segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Rap de Lord Keynes e Herr von Hayek


Dica: Greg Mankiw. Hilariante forma de aprender a economia dos ciclos econômicos, nas perspectivas keynesiana e austríaca.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Febebó: Festival de Besteiras Bolivarianas

Glorioso líder da Revolução Bolivariana, o Comandante Hugo Chavez descobriu tudo: Foram os Estados Unidos que causaram o terremoto no Haiti. E tem mais, planejam devastar o Irã com a mesma técnica e manipulam mudanças climáticas para destruir outros países:

"En cuanto al resultado final de las pruebas de estas armas por parte de los Estados Unidos, advierte el reporte, está el plan de los Estados Unidos de la destrucción de Irán a través de una serie de terremotos diseñados para derrocar a su actual régimen Islámico.

Según el informe mencionado, el sistema experimentado por los Estados Unidos (proyecto HAARP) permitiría además crear anomalías climatológicas para provocar inundaciones, sequías y huracanes."

Chicago Interviews

Excelentes entrevistas com os economistas de Chicago, no The New Yorker, sobre a crise financeira.

O Novo Imposto Sobre Bancos

A administração Obama propôs um novo imposto sobre bancos americanos, como forma de recuperar parte dos recursos públicos comprometidos com o bail-out das instituições financeiras. Trata-se de boa política? Jeffrey Miron, do Cato Institute, argumenta que não. Greg Mankiw, usando argumentos de second-best, argumenta que é possível que sim. Douglas Diamond e Anil Kashyap propõem um plano melhor de repagamento:

"It is generally a bad idea to enact after-the-fact penalties. But giving away free insurance, as the government did during the bailout, is also bad. Our tax would merely ask financial institutions to finally pay for the insurance policy that kept them afloat."

O Estado de Direito e a Independência de Bancos Centrais

Mais um bom artigo do Alex, que mostra mais uma vez a importância de amarrar as mãos da classe política, para melhor condução da política monetária:

"Da mesma forma que a lei limita o poder do soberano, BCs independentes foram criados exatamente para evitar que um bem público, a estabilidade de preços, pudesse ser ameaçada pelas conveniências políticas do príncipe. Democracias descobriram que certas amarras autoimpostas são cruciais para prevenir que o canto das sereias produza resultados que lhes causem danos às vezes irreparáveis, mas parece haver quem ainda não tenha amadurecido o suficiente para compreender isso."


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lipoaspiração Constitucional

É o que propõe Luciano Timm, presidente da Associação Brasileira de Direito e Economia e diretor do IDERS.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Questão de Economia Política Moderna

Motivação: "(...) fairness cannot be sought only in final allocations, but in the rules governing the processes by which such allocations are arrived at. (Bourguignon, et al. ao comentar Nozick)" Fonte: Anaximandro

Problema: Paul McCartney dá um show no Morumbi para 80.000 fãs, que pagam, em média, R$200,00. A alocação final é que Sir Paul ficou mais rico em R$1,6 milhões e 80 mil pessoas ficaram mais pobres em R$200,00.

a) Sendo que a alocação final é mais desigual do que a inicial, avalie a situação sob o ponto de vista de justiça distributiva. A alocação final é melhor ou pior do que a anterior? Explique.
b) O Glorioso Líder e Grande Timoneiro do país, Mr. da Silva, é aconselhado pelos seus economistas a mudar a alocação final, considerada socialmente injusta. Ele então determina que a renda de Sir Paul seja confiscada e devolvida aos seus fãs. Avalie esta situação sob o ponto de vista de justiça distributiva. Quais são os possíveis efeitos dinâmicos, decorrentes dos incentivos gerados por esta política? Explique.
c) Suponha agora que um dos economistas de Mr. da Silva seja beatlemaníaco e convença o Grande Timoneiro de que é do interesse do país que o show seja realizado com subsídio do governo. Agora, o mesmo show continua custando R$1,6 milhões, mas este custo é diluído entre os contribuintes (pagadores de impostos). Oitenta mil pessoas assistirão ao show, mas a escolha dos felizardos é feita por algum critério político (sorteio, idade, filiação política, etc). Avalie esta situação sob o ponto de vista de justiça distributiva e explique seus argumentos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Delírio Bolivariano no Brasil

