Mas pode ser por outro motivo também. Tal qual caranguejos no balde, onde aquele que está prestes a escapar é puxado para baixo pelos outros na tentativa de escapar também, algumas sociedades não permitem reformas, mudança estrutural e inovação tecnológica. Sobre esta última visão, Cláudio Shikida mostra como nosso sistema político está impregnado por uma mentalidade que inibe desenvolvimento econômico. Seguindo a Teoria da Jaboticaba, vai aí uma pequena coletânea de projetos estapafúrdios:

"Um dos grandes fabricantes de jabuticaba nacional é o deputado Aldo Rebelo, com vários projetos estapafurdios:

1) PL. 4502/1994 – Proíbe a adoção, pelos órgãos públicos, de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra (sic).

2)PL. 4224/1998 – Proíbe a instalação de bombas de auto-serviço nos postos de abastecimento de combustíveis;

3)PL. 2867/2000 – Proíbe a instalação de catracas eletrônicas ou assemelhados nos veículos de transporte coletivos;"

Ainda bem que o nobre deputado, autor das propostas acima, não era influente quando da introdução do automóvel. Naquele período, a motivação de uma lei que proíbe a produção de automóveis, de acordo com a visão do nobre deputado, certamente seria: "Com o intuito de evitar o desemprego em massa dos trabalhadores da indústria de carroças e dos tratadores de cavalos, ....."

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cesarismo Democrático

É a tentação latino-americana da reeleição indefinida do glorioso líder, de acordo com o prof. Juan Gabriel Tokatlian, de Relações Internacionais da Universidad de Di Tella, Argentina:

"In 1919, the first edition of Democratic Caesarism , by the Venezuelan historian and sociologist Laureano Vallenilla Lanz, was published and widely circulated across the continent. Vallenilla claimed to be seeking an effective (as opposed to the formal) constitutional system for his country.

To achieve this end, Vallenilla argued that, at least in the case of Venezuela, a charismatic leader, confirmed in power through regular elections, would be best placed to concentrate political power successfully and guarantee institutional order. Ninety years later, it looks as though, with the rise of a variety of neo- caudillos , Vallenilla’s idea of the “good Caesar” is coming back."

Gripe Suína Para Adultos

Um guia para o que autoridades da área de saúde não devem fazer.

O Que há de Errado com a Economia?

Em provocante artigo da The Economist, Paul Krugman é citado dizendo que a teoria macroeconômica dos últimos trinta anos é “spectacularly useless at best, and positively harmful at worst.” Afinal de contas, a crise financeira de 2008 não teria sido prevista pelos modelos macroeconômicos nem os economistas chegaram a algum consenso sobre como debelá-la, como argumenta a The Economist.
Robert Lucas, da Universidade de Chicago e Nobel em Economia, aceitou o desafio e rebateu o argumento em seu artigo "In Defense of the Dismal Science". Para Lucas, central na discussão é a Hipótese de Mercados Eficientes (EMH):

"One thing we are not going to have, now or ever, is a set of models that forecasts sudden falls in the value of financial assets, like the declines that followed the failure of Lehman Brothers in September. This is nothing new. It has been known for more than 40 years and is one of the main implications of Eugene Fama’s “efficient-market hypothesis” (EMH), which states that the price of a financial asset reflects all relevant, generally available information. If an economist had a formula that could reliably forecast crises a week in advance, say, then that formula would become part of generally available information and prices would fall a week earlier. (The term “efficient” as used here means that individuals use information in their own private interest. It has nothing to do with socially desirable pricing; people often confuse the two.)

Mr Fama arrived at the EMH through some simple theoretical examples. This simplicity was criticised in The Economist’s briefing, as though the EMH applied only to these hypothetical cases. But Mr Fama tested the predictions of the EMH on the behaviour of actual prices. These tests could have come out either way, but they came out very favourably. His empirical work was novel and carefully executed. It has been thoroughly challenged by a flood of criticism which has served mainly to confirm the accuracy of the hypothesis. Over the years exceptions and “anomalies” have been discovered (even tiny departures are interesting if you are managing enough money) but for the purposes of macroeconomic analysis and forecasting these departures are too small to matter. The main lesson we should take away from the EMH for policymaking purposes is the futility of trying to deal with crises and recessions by finding central bankers and regulators who can identify and puncture bubbles. If these people exist, we will not be able to afford them."

