quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Mr. Bernanke Explica Coordenação de Políticas de Bancos Centrais

Com o colapso dos mercados monetários internacionais, ação coordenada de BC's se fez necessária e o mecanismo utilizado é o de swaps cambiais (currency swaps). Mr. Benanke explica, em recente palestra no Banco Central Europeu:

"The emergence of dollar funding shortages around the globe has required a more internationally coordinated approach among central banks to the lender-of-last-resort function. The principal tool we have used is the currency swap line, which allows each collaborating central bank to draw down balances denominated in its foreign partner’s currency. The Federal Reserve has now established temporary swap lines with more than a dozen other central banks (The central banks include those in Australia, Brazil, Canada, Denmark, the euro area, Korea, Japan, New Zealand, Mexico, Norway, Singapore, Sweden, Switzerland, and the United Kingdom). Many of these central banks have drawn on these lines and, using a variety of methods and facilities, have allocated these funds to meet the needs of institutions within their borders."

Perry Mehring, da Columbia University, explica a economia destes swaps.

domingo, 16 de novembro de 2008

O Que Keynes Diria Sobre a Crise de 2008?

Ninguém sabe. Mas a citação abaixo mostra que ele era bem menos ingênuo que muitos de seus seguidores:

A sound banker, alas! Is not one who foresees danger and avoids it, but one who, when he is ruined, is ruined in a conventional and orthodox way along with his fellows, so that no one can really blame him.
John Maynard Keynes, “The Consequences to the Banks
of the Collapse in Money Values,” 1931

Crise Financeira: Desregulação ou Falha Regulatória?

Para Charles Calomiris, o argumento de desregulação não passa de um mito. Usando o caso da regra de capital da Securities Exchange Commission (SEC), ele conclui:

As for the SEC, if commissioners took on a massive burden in 2004 without realizing they had signed up to safeguard the world's financial system, then they overreached. But they certainly did not "deregulate."

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Bob Geldof Sobre a Crise





Cortesia de Martin Wolf e Dani Rodrik.

Muito Além do Jardim: O Papa é Meu Conselheiro Financeiro

Mr. da Silva, sobre seu encontro com Sua Santidade: "Eu pedi ao Papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois, se todo o domingo o papa der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema".

Sugestão para Mr. Paulson e Mr. Bernanke: acordem mais cedo no domingo e ouçam o conselhozinho. O mundo precisa!

It's a Mess!

Passadas seis semanas da aprovação do pacote de resgate de US$700 bilhões do Tesouro americano, Mr. Paulson, Secretário do Tesouro americano, já comprometeu US$290 bi. Entretanto, nada ainda foi feito em relação à supervisão independente para evitar fraude e desperdício de dinheiro público. Como disse Mr. Eric Thorson, inspetor geral do Tesouro:

"I don't think anyone understands right now how we're going to do proper oversight of this thing."

Adicionalmente, Mr. Paulson anunciou que o governo está abandonando a estratégia de resgate do sistema financeiro e "analisando" a possibilidade de modificar os esquemas de empréstimos a bancos, pois os mesmos não estão reestabelecendo crédito aos consumidores.

Ummm.....

Se a atual crise financeira foi causada por falha de supervisão na tomada de risco (lembre que as agências de risco atribuíram grau AAA para MBS's), como acreditar que a salvação se encontra em um governo que parece não ter a menor idéia do que está fazendo? Como ficam agora as interpretações de "falha de mercado" e as soluções "keynesianas", de gastar o dinheiro público, quando falhas de regulação e agora falhas de governo são cada vez mais evidentes?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Chegou a Hora de Comprar Ações?