É o "Programa Nacional de Direitos Humanos" (sic), um prenúncio da tentativa de implantação de um regime autoritário, com redução do papel do Congresso, desqualificação do Poder Judiciário, anulação do direito de propriedade, controle governamental dos meios de comunicação e sujeição da pesquisa científica e tecnológica a critérios e limites ideológicos. Gostaria de saber de pelo menos um caso concreto onde a aplicação de tais políticas redundaram na proteção a direitos individuais e na construção de uma sociedade pacífica. O viés ideológico de tal decreto é óbvio, visto ser (mais uma) tentativa de implementar no país um sistema político e econômico que não funcionou em parte alguma do planeta. Trata-se de um delírio pela crença de que ao se fazer as mesmas coisas repetidamente, um dia os resultados serão substancialmente diferentes.

Fiscais do Sarney Atacam Novamente: A Missão Bolivariana


Quem tem menos de 30 anos, provavelmente não lembra dos fiscais do Sarney, atores de um dos espetáculos mais deprimentes do país: O governo, sob o então presidente José Sarney, abdicou do controle monetário e fundamentos fiscais para debelar a inflação. Em substituição, hordas de "fiscais do Sarney" passaram a denunciar remarcações de preços e a cantar o hino nacional na frente de supermercados. Nada como substituir políticas macroeconômicas consistentes por mobilização popular! O resultado deste experimento pouco ortodoxo foi o maior processo inflacionário que o país já teve.

A má notícia é que os fiscais do Sarney atacam novamente, e desta vez estão fortemente armados. A boa notícia é que o ataque não ocorre aqui no Brasil, porém na Venezuela. O desfecho deste novo episódio não será muito diferente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Seiji Osawa Interpreta Bach

Depois de um ano turbulento, nada como começar as férias de fim de ano ouvindo Bach, interpretado de forma magnífica por Seiji Osawa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Blogs de Economia no Brasil

Ótima matéria (pois nos cita, junto com vários blogs de boa qualidade) sobre blogs de economia na Gazeta do Povo. Para quem deseja conhecer mais opções de boa leitura, Enoch Filho fez uma lista mais abrangente. (via De Gustibus)

Sobre Samuelson

Ed Glaeser considera a contribuição de Paul Samuelson no mesmo nível das de Ken Arrow e Milton Friedman:

"He was an immortal among dismal scientists: one of the mighty trio, along with Kenneth Arrow and Milton Friedman, who dominated post-war economics, the great formalizer of the field. Friedman’s policy insights may have been more radical and significant; Arrow’s genius may have produced more beautiful gems of economic theory. But it was Samuelson who gave economists our toolbox — the mathematical methods that define our field — and the magnitude of that gift made him an indispensible economist."

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paul Samuelson

O mundo perdeu ontem Paul Samuelson. Ele é considerado por muitos o fundador da moderna teoria econômica. Sua grande obra, "Foundations of Economic Analysis", de 1947, ajudou a mudar os rumos da economia e deu início à transformação da economia em ciência, que consiste em produzir modelos teóricos e testá-los contra a evidência empírica. RIP.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Como Avaliar a Atuação de um Presidente de um Banco Central?

De forma idônea, of course, ponderando erros e acertos. É o que Douglas Elliott, do Brookings Institute, faz, avaliando a gestão de Ben Bernanke, à frente do Fed desde 2006 e prestes a permanecer no cargo por mais um período.

Um Olhar Para a Frente

Pedro Malan lembra que, em 2010, teremos uma boa oportunidade para discutir, com a devida seriedade e honestidade intelectual, os problemas que o próximo governo deverá resolver.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Políticas Keynesianas São o Melhor Caminho Para a Recuperação Econômica?

Gregory Mankiw, em mais um artigo no NYT, cita evidências (digo, artigos) que indicam que o melhor caminho para sair de uma recessão não passa pelo keynesianismo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Petróleo e A Maldição dos Recursos Naturais no Brasil

Aumentos na produção de petróleo no Brasil aumentam bem-estar da população ou apenas aumentam corrupção? Este artigo de Francesco Caselli e Guy Michaels levanta evidências de que mais petróleo é bom mesmo para políticos corruptos. Aí vai o abstract:

We use variation in oil output among Brazilian municipalities to investigate the effects of resource windfalls. We find muted effects of oil through market channels: offshore oil has no effect on municipal non-oil GDP or its composition, while onshore oil has only modest effects on non-oil GDP composition. However, oil abundance causes municipal revenues and reported spending on a range of budgetary items to increase, mainly as a result of royalties paid by Petrobras. Nevertheless, survey-based measures of social transfers, public good provision, infrastructure, and household income increase less (if at all) than one might expect given the increase in reported spending. To explain why oil windfalls contribute little to local living standards, we use data from the Brazilian media and federal police to document that very large oil output increases alleged instances of illegal activities associated with mayors.

sábado, 21 de novembro de 2009

Krugman, Juros e a Ameaça Fantasma

Paul Krugman em post para refletir. Quando ele não é partidário, suas análises são excelentes.

Política Fiscal e Crescimento Econômico

Estímulo fiscal baseado em redução de impostos em vez de aumento de gastos parece ser melhor para promover crescimento, segundo novo estudo de Alberto Alesina e Silvia Ardagna. Adicionalmente, um ajuste fiscal baseado em redução de gastos em vez de elevação de impostos tem menor probabilidade de ser recessivo (fonte: blog do Mankiw).

domingo, 15 de novembro de 2009

O Que Há de Errado Com a Macreconomia Moderna?

Interessante conferência sobre o estado das artes da teoria macroeconômica moderna e sua relação com a atual crise econômica. Em particular, os artigos de Michael Wickens (autor do nosso livro texto) e Alan Kirman valem a pena a leitura e reflexão. O primeiro desmistifica a suposta irrelevância da teoria moderna (argumento do Paul Krugman e outros) enquanto o segundo aponta um caminho interessante para novas pesquisas, o de networks ou complexidade. A idéia central é que o comportamento agregado de uma variável não pode ser adequadamente previsto pelo comportamento das partes. Embora este argumento não seja nenhuma novidade, pois Adam Smith, Friedrich Hayek, James Buchanan e proponentes da escola austríaca de economia (entre outros) já escreveram sobre o tema no passado, é interessante vê-lo aplicado à teoria macroeconômica e observar de que forma tais modelos podem trazer resultados novos à área.

Qualquer Semelhança É Mera Coincidência

Adolfo Sachsida lista alguns pontos programáticos de um famoso partido político, onde qualquer semelhança com o consenso político no Brasil é mera coincidência. Útil para quem acha que existe uma diferença entre importante entre esquerda e direita e acredita que os nazistas eram os de capacete no Star Wars.

domingo, 8 de novembro de 2009

Muro de Berlim: Porque Liberdades Econômicas e Políticas Não Estão Garantidas



A despeito do significado e da importância da queda do muro de Berlim, continuam fortes no mundo inteiro grupos de interesse de natureza política e econômica contrários à expansão de liberdades políticas e econômicas. A The Economist explora o tema.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Falhas de Governo x Falhas de Mercado

A despeito da visão popular de que falhas de mercado impulsionaram a recente crise financeira nos EUA, John Taylor argumenta em seu blog que mais importantes são as falhas de governo neste episódio. Sua interpretação mais completa dos eventos está neste artigo. Adicionalmente, ele menciona o livro Government Failure versus Market Failure de Cliff Winston, do Brookings Institution, que estuda três décadas de pesquisa empírica e conclui que "thirty years of empirical evidence... suggests that the welfare cost of government failure may be considerably greater than that of market failure." Como Pedro Albuquerque explica, no Incentives Matter, o problema é que incentivos para decisões eficientes em governos são mais fracos do que em mercados, como a escola de Escolha Pública ensina. Leitura obrigatória para aqueles que acreditam que mais governo nunca é demais.

A Queda do Império Romano

Final de semana, assisti no History Channel um documentário sobre a Queda de Roma. Tais documentários enfatizam sempre fatos políticos e aventuras militares, mas é claro que excesso de taxação, inflação, confiscos e redução de comércio (decorrente de perdas de território agravando problemas de pobreza e fome) desempenharam papel importante. Este artigo de Bruce Bartlett, do Cato Institute, explora as causas econômicas do declínio de Roma. Interessante notar que, sob o imperador Diocleciano, foram introduzidos índices de produtividade da terra, facilitando confiscos e expropriações:

"The cornerstone of Diocletian's economic policy was to turn the existing ad hoc policy of requisitions to obtain resources for the state into a regular system. Since money was worthless, the new system was based on collecting taxes in the form of actual goods and services, but regularized into a budget so that the state knew exactly what it needed and taxpayers knew exactly how much they had to pay."