Esta resposta gerou várias reações de conhecidos economistas, que a The Economist está publicando como "The Lucas Round Table". O debate é de qualidade e vale a pena acompanhá-lo, participam nomes como Robert Barro, Brad DeLong, Mark Thoma, Richard Posen e Tyler Cowen.

domingo, 9 de agosto de 2009

Uma Perspectiva Correta

Nestes tempos de crise ética - mais do que de costume, diga-se de passagem - e relativismo moral no país, onde as ações de política não escapam da perspectiva das eleições de 2010, Pedro Malan oferece uma interessante reflexão sobre os fatores essenciais para o crescimento sustentável, que tornam uma sociedade desenvolvida e próspera:
"Na explicação do por que certos países deram mais certo que outros, esses seis conjuntos de fatores são essenciais. E sempre vale lembrar que dentre as "instituições" de um país está o conjunto de valores morais, posturas, atitudes e padrões de comportamento ético que definem o grau de confiança mútua sem a qual uma sociedade moderna não pode funcionar adequadamente."
É importante ressaltar que valores morais, posturas, atitudes e padrões de comportamento ético são essenciais para o bom funcionamento de uma democracia de livre mercado, pois se a propensão a trapacear for muito grande e incontida, os elevados custos de transação daí decorrentes podem até inviabilizar o funcionamento de mercados.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Febeapá: Alugue um Manifestante

Está surgindo no país uma nova profissão: o passeatista profissional. Espero que logo tenha seu próprio sindicato com contribuições compulsórias, antes que alguma "otoridade" decida criar o bolsa-passeata para estimular a conscientização cívica e a participação popular nas manifestações contra ou a favor de qualquer coisa. Ou que algum economista do partido justifique a bolsa-passeata como forma de estimular a demanda agregada.

sábado, 1 de agosto de 2009

Censura ao Estadão


Justiça censura Estadão ao proibir informações sobre Sarney. O curioso é que juíz que determinou a censura é amigo de Sarney.

Liberdade de imprensa é essencial para a constituição de uma sociedade aberta e próspera, pois reforça outras liberdades - como a econômica e a política - ao dificultar a manipulação de informação que favorece grupos encastelados no poder. Regimes totalitários e ditatoriais abominam liberdade de imprensa, enquanto que esta é necessária para o bom funcionamento da democracia.

Liberdade de imprensa tem sofrido ataques no Brasil, como este que agora se abate contra o Estadão. Mais importante, restrições à mídia representam um indicador antecedente do assalto que governos pretendem sobre outras instituições democráticas.

A situação do Brasil, no que tange a liberdade de imprensa, pode ser visto no Map of Press Freedom, 2008.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mercado Imobiliário Norte Americano: Falhas de Mercado ou Falhas de Governo?

Para o economista Gerald P. O'Driscoll Jr., o problema são falhas de governo:

"For all the talk of the failure of markets, what is actually working is markets. What failed were government policies of cheap credit and attempting to make housing affordable by stimulating demand. As amply demonstrated by Thomas Sowell in his new book, “The Housing Boom and Bust,” land-use restrictions and “smart growth” (read no-growth) policies are the culprit for the lack of affordable housing. Stimulating demand through cheap credit only fuels unsustainable price bubbles. The way to avoid a future housing bust is to stay away from demand-stimulating and supply-restricting housing policies. Meanwhile, keep letting markets work."

Como Deixar Robert Shiller Perplexo

Para quem não conhece, Robert Shiller é considerado um dos 100 economistas mais influentes do mundo. O video que o Greg Mankiw apresenta em seu blog é simplesmente hilariante.

Política Fiscal Pré Eleitoral e a Arte do Duplo Pensar

O Alex já havia mostrado alguns dados que mostram um relaxamento da política fiscal na primeira metade deste ano em comparação ao ano anterior. Longe de ser política anticlíclica, trata-se de crescimento do governo. O Shikida lembrou que não basta ter uma política fiscal corrente adequada, mas expectativas sobre a política fiscal futura são importantes também para a determinação da taxa de juros.