Para John Cochrane, prof. de finanças da Universidade de Chicago, possivelmente sim. A evidência histórica mostra que quando a relação dividendos/preço está alta, o retorno nos próximos sete anos também está. Como dividendos são mais estáveis do que preços, isto sugere que preços de ações não seguem um random walk, coisa que ambos behavioristas e proponentes de mercados eficientes sabem. Como o índice S&P 500 já caiu 34% este ano, talvez tenha chegado o momento de comprar. O argumento completo está aqui.

domingo, 9 de novembro de 2008

Sobre Galinhas Tupiniquins, Crise Financeira e Neoliberalismo

Galinhas são aves abundantes e pouco interessantes. Todo mundo já viu uma e sabe como elas são, mas poucos reconhecem as de uma variedade implume, que habitam a América do Sul e, a despeito de serem muito maiores que as galinhas normais e estarem entre nós, não passam de galinhas.

Em decorrência da evolução das espécies, os antepassados das aves são os dinossauros. Algumas espécies evoluíram para aves predadoras, como a águia; outras evoluíram para presas, como as galinhas. Uma das características mais marcantes que diferencia as presas dos predadores é a posição dos olhos: enquanto os predadores têm os olhos voltados para frente para identificar e focar seus alvos, as presas têm seus olhos postados lateralmente, para ampliar ao máximo sua amplitude visual e detectar mais facilmente a presença de perigo. Assim como as galinhas. Mas as galinhas ainda têm uma característica mais marcante: elas têm uma caixa craniana diminuta, um cérebro menor ainda e uma capacidade de entender o ambiente à sua volta idem.

A dificuldade que as galinhas têm de entender o ambiente à sua volta gera um comportamento eficiente, que permite a sobrevivência de sua espécie: elas entram facilmente em pânico. Como elas não conseguem entender o que acontece à sua volta, pequenas mudanças no ambiente lhes provocam uma sensação indescritível de pavor: uma folha de árvore caindo, uma sombra se mexendo ou mesmo a mudança do vento as faz entrar em pânico e sair correndo gritando. Este pânico é racional, pois seu cérebro diminuto as impede de distinguir rapidamente uma mudança natural do ambiente da presença de predadores. Galinhas em pânico têm uma forma eficiente de comunicação: quando uma sai correndo gritando, ao perceber a possibilidade de perigo, o melhor que as outras galinhas podem fazer é sair correndo gritando também. Além de avisar todas as outras, esta estratégia as torna uma refeição mais difícil para os eventuais predadores.

Vá o leitor até um galinheiro e pergunte a uma galinha quanto é dois mais dois. Diante da desfaçatez de sua presença e da complexidade de sua pergunta, todas elas entram em pânico. O mesmo ocorre com as galinhas tupiniquins que, a despeito do seu tamanho monstruoso e caixa craniana maior, ainda retêm a enorme dificuldade de interpretar o mundo à sua volta. Para a galinha tupiniquim, toda e qualquer mudança no ambiente é considerada como um sinal de perigo ao seu modus vivendi, embora algumas delas consigam, mesmo que lentamente, aprender a decodificar o ambiente. Poucos anos atrás, as galinhas tupiniquins saiam correndo e gritando “globalização, globalização”, para avisar as outras que também entravam em pânico. Como o bicho papão da globalização não se revelou o grande predador esperado e, pelo contrário, promoveu melhorias na qualidade de vida, inclusive das galinhas tupiniquins, várias delas aprenderam a lição e não mais se assustam com isso.