"Careful calculations were made of precisely how much grain, cloth, oil, weapons or other goods were necessary to sustain a single Roman soldier. Thus, working backwards from the state's military requirements, a calculation was made for the total amount of goods and services the state would need in a given year. On the other side of the coin, it was also necessary to calculate what the taxpayers were able to provide in terms of the necessary goods and services. This required a massive census, not only of people but of resources, especially cultivated land. Land was graded according to its productivity. As Lactantius (1984: 37) put it, "Fields were measured out clod by clod, vines and trees were counted, every kind of animal was registered, and note taken of every member of the population."

Terá sido esta a fonte de inspiração do governo brasileiro para os seus "indices de produtividade" no campo? De qualquer forma, Roma se tornou uma sociedade rent-seeking, onde os recipientes eram em maior número em relação aos contribuintes:

"...land continued to be abandoned and trade, for the most part, ceased (Rostovtzeff 1926). Industry moved to the provinces, basically leaving Rome as an economic empty shell; still in receipt of taxes, grain and other goods produced in the provinces, but producing nothing itself. The mob of Rome and the palace favorites produced nothing, yet continually demanded more, leading to an intolerable tax burden on the productive classes. [13]

In the fifty years after Diocletian the Roman tax burden roughly doubled, making it impossible for small farmers to live on their production (Bernardi 1970: 55). [14] This is what led to the final breakdown of the economy (Jones 1959). As Lactantius (1984: 13) put it:

The number of recipients began to exceed the number of contributors by so much that, with farmers' resources exhausted by the enormous size of the requisitions, fields became deserted and cultivated land was turned into forest.

In the end, there was no money left to pay the army, build forts or ships, or protect the frontier. The barbarian invasions, which were the final blow to the Roman state in the fifth century, were simply the culmination of three centuries of deterioration in the fiscal capacity of the state to defend itself. Indeed, many Romans welcomed the barbarians as saviors from the onerous tax burden. [15]

Although the fall of Rome appears as a cataclysmic event in history, for the bulk of Roman citizens it had little impact on their way of life. As Henri Pirenne (1939: 33-62) has pointed out, once the invaders effectively had displaced the Roman government they settled into governing themselves. At this point, they no longer had any incentive to pillage, but rather sought to provide peace and stability in the areas they controlled. After all, the wealthier their subjects the greater their taxpaying capacity.

In conclusion, the fall of Rome was fundamentally due to economic deterioration resulting from excessive taxation, inflation, and over-regulation. Higher and higher taxes failed to raise additional revenues because wealthier taxpayers could evade such taxes while the middle class--and its taxpaying capacity--were exterminated. Although the final demise of the Roman Empire in the West (its Eastern half continued on as the Byzantine Empire) was an event of great historical importance, for most Romans it was a relief."

Leitura obrigatória para quem acha que mais governo nunca é demais.

Vinte Anos da Queda do Muro de Berlim



Dia 09/11/2009, celebraremos os vinte anos da queda do muro de Berlim, uma aberração construída para proteger o socialismo e sua visão idílica no ocidente da sua mais terrível verdade: um sistema de escravidão em massa, que depende de uma brutal concentração de poder. Como disse Paul Johnson, "um sistema que depende de pilhas de cadáveres todo ano para continuar funcionando". A falência do socialismo não é apenas econômica e política, é sobretudo de natureza moral. Um evento a não ser jamais esquecido.

Após estes 20 anos, ainda cabe a pergunta: até que ponto devemos sacrificar nossa liberdade em prol de delírios utópicos? A resposta é óbvia, mas não vi forma mais elegante do que esta, neste artigo de Swaminathan S. Anklesaria Aiyar, do Cato Institute:

"Communists and socialists everywhere, including in India, were dismayed. They could not understand why East Germans blessed with income equality, free social welfare and full employment should flee to the highly unequal West, which bristled with unemployment and social perils. An answer came in a letter to a newspaper editor.

"My daughter's hamster (a pet white mouse) has food, water, shelter and even medical care, and a cage full of fun curly tubes. The hamster responds by constantly trying to chew his way to freedom. I think we all understand what freedom is, and it is not a gilded cage.""