No entanto, demonstrando um exímio conhecimento da arte do duplo pensar, ministros do governo federal acusam analistas de má-fé e falam em boa gestão financeira para em seguida defender a queda do desempenho fiscal do governo federal. O editorial do Estadão que aponta estes problemas conclui:

"Os ministros confiam - este é o ponto nem sempre confessado - na recuperação da economia e na consequente elevação da receita fiscal para acertar as contas do governo. É só isso. Não há motivo para se esperar da administração federal nenhum esforço de austeridade. Se a gastança eleitoreira continuar, a estabilidade dos preços voltará a depender da intervenção do Banco Central. Quando isso ocorrer, o aumento dos juros será mais uma vez criticado por integrantes do governo, em mais uma evidente demonstração de má-fé."

domingo, 19 de julho de 2009

Libertem as Escolas!

Andrew Coulson é diretor do Centro para Liberdade Educacional do Cato Institute. Comparando a provisão pública de educação com a provisão privada, em recente artigo, ele chega às seguintes conclusões:

"Across time, countries and outcome measures, private provision outshines public in the overwhelming majority of cases. More important, the least regulated, most market like education systems show the greatest margin of superiority over monopoly schooling. In literature on education, 59 findings show that markets outperform school monopolies. Not a single study has found a monopoly school system to be as efficient as a market system."

O artigo do Coulson é sobre os EUA e não particularmente sobre o Brasil. Mas o problema é que a falência do sistema educacional naquele país não chegou, pelo menos ainda, à catástrofe que é o nosso monopólio estatal na educação, que é de longe a maior falha de governo no país.
Que o nosso sistema de ensino está longe de ser satisfatório é autoevidente: O sindicato dos professores de escolas estaduais do RS, capturado por partidos políticos de ideologia socialista como PSOL, PSTU e PT, faz oposição sistemática a qualquer governo que não seja de uma destas siglas, ignorando qualquer discussão de mudança de gestão que privilegie qualidade na educação. O curioso é que políticos e militantes conhecidos no RS, defensores do modelo educacional estatal, escolhem para seus próprios filhos a educação de escolas privadas. O "modelo" funciona então assim: quem tem recursos financeiros - como a classe média, políticos de esquerda, sindicalistas, etc. - consegue exercer a opção de libertar seus filhos da escola pública e melhorar os prospectos de sua renda futura matriculando-os em escolas privadas; quem não tem está condenado ao sistema estatal.
Nada é mais urgente neste país do que uma reforma educacional sensata. O problema é que para consegui-la o país deve abdicar de tanta demagogia e aceitar abrir o leque de opções de reforma.

terça-feira, 14 de julho de 2009

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Entre Bailouts e Estímulos Fiscais, o Melhor é Não Fazer Nada

Esta é a conclusão de Jeffrey Miron:

"The fundamental problem underlying the financial crisis was government policy. Instead of undertaking enormous new policies, we should try to fix or eliminate bad policies and focus on efficiency rather than redistribution. Doing nothing new and simply working with pre-existing procedures would have been much better than anything we've done so far."

Melhor Defesa da Democracia e Alternância no Poder

Casa dos Horrores

Direto da The Economist, sobre a crise do Senado:

"The Senate has just 81 members but somehow they require almost 10,000 staff to take care of them. Many of these are appointed as favours to senators’ friends or political supporters. One former staffer says that his fellow-employees used to say that the senate was like a mother to them. Others liken it to a country club. The benefits of membership include free health insurance for life for all senators and their families, generous pension arrangements and housing allowances. This much was already familiar to Brazilians and, perhaps, not so different from the goings on in many other legislatures around the world."

"Mr Sarney, who has spent 50 years in public life, is a survivor. He will probably keep his post. He remains a power in the Party of the Brazilian Democratic Movement (PMDB), a catch-all outfit that is an important part of President Luiz Inácio Lula da Silva’s governing coalition. Lula wants Mr Sarney to swing the weight of the PMDB, and its patronage machine, behind Dilma Rousseff, the probable candidate of the ruling Workers’ Party in the presidential election next year.

Lula has said that Mr Sarney deserves more respect, and has blamed the press for whipping up scandal. But at a time when the economy is only just emerging from recession, the saga of the “secret acts” has reminded Brazilians that their politicians never impose austerity on themselves. It may also have reminded them of the flaws of some of Lula’s allies, and his willingness to shut his eyes to scandal when it suits him."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Para Entender a Crise em Honduras

O site do Cato Institute, em espanhol, talvez seja a melhor alternativa disponível.

Por Que os EUA não Apoiam o Estado de Direito em Honduras?