Agora, com a crise financeira de 2008, as galinhas tupiniquins estão novamente em pânico. Sem entender o que está acontecendo, elas estão divididas em vários grupos, todas correndo, mas gritando coisas diferentes. Tem o grupo das galinhas messiânicas que, em pânico, gritam os nomes de seus profetas: “Marx voltou” ou ainda “Keynes ressuscitou”, como se invocar os nomes dos profetas as protegesse dos perigos do mundo, assim como o crucifixo confere proteção contra os vampiros. Algumas galinhas messiânicas, acreditando em um processo Srafiano de “produção de bobagens por meio de bobagens”, ensinam às neófitas a importância de Marx para entender a crise, pois o profeta teria compreendido, com um século de antecedência, os perigos que a securitização e os derivativos representam. Outro grupo de galinhas tupiniquins, pouco dotadas de valores religiosos, ao primeiro sinal de perigo sai correndo e gritando: “O Estado vai nos salvar”, acreditando que as raposas – supostamente de boa índole - encasteladas no “Estado” não lhes farão mal algum. Um terceiro grupo corre e grita “é o mercado de novo”, pois acreditam na existência de um ser mítico que habita seus pesadelos: ele tem uma enorme mão invisível que irá decepá-las a qualquer momento. Mas nada apavora mais as galinhas tupiniquins do que aquilo que representa a soma de todos os medos, seu pior pesadelo. Quando as galinhas tupiniquins saem correndo e gritando “neoliberalismo”, elas estão à beira de um ataque cardíaco.

Um Bom Conselho ao Presidente Obama

O conselho é do Greg Mankiw.

Greg Mankiw's Blog: Memo to the POTUS-elect

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Muito Além do Jardim: "Mercado é um Ovo Sem Gema"

Para Mr. da Silva, "o mercado é um ovo sem gema e quem corre para socorrer o sistema financeiro é o Estado". Antes ou depois de revelar que gostaria de tomar banho de petróleo, mas que para tal era necessário "tirar algumas substâncias químicas", o Presidente, em visita à capital de Cuba, disse que "o capitalismo, ao invés de ajudar o sistema produtivo, ao criar emprego, renda e melhorar a qualidade de vida, fez com que o sistema (financeiro) ganhasse muito dinheiro sem produzir um único botão". Genial. Sensacional. Grande lição para aqueles que acreditam que o capitalismo é capaz de gerar prosperidade e que a função de intermediários financeiros é conectar poupadores e investidores.

A reportagem completa saiu hoje no Globo on-line. Imperdível.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Soluções de Mercado para a Crise

Mercados tendem a funcionar bem quando i) existe um bom fluxo de informação, ii) direitos de propriedade são bem definidos e seguros, iii) pode-se confiar que as pessoas irão cumprir suas promessas e iv) custos de transação são razoavelmente baixos. Como a crise financeira americana começou no mercado de crédito imobiliário, sua solução deve contemplar o aprimoramento do funcionamento deste mercado.

Finalmente começam a aparecer mais propostas para melhorar seu funcionamento: Andrew Caplin e John Quigley. Nada como pensar em incentivos e redução de custos de transação. O plano B do Zingales já citei em post anterior.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Direito e Economia: Empatia é Justiça?

Para o candidato à Presidência dos EUA, Sen. Barak Obama, sim. Para o Prof. Guido Calabresi, um dos precursores da área de Law & Economics, não. Usar o critério de empatia para promoção de "justiça" mina a contribuição civilizatória do Estado de Direito, que diz que não é seu sobrenome, sua classe social nem sua origem étnica que são as fontes dos direitos que alguém tem.

Se o Sen. Obama, ao ganhar as eleições presidenciais, for indicar juízes às Cortes americanas com a sua visão jurídica, boa parte do fundamento jurídico que torna a sociedade americana mais eficiente pode ruir, afirma o Prof. Calabresi.
De certa forma, o judiciário americano ficará então mais parecido com seu congênere brasileiro e suas patologias, devidamente dissecadas e analisadas pelo pessoal da Law & Economics no Brasil, em particular o IDERS.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Solução de Mercado Para a Crise Financeira