Várias pessoas me perguntam por que a defesa da Constituição em Honduras pela Justiça e Legislativo tem sido tão duramente atacada. Ouvi hoje mesmo em uma rádio de projeção nacional algo como "os golpistas do Supremo são contra a democracia, pois expulsaram violentamente o presidente Zelaya de Honduras por desejar um referendo popular sobre sua reeleição". Difícil saber com precisão a resposta a esta questão, mas este artigo de Mary O'Grady (WSJ) ajuda a esclarecê-la.


Acima: Castro, Zelaya e Chavez, os defensores da "democracia" na América Latina, em 29 de junho na Nicarágua

Governo Obama: Pacote Fiscal de Estímulos ou Expansão Permanente do Governo?

Ed Lazear acredita que é a segunda alternativa. Ele argumenta:

"Congress and the Obama administration have used the economic downturn as an excuse to expand the size of government. Calling it a stimulus, they have instead put in place a spending agenda that will unfold over the next two years. Although a little over one-third of the American Recovery and Reinvestment Act of 2009 goes to tax relief, the rest is in the form of spending programs that will be difficult to stop once they are up and running."

"Additional evidence that the Obama administration wants to expand government rather than stimulate the economy comes from the president's own statements about deficit reduction. When the budget came out, he announced a goal of reducing the deficit to around 4% of GDP by 2013, at which point the administration believes the economy will be fully recovered. Yet to keep the ratio of public debt to GDP constant, the deficit must actually stay below about 2.7%.For perspective, recall that the Bush deficit, which has been criticized for being too large, reached a peak of 3.6% of GDP in 2004. But it fell steadily to 1.2% of GDP by 2007 before rising again to about 3% after TARP."

"It may be the case that the country wants more government, that Americans now believe the European model of big government is best. That is a decision that society must make. But it should do so with no illusions: The current stimulus and calls for a future one are primarily government growth policies, not strategies to shorten the current recession."

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Falhas de Governo e o Uso Obrigatório de.... Cuecas

Pedro Albuquerque, de Incentives Matter, achou esta regulação sobre o uso obrigatório de cuecas. Pode parecer engraçado, mas governos que começam a regular até o uso de cuecas ultrapassaram em muito o limite admissível de controle sobre a sociedade. Isto me faz lembrar Alexis de Tocqueville, em A "Democracia na América":

"(O governo então) cobre a superfície da sociedade com uma rede de regras pequenas e complicadas, que mesmo as mentes mais originais e o caráter mais enérgico não conseguem penetrar e subir acima da multidão. A vontade do ser humano não é destruída, porém amaciada, dobrada e conduzida: As pessoas raramente serão forçadas a agir, mas serão constantemente impedidas de agir. Tal poder não destrói, mas impede a existência, ele não tiraniza, mas comprime, enerva, extingue e estupidifica um povo, até que cada nação seja reduzida a nada mais do que um rebanho de tímidos e obedientes animais, dos quais o governo é o seu pastor".

Nada como cuecas estatais apertadas para tornar o rebanho bem obediente....

Atualização do Blogroll

The Money Ilusion: Basicamente sobre política monetária, mas outros tópicos interessantes também são abordados.

Economist's View: Excelente blog de Mark Thoma, economista da University of Oregon.

PAC e Falhas de Governo

O PAC, bem como outros projetos de governo, não anda por causa de falhas generalizadas de governo: falta de coordenação entre os órgãos de governo, excesso de burocracia, falta de pessoal qualificado e de infraestrutura. É o que conta o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Monopólios Profissionais: Por Que Só Advogados Podem ser Juízes?

Interessante artigo do Roberto Macedo no Estadão. Ele cita livro de Doris M. Provine, que estuda cuidadosamente o assunto nos EUA:

"Must judges be trained as lawyers in order to be effective in office, or can nonlawyers serve equally well? This question has long provoked controversy among lawyers, judges, legislators, and the public. In her empirical study of the place of the nonlawyer judge in the American legal system, Doris Marie Provine concludes that, despite the opposition of the legal profession to nonlawyer judges, they are as competent as lawyers in carrying out judicial duties in courts of limited jurisdiction.

Provine presents a persuasive argument that the case against nonlawyer judges has been weighted in favor of the professional interests of lawyers, not public concerns. Her examination reveals as much about the presuppositions of legal professionals as it does about the competency of nonlawyer judges to old judicial office."

Curioso é o argumento de Provine de que o caso contra juízes "não-advogados" diz mais respeito aos interesses profissionais de advogados do que aos interesses do público em geral. Estendendo o problema ao Brasil, não seria o caso do sistema de proteção à concorrência (CADE, SDE e SEAE) começar a questionar certos monopólios profissionais?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Teoria da Captura: Incra e MST. Quem Controla Quem?

A teoria da captura, do falecido George Stliger, prêmio Nobel em economia e professor da Universidade de Chicago, diz que, com relação a regulação de mercados por agências regulatórias, "é o regulado quem regulamenta o regulador". Mas captura pode ser um fenômeno bem mais geral, onde gupos de interesse capturam setores do governo, como neste caso onde ex-militantes do MST coordenam núcleos do Incra.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Regra da Lei, Segundo Richard Epstein

Richard Epstein é professor de Direito da Universidade de Chicago e um dos poucos do ramo que são liberais clássicos. Vale a pena ouvi-lo, embora o podcast seja longo (um pouco mais de uma hora).

Citação do Dia

Living more hours naked each day results in a dramatic drop in my laundry, which in turn reduces my water and energy use (along with my related bills), it also reduces the amount of soap I release, in my case, into the Puget Sound.” Kathy Blanchard on The Naturist Society’s Web site.

Para ver o artigo completo, somente no NYT. Faça bom uso do conselho de Kathy!

Giácomo Balbinotto Ganha Prêmio Internacional

Foi divulgado em primeira mão no mundo virtual pelo Econosheet, um ótimo blog de alguns alunos da FCE que já se destacam na graduação: O meu colega Giácomo (e os co-autores Denis Borenstein e Marcelo Berger) foi agraciado com o prêmio 2009 Microsoft Research Award for Scholarship on Law and Economics, concedido aos 10 melhores artigos e trabalhos apresentados no congresso de direito e economia em Barcelona.

Parabéns Giácomo!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Por Que a América Latina Está Ficando Para Trás?

A América Latina está ficando para trás da maioria das regiões do planeta por causa do seu sistema educacional, que é responsável pelo péssimo desempenho de estudantes em testes internacionais de habilidades cognitivas, desempenho próximo da África sub-Sahariana. O argumento completo está no recente working paper de Hanushek e Woessmann.



Frases Que Eu Gostaria de Ter Dito

"A República Americana irá durar até o dia em que o Congresso descobrir que pode subornar o público com dinheiro público" Alexis de Tocqueville.


Frase apropriada (exceto pelo termo "Americana", que bem poderia ser trocado pelo "Brasileira") para entender porque o escândalo do Senado não desperta reação popular. Ainda bem que o presidente do Senado já está investigando as denúncias sobre atos secretos, nepotismo e atuação do neto de Sarney em operações com crédito consignado aos servidores da Casa, embora um cara boa pinta afirme que as denúncias são coisa menor.

sábado, 9 de maio de 2009

Douglass North: A Economia Política do Desenvolvimento Econômico

Ótima palestra de Douglass North sobre desenvolvimento e crescimento econômico. Sua teoria é que sociedades inicialmente desenvolveram o que ele chama sociedade de acesso limitado a recursos, como forma de estabelecer ordem social e limitar o uso de violência. O acesso limitado a recursos gera renda econômica que é usada para estabilizar o sistema político. Isto corresponde, segundo North, ao Estado Natural. A sociedade só consegue se desenvolver quando passa para o regime de acesso aberto e o sistema político de rent-seeking é substituído pelo de mercados competitivos. O mistério do crescimento econômico então é como fazer a transição de um regime para outro.


Thomas Schelling e Coisas Assustadoras

Ótima conferência sobre as contribuições de Thomas Schelling para a Economia do Conflito. A discussão de Ken Arrow é uma profunda aula de Teoria dos Jogos. O vídeo é longo, mas vale a pena!


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Palanque é Palanque e....

Governo é Governo. Parece que um cara "boa pinta" andou ensinando algumas lições mundo afora.

Calomiris Sobre Reforma Financeira

Embora regulação de qualidade ainda esteja fora de perspectiva, a ausência de idéias muito ruins é motivo de otimismo. Charles Calomiris explica pontos consensuais para uma reforma financeira que dificulte o surgimento de novas crises.

Exemplo de Rent-Seeking?