As últimas semanas da crise financeira internacional têm sido marcadas por um consenso pouco criativo: o da necessidade de salvar Wall Street com dinheiro do contribuinte. Melhor dizendo, que para salvar os empregos da gente trabalhadora de Main Street é necessário impedir as perdas dos banqueiros em Wall Street (obviamente, com o dinheiro da turma de Main). Cá entre nós, brasileiros, já vimos coisa semelhante: a base do nosso protecionismo é calcada no estranho argumento de que para melhorar a vida dos mais pobres, ou seja, promover desenvolvimento com inclusão social, é necessário proteger os ricos escolhidos pelo governo e transferir renda para eles, com subsídios diretos, proteção contra concorrência, financiamento barato, etc. Não é claro para mim que esta estratégia conseguiu algo mais do que transferir renda para os ricos e empobrecer os pobres - a famosa idéia do economista Edmar Bacha de chamar o país de Belíndia (parte Bélgica, parte Índia) na década de setenta transparece uma acurada percepção deste efeito em ação. Da mesma forma, as discussões de bailout parecem trilhar o mesmo caminho: usar o dinheiro dos muitos contribuintes para garantir a vida boa de alguns, com a devida retórica que assim se faz para proteger os primeiros.

Nada contra a função de emprestador de última instância do Banco Central, que se bem estruturada serve para evitar crises financeiras. O problema desta crise é que a famosa "Doutrina Clássica" de Bagehot não é crível: Lembrem-se que o pânico começou depois que o Lehman Brothers não foi socorrido pelo Fed, rompendo com a expectativa em Wall Street de que o banco era grande demais para quebrar ("too big to fail") e que deveria receber auxílio do Fed.

O que é mais irritante nesta crise é a baixa criatividade dos principais economistas do planeta, em não conseguir apontar uma solução que limita as perdas à sua origem. É inacreditável que não se tenha pensado em como funciona o mercado de crédito imobiliário para se entender as razões de tão grande ineficiência. Ademais, inadimplência de mutuários não é desejável nem pelos próprios nem pelos bancos. Mas obviamente existem exceções. Luigi Zingales, da Universidade de Chicago, apresenta uma elegante solução de mercado para crise. Se é suficiente, não sei, mas nos traz uma chama de esperança, pois indica que ainda existem economistas inovadores:

The United States (and possibly the world) is facing the biggest financial crisis since the Great Depression. There is a strong quest for the government to intervene to rescue us, but how? Thus far, the Treasury seems to have been following the advice of Wall Street, which consists in throwing public money at the problems. However, the cost is quickly escalating. If we do not stop, we will leave an unbearable burden of debt to our children.

Time has come for the Treasury secretary to listen to some economists. By understanding the causes of the current crisis, we can help solve it without relying on public money. Thus, I feel it is my duty as an economist to provide an alternative: a market-based solution, which does not waste public money and uses the force of the government only to speed up the restructuring. It may not be perfect, but it is a viable avenue that should be explored before acquiescing to the perceived inevitability of Paulson’s proposals.


Nobel em Economia

O Prêmio Nobel de Economia de 2008 vai para Paul Krugman, pelos seus trabalhos em comércio internacional e localização da atividade econômica. Curiosamente, em um de seus artigos mais recentes, sobre a crise financeira, ele diz que "agora somos todos brasileiros".

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Raposa Serra do Sol: Manifestação Une Indígenas e o MST

Curioso: Os indígenas não são exatamente produtivos em uma reserva de tamanho maior do que 1 km2 por habitante. Será que o Incra declarou estas terras produtivas? Como explicar essa bizarra associação do MST com a causa indígena?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Teoria das Organizações

Pensei em escrever sobre arquitetura organizacional, relação agente-principal, alocação ótima de riscos em contratos, centralização vs. decentralização e porque empresas socialistas são ineficientes. Mas tudo isto é apenas teoria e muito chato, sendo que um pequeno vídeo pode ser muito mais informativo e convincente. Veja então como era feito o controle de qualidade no mais eficiente dos países socialistas, a Alemanha Oriental.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Conflito entre Cultura e a Regra da Lei na Argentina

Intrigante e divertido vídeo. A fonte é o blog Marginal Revolution, com contribuições de Tyler Cowen, renomado economista da cultura.