Muito curiosa esta notícia. Escritório de advogado de empresa estatal é recordista de ações trabalhistas contra... a própria empresa estatal. Juíz trabalhista não constatou nenhum vínculo entre advogados da estatal e os do escritório de forma a influenciar a "tramitação dos feitos", embora seja reconhecido pelo escritório que "os valores discutidos em muitos processos trabalhistas alcançaram valores elevados". Não custa mencionar que isto tem implicações significativas nos honorários advocatícios. O magistrado trabalhista ainda salientou que "todas as defesas da CEEE deixavam a desejar, ainda que ressalvasse que "não saber informar se a deficiência de defesa da empresa estatal ocorria em processos patrocinados somente por alguns advogados".

A única coisa certa, no entanto, é que o jornalista que investigou o caso foi condenado numa ação reparatória por dano moral movida pelo referido escritório.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cultura do Calote

Está para ser convertida em lei a Proposta de Emenda Constitucional do Calote, a PEC 12/2006, onde os governos estaduais poderão destinar ao pagamento de precatórios - débitos já confirmados pela Justiça - apenas 2% de sua receita corrente líquida. Para as prefeituras, a obrigação não passará de 1,5%. Para tal, depende apenas de aprovação na Câmara dos Deputados, visto que já passou pelo Senado.

Esta limitação a pagamentos de dívidas já reconhecidas representa nada menos do que um confisco legalizado. Existem pelo menos duas implicações importantes recorrentes da proposta.

A primeira, diz respeito ao funcionamento de mercados e criação de riqueza. Mercados tendem a funcionar bem e maximizar a criação de riqueza quando direitos de propriedade são bem estabelecidos e garantidos, custos de transação são relativamente baixos, existe um bom fluxo de informação e os mercados são razoavelmente competitivos. O confisco proposto pela Proposta de Emenda Constitucional enfraquece direitos de propriedade, instituição econômica necessária para criação de riqueza, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico. Mesmo antes da sua conversão em lei, o Brasil já andava mal no quesito definição e proteção à propriedade privada. De acordo com o Índice Internacional de Direitos de Propriedade, divulgado no país pelo IL-RS, O Brasil caiu de 62o. lugar em 2008 para 68o. em 2009, sendo que o índice avalia 115 países. Como este indicador revela a correlação que existe entre direitos de propriedade e desenvolvimento e bem-estar econômico, o confisco proposto não afeta apenas os proprietários atingidos diretamente pelo confisco, mas atinge negativamente também toda a sociedade brasileira por reduzir as possibilidades de crescimento e desenvolvimento econômico.

A segunda implicação diz respeito à própria política fiscal. A PEC do Calote dá os incentivos errados a prefeitos e governadores, que poderão promover desapropriados e executar obras públicas sem se preocupar com os pagamentos. Irresponsabilidade fiscal é o efeito direto dos incentivos perversos do confisco legalizado, o que reduz a credibilidade de pagamentos futuros da dívida pública com aumento de risco percebido e maiores taxas de juros. O caminho escolhido pelos legisladores brasileiros é o oposto daquele que Douglass North e Barry Weingast apontaram em seu famoso artigo de 1989: Foi o compromisso crível do governo em relação a garantia de diretos de propriedade e à impossibilidade de renegar a dívida pública que possibilitou o grande surto de crescimento econômico da Inglaterra nos séculos XVII e XVIII.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Fraude e o "Stress Test" de Mr. Geithner

Para o economista William Black, expert em regulação bancária, o stress test de Geithner é um esquema... fraudulento!: “There is no real purpose [of the stress test] other than to fool us. To make us chumps”. Em sua entrevista ao blog Naked Capitalism, ele aponta:

" The regulators are overwhelmed because of personnel cuts (particularly heavy among their best, most experienced examiners that had worked banks that had engaged in sophisticated frauds. Buyouts were common, because more experienced examiners appear more expensive. This isn't true when you consider effecitiveness and productivity, but management didn't care about that. Treat what I write after the colon as hearing from me at my most serious and thoughtful: it is vastly more difficult to examine a bank that is engaged in accounting control fraud. You can't rely on the bank's books and records. It doesn't simply take more, far more, FTEs -- it takes examiners with experience, care, courage, and investigative instincts and abilities. Very few folks earning $60K are willing to get in the face of the CEO and CFO making $25 million annually and tell them that they are running a fraudulent bank and they are liars. FYI, this is one of the reasons why having "resident examiners" never works. The examiners don't even get to marry the natives. They get to worship God's annoited. Effective examination is good for you, but it is very unpleasant, ala a doctor's finger up your rectum. It requires total independence. So, the examination force doesn't have remotely the numbers or the relevant experience and mindset to examine the largest banks with the greatest problems."

"...few examiners understand more exotic products. In my experience, nobody understands all the products. I certainly don't, and if I did I'm sure my knowledge would be out of date within weeks.

The problem is compounded by the fact that understanding how the product is actually used (CDS is a good example) v. how its proponents picture it as being used is essential. Understanding its sensitivity to credit and interest rate risk is well beyond the ken. Understanding the liquidity risks and interaction effects is out of the question.

Examiners rarely know that financial risks are not normally distributed, but have far fatter tails. (Nor do they understand why this makes truncating the VAR a recipe for disaster.) Examiners rarely understand that any econometric analysis undertaken during the expansion phase of a bubble will invariably find the strongest positive correlation with the worst possible business practices (because those practices maximize accounting fraud)."


Bancos, Fraude, Evasão Fiscal e Ações Sociais

O Banco UBS, que não é americano, aparentemente foi pego em um esquema fraudulento disfarçado de "ação social". Curiosidades: i) Quantos esquemas fraudulentos será que existem por aí envolvendo ONG's que promovem ações sociais? E aquelas que recebem dinheiro público? ii) O esquema fraudulento do Banco UBS era simples. E esquemas que envolvem transações contábeis mais sofisticadas, envolvendo instrumentos financeiros exóticos? Como detectá-los? E se a fraude enriquecer os executivos do banco e quebrá-lo? Vale a pena para o governo socorrê-lo com um bailout, com o dinheiro do contribuinte, para evitar uma crise financeira? Qualquer semelhança com, digamos, a vida real, é mera coincidência?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Crise Financeira, Sexo, Drogas e Rock'n'Roll

Boa palestra de Frederik Mishkin na Columbia Business School sobre a crise financeira. O que isto tem a haver com sexo, drogas e rock'n'roll é o que você irá descobrir se ver o vídeo até o final.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma Questão de Tratamento

No encontro do G20, enquanto Mr. da Silva era tratado por Mr. Obama como "o cara", político mais popular do mundo, pois "é boa pinta", o primeiro ministro da Índia, Mr. Manmohan Singh, era tratado de forma diferente:

"LONDON - Impressed by Prime Minister Dr. Manmohan Singh’s persona, U.S President Barack Obama described him as a “wise” and “wonderful” man.

The 48-year-old new American leader said: “First of all I should say that your Prime Minister is a wonderful man. He is a wise and decent man.”

Referring to Singh’s role in India’s economic liberalization, Obama said: “He (Singh) has been doing a wonderful job in guiding India even prior to being the Prime Minister along the path of extraordinary economic growth. That is a marvel, I think, for all of the world.”"

Apenas por uma questão de valores, creio que é melhor ser tratado como "homem sábio e decente" do que como "boa pinta". É bem verdade que nestes encontros políticos a tônica é dada pelo "cheap talk", vulgo conversa mole ou, se quiserem, demagogia. Mas cada participante recebeu tratamento condizente à sua altura moral e intelectual. Mr. Singh exerce sua liderança, de forma consistente, para promover reformas que colocam o seu país na rota da prosperidade mesmo antes de se tornar Primeiro Ministro. Mr. da Silva, por outro lado, já afirmou que "Quando eu era sindicalista, eu culpava o governo. Quando eu era da oposição, eu culpava o governo. Quando eu virei governo, eu culpei a Europa e os Estados Unidos". Nada mais adequado e polido do que tratar "o cara" como boa pinta.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Falhas de Governo

Governo ideal, para muitos, é aquele que resolve todos os nossos problemas. É benevolente, pois se preocupa com nosso bem-estar; é onisciente pois conhece os melhores métodos de solução dos nossos problemas; e é onipotente pois consegue implementá-los sem custo algum. O governo ideal tem status de divindade e um glorioso líder com status de profeta. Infelizmente, governos reais estão distantes dos ideais, exatamente porque os requisitos necessários de benevolência, onisciência e onipotência são sobrehumanos. No mundo real, existem falhas de governo decorrentes do auto-interesse da classe política, de informação assimétrica (às vezes um eufemismo para ignorância) e de custos de transação. No mundo real, coisas com esta podem acontecer.