Pesquisa Aponta que Cientistas que Bebem Cerveja Publicam Menos

Ou será que a causalidade é reversa e cientistas que não conseguem publicar tanto bebem mais cerveja?

Definição e Proteção de Direitos de Propriedade pelo Talibã

Quando o governo não define e protege direitos de propriedade, partes privadas podem fazê-lo para escapar da tragédia dos comuns. Mesmo que sejam a Máfia, os traficantes do Rio ou ainda o Talibã.

No noroeste do Paquistão, disputas tribais sobre minas de mármore não foram capazes de definir direitos de propriedade, coisa que nem mesmo o governo paquistanês conseguiu. Quem resolveu os conflitos relacionados foi o Talibã, alocando direitos de propriedade às tribos. Não sem cobrar um preço, é claro.

Cubanos Também São Seres Humanos

Seres humanos reagem a incentivos, diz a teoria econômica. Árdua lição que autoridades de governo em Cuba começam a aprender.

O diário financeiro britânico Financial Times traz, na edição desta terça-feira, 19, uma reportagem que diz que, após quase 50 anos, Cuba deve começar a reduzir os generosos benefícios de seu sistema de Bem-Estar Social. Em uma entrevista exclusiva ao jornal, o chefe do departamento de análise de macroeconomia do Ministério da Economia cubano, Alfredo Jam, disse que os cubanos têm sido "protegidos demais" por um sistema que subsidia os custos com alimentação, limita os ganhos e diminui a força de trabalho em setores industriais chaves para a economia.

"Nós não podemos dar às pessoas tanta segurança em relação às suas rendas que afete sua disposição para o trabalho", disse ele ao FT. "Nós podemos proporcionar igualdade no acesso à educação e à saúde, mas não igualdade de renda".

Isto me faz lembrar um comentário de um biólogo sobre o socialismo: "Nice theory, wrong species".

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

It's Only Rock and Roll (But I Like it)


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A Disputa pela Raposa Serra do Sol

Bom artigo sobre a reserva Raposa Serra do Sol. Uma região de conflitos institucionalmente incentivados, pois trata-se de extensa área de terras com baixa densidade populacional. Independentemente de como se determinam direitos de propriedade, diz o Teorema de Coase, se custos de transação forem suficientemente baixos, barganha privada leva à solução ótima. Assim sendo, o governo deveria patrocinar o entendimento de indígenas e rizicultores (em terras indígenas, os rizicultores poderiam pagar uma indenização pelo uso da terra, cujo valor seria negociado), em vez de estimular o confronto.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A História Soviética

Como diria Hayek, este filme é "dedicado aos socialistas de todos os partidos". Antes de vestir sua camiseta do Che Guevara, se enrolar na bandeira do seu partido e botar o bottom da estrela vermelha no peito, assista a este filme. E não deixe de ler os livros de Richard Pipes, apenas para ter uma pequena idéia com quem você está flertando. Este pequeno artigo sobre Soljenítsin também vale a pena.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Holodomor

Holodomor em ucraniano quer dizer "morte por inanição". Evento pouco conhecido por aqui, diz respeito às políticas de genocídio de Stalin na Ucrânia, entre 1932 e 1933, onde se estima que algo entre sete a dez milhões de ucranianos foram mortos por inanição. O filme abaixo discorre sobre o ocorrido. Embora possa ser interpretado como um manifesto anti-estalinista (que, por si só é suficiente para irritar os simpatizantes tupiniquins), trata de um fato que libertários não cansam de alertar: Propriedade privada é o último refúgio do indivíduo contra abusos do governo. Holodomor só foi possível, como mostra o filme, com violação de propriedade privada. Não que eu acredite que tal tragédia possa voltar a ocorrer, pelo menos no futuro previsível, mas aqui cabe o alerta de que cada pequeno passo que damos enfraquecendo a instituição de propriedade privada é um passo em direção à privação e à opressão.